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José Marques

TÁON: Mário Quirino revela o poder do networking

Diretor do BNI fala sobre confiança, reputação e conexões que geram oportunidades para empresários

José Marques - Conteúdo de Marca | 27/08/2026 07:45


Em um mercado no qual tecnologia, velocidade e inteligência artificial ganham cada vez mais espaço, um dos ativos mais antigos dos negócios continua fazendo diferença: a confiança. Esse foi um dos principais pontos da conversa com Mário Quirino Neto, diretor do BNI Brasil para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Rondônia e Pará, no TÁON – O Podcast da Sua História.

Master Trainer em NLP e Mindfulness e coorganizador do TEDx MT, Mário construiu uma trajetória que passou pela comunicação, pelo desenvolvimento humano e pelo universo empresarial até chegar ao BNI. Durante o TÁON, ele contou sua história e explicou como relacionamentos estruturados podem abrir portas, gerar referências e transformar conexões em negócios.

Antes de chegar ao BNI, Mário passou pelo Direito, trabalhou em Brasília como assessor parlamentar e também atuou no setor de comunicação em Mato Grosso. Posteriormente, ingressou na área de treinamento e desenvolvimento humano. Foi em 2017, durante uma passagem por Portugal, que conheceu o BNI. Anos depois, durante a pandemia, decidiu levar a organização para Mato Grosso.

Networking baseado em referências

TÁON: Mário Quirino revela o poder do networking
Mário Quirino e José Marques (Foto: Caio Sakamoto)

Durante a entrevista, Mário definiu o BNI como uma organização estruturada de networking profissional baseada principalmente na geração de referências. Fundada nos Estados Unidos em 1985, a organização desenvolveu uma metodologia para aproximar empresários e estimular a geração de oportunidades por meio das redes de relacionamento.

Segundo ele, o princípio pode ser entendido de maneira simples: todo empresário possui uma rede de contatos capaz de abrir portas para outras pessoas. Quando essa rede é utilizada com confiança e responsabilidade, uma apresentação pode encurtar significativamente o caminho até um potencial cliente.

“Então o BNI vai fazendo essas pontes”, explica Mário Quirino Neto.

A metodologia se espalhou internacionalmente e, conforme relatado por Mário durante o podcast, atualmente está presente em 77 países. Ele afirma ter participado diretamente da expansão para Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Pará e agora também assumiu a gestão em Mato Grosso do Sul.

Campo Grande ganha espaço na estratégia

Campo Grande ocupa papel importante nessa expansão. Durante a entrevista, Mário explicou que novos grupos estão sendo estruturados na Capital porque as chamadas “cadeiras” profissionais vão sendo preenchidas.

Uma característica do modelo é justamente evitar concorrência direta dentro de um mesmo grupo. Assim, quando determinada especialidade já está representada, outro profissional da mesma área só pode participar quando atua em segmento diferente ou ingressa em outro grupo.

“Por isso que a gente está abrindo agora o quarto grupo em Campo Grande, porque as cadeiras estão sendo preenchidas. A gente chama de cadeira: cada profissional é uma cadeira”, destaca Mário Quirino Neto.

As reuniões acontecem semanalmente e seguem uma metodologia definida. Os participantes apresentam suas empresas, compartilham oportunidades e acompanham indicadores de desempenho. Há ainda momentos destinados a apresentações mais detalhadas dos negócios dos integrantes.

Confiança é o verdadeiro capital

Um dos momentos centrais do TÁON surgiu quando a conversa avançou para uma pergunta essencial: por que algumas conexões se transformam em negócios e outras não?

Para Mário, a resposta passa diretamente pela confiança.

“Se eu confio em você, eu vou colocar meu dinheiro na sua empresa, vou colocar o dinheiro no seu serviço”, afirma Mário Quirino Neto.

Na avaliação dele, uma indicação carrega também a reputação de quem indica. Por isso, networking não deveria ser simplesmente uma troca indiscriminada de cartões ou contatos. É necessário conhecer o profissional, seu trabalho e sua capacidade de entregar aquilo que promete.

Essa lógica também ajuda a explicar a importância que Mário atribui à construção de reputação.

“Marca é aquilo que a pessoa fala que ela é. Reputação é aquilo que os outros falam que ela é”, ressalta Mário Quirino Neto.

Para ele, reputação nasce principalmente do básico bem executado: cumprir o prometido, qualificar-se, trabalhar, ser honesto, demonstrar interesse genuíno pelas pessoas e entregar aquilo que foi combinado.

Ser especialista para ser lembrado

TÁON: Mário Quirino revela o poder do networking
Mário Quirino Neto (Foto: Caio Sakamoto)

Outro ponto abordado foi o posicionamento profissional. Em um ambiente no qual consumidores e empresários recebem uma quantidade gigantesca de informações diariamente, tentar atender todo mundo pode produzir justamente o efeito contrário: ninguém se lembrar claramente daquele profissional.

“Quem quer ser tudo para todos não é nada para ninguém. Então a gente precisa ter posicionamento, a gente precisa ter credibilidade”, observa Mário Quirino Neto.

Na visão de Mário, quanto mais claro for o posicionamento e a especialidade de uma empresa ou profissional, maiores são as possibilidades de ser lembrado quando surgir uma demanda específica.

Primeiro contribuir, depois colher

A filosofia apresentada durante o programa também coloca a contribuição antes do resultado. No BNI, Mário destacou o conceito conhecido como Givers Gain, baseado na ideia de ajudar e gerar valor para a rede antes de esperar retorno.

Nesse processo, ele apresentou outra lógica utilizada pela organização: VCR — Visibilidade, Credibilidade e Resultado.

Primeiro, o empresário precisa tornar-se conhecido. Depois, construir credibilidade. O resultado surge como consequência desse processo.

“Antes de você colher, você tem que plantar. Primeiro você prepara a terra, escolhe uma boa semente, aduba, planta, rega, cuida das pragas e só depois vai colher. Existe processo”, compara Mário Quirino Neto.

A comparação resume boa parte da mensagem apresentada no TÁON: relações empresariais sustentáveis não são construídas por atalhos.

Negócios movimentados pela rede

Mário apresentou ainda números para dimensionar a estrutura da organização. Segundo ele, o BNI reúne cerca de 355 mil empresários no mundo e teria movimentado aproximadamente US$ 27 bilhões em negócios entre seus membros nos 12 meses anteriores à entrevista.

Em Mato Grosso do Sul, afirmou que foram gerados R$ 22 milhões em negócios somente em Campo Grande, enquanto Mato Grosso teria alcançado cerca de R$ 200 milhões.

Além do relacionamento local, a rede permite conexões internacionais. Segundo Mário, os integrantes utilizam um aplicativo que conecta empresários participantes da organização em diferentes países, permitindo localizar profissionais e solicitar referências em outros mercados.

Inteligência artificial entra no networking

A inteligência artificial também entrou na conversa. Para Mário, a tecnologia já deixou de ser apenas uma tendência e passou a ser uma ferramenta de competitividade.

“A gente não vai sobreviver sem inteligência artificial. É impossível nós sermos pessoas competitivas sem inteligência artificial. E a inteligência artificial não vai substituir ninguém. Ela só vai substituir quem não usa ela”, avalia Mário Quirino Neto.

Ele revelou ainda que ferramentas de IA já estão sendo implementadas em diferentes níveis da estrutura do BNI, incluindo iniciativas locais, estaduais, nacionais e internacionais.

O paradoxo é interessante: quanto mais tecnologia entra nos negócios, mais valiosos podem se tornar atributos essencialmente humanos como credibilidade, confiança, reputação e capacidade de criar relacionamentos verdadeiros.

Voltar ao básico

TÁON: Mário Quirino revela o poder do networking
Fainer Nogueira, Mário Quirino Neto, José Marques e Artioli (Foto: Caio Sakamoto)

A conversa ultrapassou o ambiente empresarial e entrou também no comportamento humano. Mário falou sobre o excesso de informações, a perda da capacidade de contemplação e a dificuldade cada vez maior de simplesmente parar, conversar e refletir.

“Hoje as pessoas perderam a capacidade de contemplação”, pontua Mário Quirino Neto.

Para ele, recuperar práticas simples e momentos de presença pode ser uma resposta ao ritmo acelerado da vida contemporânea.

No fim, negócios, networking e desenvolvimento pessoal acabaram chegando ao mesmo ponto: relações sólidas precisam de tempo, entrega e coerência.

Em um mundo no qual uma mensagem atravessa continentes em segundos e a inteligência artificial acelera processos que antes levavam horas, Mário Quirino defende uma regra bem mais antiga — e difícil de automatizar: pessoas fazem negócios com pessoas em quem confiam.

E conexão, quando existe confiança, deixa de ser apenas contato. Vira oportunidade. Vira reputação. E pode virar negócio.

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