Filho do "Homem da Batata", José segue legado do pai há 45 anos
Aos 53 anos, ele cresceu entre bancas e caixas e construiu a vida inteira no Ceasa
Filho de batateiro, José Carlos Mendes Ricardo tinha apenas 7 anos quando começou a acompanhar o pai no Ceasa, em Campo Grande. Hoje, aos 53 anos, continua trabalhando no mesmo lugar onde cresceu e onde a família construiu sua história. Tudo começou há 45 anos com batata-doce e hoje virou melão e mamão.
RESUMO
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José Carlos Mendes Ricardo, de 53 anos, cresceu no Ceasa de Campo Grande acompanhando o pai, conhecido como o "Homem da Batata Doce", produtor e dono de banca. Após a morte do pai por câncer, a família perdeu tudo. José retornou ao local como funcionário, onde trabalha há 28 anos com mamão e melão. Além do emprego, recicla caixas de banana enviadas a São Paulo e Minas Gerais como renda extra. Ele chega ao trabalho por volta das 3h e sai perto das 21h.
Ao Lado B, ele conta que o pai era conhecido no Ceasa como o “Homem da Batata Doce”, era produtor e dono de uma banca. Nos tempos áureos, enviava mercadorias para cidades como Corumbá e Dourados.
“Meu pai plantava batata doce. Era muito bom naquela época, o movimento era bom. Ninguém nunca me zoou por conta disso, do meu pai. Não tinha isso.” Na memória dele, aquele era um período de muito movimento. O comércio era intenso e a fama do pai nunca foi motivo de constrangimento.
A história da família mudou depois que o “Homem da Batata” adoeceu. Ele teve um câncer grave e morreu. Com a perda, o negócio da família também acabou e José conta que eles ficaram sem nada. Anos depois, ele voltou para o mesmo lugar, mas dessa vez como funcionário. Já são 28 anos trabalhando com o mesmo patrão.
A batata-doce, que marcou a trajetória do pai e da família, ficou para trás. Hoje ele trabalha com mamão papaia, mamão formosa e melão.
Mesmo tendo crescido vendo o pai como dono de banca, José Carlos diz que não pensa em comprar um ponto para voltar a ter o próprio negócio. Isso porque encontrou outra fonte de renda dentro do Ceasa. “Daqui também tiro uma grana extra, que é a reciclagem de caixa vazia de banana. Mando elas para São Paulo e Minas Gerais.”
Foi no Ceasa que José conseguiu sustentar a família durante praticamente toda a vida. Entre caixas de madeira e plástico, pegando peso todo dia, ele conseguiu criar os filhos e manter a casa. “Trato de todos e tenho uma vida mais ou menos.”
A rotina ainda é puxada. José conta que chega por volta das 3h e, em alguns dias, só vai embora perto das 21h. Mas, apesar do esforço, ele relembra que antes o cenário de trabalho era bem pior. “Hoje o pessoal até registra. Antigamente ninguém registrava ninguém, não tinha isso. O sistema era bruto. Hoje tem a lei, tem tudo.”
José também viu o Ceasa crescer. Na avaliação dele, o movimento aumentou muito desde a época em que chegou ao local ainda criança. O produto mudou, o trabalho mudou e o Ceasa também cresceu, mas o lugar segue sendo o endereço onde José construiu a vida.
Durante a conversa, José comenta que sonha em encontrar familiares do sobrenome Ricardo no interior de São Paulo, em Duartina. Ele conta que acabou perdendo o contato e gostaria de reencontrá-los.
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