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Comportamento

Filho do "Homem da Batata", José segue legado do pai há 45 anos

Aos 53 anos, ele cresceu entre bancas e caixas e construiu a vida inteira no Ceasa

Por Natália Olliver | 26/08/2026 07:46
Filho do "Homem da Batata", José segue legado do pai há 45 anos
Filho do "homem babata", José segue legado do pai há 45 anos (Foto: Natália Olliver)

Filho de batateiro, José Carlos Mendes Ricardo tinha apenas 7 anos quando começou a acompanhar o pai no Ceasa, em Campo Grande. Hoje, aos 53 anos, continua trabalhando no mesmo lugar onde cresceu e onde a família construiu sua história. Tudo começou há 45 anos com batata-doce e hoje virou melão e mamão.

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José Carlos Mendes Ricardo, de 53 anos, cresceu no Ceasa de Campo Grande acompanhando o pai, conhecido como o "Homem da Batata Doce", produtor e dono de banca. Após a morte do pai por câncer, a família perdeu tudo. José retornou ao local como funcionário, onde trabalha há 28 anos com mamão e melão. Além do emprego, recicla caixas de banana enviadas a São Paulo e Minas Gerais como renda extra. Ele chega ao trabalho por volta das 3h e sai perto das 21h.

Ao Lado B, ele conta que o pai era conhecido no Ceasa como o “Homem da Batata Doce”, era produtor e dono de uma banca. Nos tempos áureos, enviava mercadorias para cidades como Corumbá e Dourados.

“Meu pai plantava batata doce. Era muito bom naquela época, o movimento era bom. Ninguém nunca me zoou por conta disso, do meu pai. Não tinha isso.” Na memória dele, aquele era um período de muito movimento. O comércio era intenso e a fama do pai nunca foi motivo de constrangimento.

Filho do "Homem da Batata", José segue legado do pai há 45 anos
Filho do "Homem da Batata", José segue legado do pai há 45 anos
José viu pai vender batata doce e hoje vende mamão e melão (Foto: Natália Olliver)

A história da família mudou depois que o “Homem da Batata” adoeceu. Ele teve um câncer grave e morreu. Com a perda, o negócio da família também acabou e José conta que eles ficaram sem nada. Anos depois, ele voltou para o mesmo lugar, mas dessa vez como funcionário. Já são 28 anos trabalhando com o mesmo patrão.

A batata-doce, que marcou a trajetória do pai e da família, ficou para trás. Hoje ele trabalha com mamão papaia, mamão formosa e melão.

Mesmo tendo crescido vendo o pai como dono de banca, José Carlos diz que não pensa em comprar um ponto para voltar a ter o próprio negócio. Isso porque encontrou outra fonte de renda dentro do Ceasa. “Daqui também tiro uma grana extra, que é a reciclagem de caixa vazia de banana. Mando elas para São Paulo e Minas Gerais.”

Filho do "Homem da Batata", José segue legado do pai há 45 anos
José não pensa em ser chefe e está há 28 anos com o mesmo patrão (Foto: Natália Olliver)

Foi no Ceasa que José conseguiu sustentar a família durante praticamente toda a vida. Entre caixas de madeira e plástico, pegando peso todo dia, ele conseguiu criar os filhos e manter a casa. “Trato de todos e tenho uma vida mais ou menos.”

A rotina ainda é puxada. José conta que chega por volta das 3h e, em alguns dias, só vai embora perto das 21h. Mas, apesar do esforço, ele relembra que antes o cenário de trabalho era bem pior. “Hoje o pessoal até registra. Antigamente ninguém registrava ninguém, não tinha isso. O sistema era bruto. Hoje tem a lei, tem tudo.”

José também viu o Ceasa crescer. Na avaliação dele, o movimento aumentou muito desde a época em que chegou ao local ainda criança. O produto mudou, o trabalho mudou e o Ceasa também cresceu, mas o lugar segue sendo o endereço onde José construiu a vida.

Durante a conversa, José comenta que sonha em encontrar familiares do sobrenome Ricardo no interior de São Paulo, em Duartina. Ele conta que acabou perdendo o contato e gostaria de reencontrá-los.

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