A estação do fogo, um inferno evitável
Verão, inverno, outono, primavera… passamos a contar com uma nova estação. A do fogo. Não há monstro mais antigo que o fogo. Por mais que Heráclito quis convertê-lo em pai de todas as coisas, fora de controle seus efeitos são terríveis e devastadores. Sinal de destruição. Ingrediente inevitável do inferno. A história da humanidade por seu domínio e ameaça. E, desta vez, a ameaça é tremenda. O El Niño mandou avisar que aprontará anarquia como nunca.
Os ciclopes o aprisionavam.
Na Antiguidade, os ciclopes o aprisionavam sobre a terra, em vulcões, mas Prometeu o arrebatou tornando-o em um instrumento útil para os humanos. Sempre, é claro, que o mantenham submetido ao limite. O Pantanal tornou-se a terra do fogo. Por aqui, não atuam só as forças da natureza, mas também as mãos despreocupadas e criminosas dos homens. É uma ameaça certa. Anunciada. Comprova que insistimos em tropeçar outra vez na mesma pedra calcinada.
Falta prudência.
Faltaram meios, investimentos, planejamento e, principalmente, prudência. E o preço dessa desídia, dessa negligência, é paga por todos que pisam a terra: as matas, os animais, as casas, as cercas e os seres humanos que habitam a região. É uma dor quase irreversível que seguirá acontecendo, porque alguém não fez seu trabalho preventivo a tempo. E se não exigirmos responsabilidades, seguirá prosperando. É um inferno evitável. Seus demônios continuam soltos e repetirão seus perversos crimes.
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