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José Marques

TÁON: Valéria Gabas fala de carreira, cidade e futuro

Diretora da Plaenge analisa as transformações no jeito de morar e o crescimento de Campo Grande

José Marques - Conteúdo de Marca | 03/09/2026 07:45


Da engenharia civil à gestão de negócios, a trajetória de Valéria Gabas, diretora da Unidade de Negócios da Regional Campo Grande da Plaenge, mostra como conhecimento técnico, capacidade de adaptação e gestão de pessoas podem caminhar juntos na construção de uma carreira.

Em entrevista ao TÁON – Podcast da Sua História, Valéria relembrou o início profissional, falou sobre os desafios da liderança e analisou as transformações do mercado imobiliário e as perspectivas de desenvolvimento de Campo Grande e Mato Grosso do Sul.

Formada em Engenharia Civil, Valéria conta que a escolha pela profissão aconteceu ainda muito jovem. Com facilidade para a área de exatas e participação em olimpíada de matemática durante o ensino médio, chegou a receber indicação vocacional para engenharia eletrônica. Ao retornar para Campo Grande, porém, optou pela engenharia civil.

Depois de formada, iniciou sua trajetória profissional nas áreas de orçamento e planejamento e passou pela Construmat, experiência que considera uma importante escola profissional.

Posteriormente, uma mudança para Cuiabá abriu o caminho para sua chegada à Plaenge, inicialmente como engenheira residente.

Da engenharia para os negócios

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Valéria Gabas diretora da Unidade de Negócios da Regional Campo Grande da Plaenge (Foto:Divulgação)

Durante aproximadamente dez anos, Valéria esteve ligada diretamente à produção e às áreas técnicas da construção civil. A mudança de perspectiva começou quando percebeu que queria ampliar sua atuação.

A primeira pós-graduação escolhida foi em marketing, algo pouco comum para uma engenheira naquele período. Mais tarde, buscou formação em gestão e passou a direcionar sua carreira para os negócios.

A experiência nos canteiros, entretanto, continuou fazendo diferença.

Segundo Valéria, conhecer a realidade da produção permite compreender melhor os desafios enfrentados pelas equipes, especialmente em um momento no qual a construção civil enfrenta dificuldades relacionadas à formação e disponibilidade de mão de obra.

A própria indústria está mudando. Valéria destaca que os canteiros caminham para processos cada vez mais industrializados e tecnológicos.

Ela cita como exemplo a utilização, pela Plaenge, de um sistema construtivo desenvolvido a partir de uma consultoria da Porsche Consulting, adaptando conceitos de linha de produção da indústria automobilística para a construção vertical.

Liderança passa por aprender a lidar com pessoas

Um dos principais aprendizados da carreira, segundo Valéria, aconteceu fora das disciplinas tradicionais da engenharia: aprender a trabalhar com pessoas.

Ainda aos 23 anos, ela assumiu responsabilidades em uma obra de grande porte e chegou a trabalhar com cerca de 150 profissionais no canteiro. Foi nesse ambiente que começou a compreender, na prática, os desafios da liderança.

Ao longo da carreira, percebeu também que diferentes gerações exigem formas distintas de comunicação.

Para Valéria, um bom líder precisa desafiar as pessoas e estimular a equipe a olhar para o futuro, mas não pode exercer essa função distante da realidade cotidiana.

“Precisa estar instigando pro futuro, pra olhar pra frente, mas ele tem que tá ali no dia a dia com a equipe, tem que fazer junto, tem que aprender junto”, afirma Valéria Gabas.

A executiva ressalta ainda que a formação profissional deixou de ser algo concentrado apenas no início da carreira. Em um mercado cada vez mais dinâmico, voltar a estudar e aprender continuamente tornou-se uma necessidade.

Reputação se constrói todos os dias

A construção de marcas também ocupou espaço importante na conversa.

Para Valéria, planejamento, estratégia e branding são fundamentais, mas nenhuma campanha consegue substituir a coerência existente no relacionamento cotidiano entre empresa, colaboradores e clientes.

“A reputação da marca é muito importante. E ela você constrói todo dia”, afirma Valéria Gabas.

Segundo ela, uma grande campanha de marketing pode alcançar toda a cidade, mas não se sustenta quando aquilo que é comunicado não encontra correspondência na experiência real proporcionada pela empresa.

No mercado imobiliário, essa responsabilidade ganha dimensão ainda maior porque a compra de um imóvel representa, para muitas famílias, anos de trabalho, planejamento e economia.

Por isso, Valéria acredita que o cliente não compra apenas metros quadrados.

“Ele compra a experiência, ele compra a confiança e a credibilidade”, destaca Valéria Gabas.

Campo Grande diante de um novo ciclo

TÁON: Valéria Gabas fala de carreira, cidade e futuro
Valéria Gabas diretora da Unidade de Negócios da Regional Campo Grande da Plaenge (Foto: Caio Sakamoto)

Ao analisar Mato Grosso do Sul, Valéria vê um momento especialmente favorável.

A chegada de investimentos e o processo de industrialização do agronegócio devem produzir reflexos diretos sobre Campo Grande, aumentando a circulação de pessoas e criando novas demandas para o mercado imobiliário.

“Campo Grande vai absorver muita coisa desse desenvolvimento. Estão vindo as pessoas, descobrindo Campo Grande, vindo pra cá, e o mercado imobiliário tem que estar preparado para atender essas pessoas”, afirma Valéria Gabas.

Para a executiva, Mato Grosso do Sul também possui uma oportunidade de combinar crescimento econômico com sustentabilidade e planejamento de longo prazo.

“Com os recursos que nós temos aqui, é pra gente ser estado do futuro mesmo”, avalia Valéria Gabas.

Plaenge e o legado para Campo Grande

Ao falar sobre os próximos anos da Plaenge na Capital, Valéria afirma que existem novos projetos em preparação e destaca uma preocupação que ultrapassa a construção dos empreendimentos: contribuir para uma cidade mais sustentável.

Ela cita o projeto Raízes como parte desse trabalho e defende uma visão de longo prazo para Campo Grande.

“Nós podemos propor isso enquanto sociedade”, afirma Valéria Gabas, ao defender que as decisões tomadas hoje terão impacto direto na cidade das próximas décadas.

Para ela, a qualidade de vida encontrada atualmente em Campo Grande não surgiu por acaso. É resultado de sucessivos processos de planejamento urbano realizados ao longo do tempo.

E é justamente essa perspectiva que orienta sua visão de futuro: construir empreendimentos, desenvolver negócios e, ao mesmo tempo, participar da construção da cidade que será deixada para filhos e netos.

Uma carreira construída pela disposição de aprender

No encerramento da entrevista, Valéria relembrou que, aos 23 anos, seu objetivo era tornar-se uma excelente engenheira e dominar cada vez mais a área técnica.

Em determinado momento, porém, enquanto acompanhava a concretagem de uma laje em um dia de muito calor, surgiu uma pergunta que mudaria sua trajetória profissional: o que precisava estudar para ampliar a própria carreira?

A resposta veio por meio da formação em gestão, liderança e negócios.

Décadas depois, a pergunta continua fazendo sentido.

Para Valéria Gabas, permanecer aprendendo, compreender as transformações das pessoas e do mercado e pensar no impacto que cada projeto deixa para a cidade são elementos fundamentais para construir não apenas uma carreira longeva, mas também um legado.

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Valéria Gabas e José Marques (Foto: Caio Sakamoto)

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