Salários baixos explicam vagas abertas em Campo Grande para metade dos leitores
Enquete mostra que remuneração é apontada como principal obstáculo para contratação
Os salários baixos são, na avaliação de metade dos leitores do Campo Grande News, a principal razão para tantas vagas de emprego continuarem abertas em Campo Grande. Em enquete realizada pelo jornal, 50% dos participantes apontaram a remuneração como o principal fator para a dificuldade de preenchimento dos postos de trabalho.
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A segunda resposta mais escolhida foi a de que muitas pessoas preferem programas públicos de trabalho e renda, opção marcada por 36% dos participantes. Outros 10% atribuíram o problema à falta de qualificação dos candidatos, enquanto 4% disseram que as empresas têm dificuldade para encontrar trabalhadores com o perfil desejado.
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O resultado retrata a percepção dos leitores e aparece em meio a um cenário de forte oferta de empregos na Capital, especialmente no comércio e no atendimento ao público.
Nesta quinta-feira (3), Funsat (Fundação Social do Trabalho) e Funtrab (Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul) somam 1.162 vagas disponíveis em Campo Grande. Desse total, 352 estão concentradas em comércio, vendas e atendimento. Entre as funções com maior número de oportunidades aparecem atendente de lanchonete, operador de caixa, atendente de lojas e mercados, açougueiro e vendedor interno.
Um dado reforça que a qualificação não é necessariamente uma exigência para grande parte das vagas atuais. Das 833 oportunidades anunciadas pela Funsat, 523 não exigem experiência profissional. No segmento de comércio e atendimento, são 226 postos destinados a candidatos sem experiência.
A dificuldade para contratar virou motivo de discussão entre representantes do comércio e a Prefeitura. A CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) estima que existam cerca de 2,5 mil vagas abertas no comércio de Campo Grande e afirma que aproximadamente metade delas não exige experiência ou qualificação prévia, porque as próprias empresas estariam dispostas a treinar os trabalhadores.
A entidade relacionou parte dessa dificuldade à procura pelo Primt (Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho), da Prefeitura. Filas registradas para ingresso no programa chamaram a atenção justamente enquanto empresas afirmavam não conseguir preencher seus postos.
No Primt, os participantes recebem bolsa-auxílio e benefícios, como cesta de alimentos, vale-transporte, alimentação durante as atividades e seguro contra acidentes. Em um grupo específico ligado à Sisep, a bolsa supera R$ 2,4 mil. A CDL argumenta que essas condições podem tornar o programa mais atraente do que parte das vagas disponíveis no mercado privado.
Essa avaliação encontra eco na enquete: mais de um terço dos leitores, 36%, acredita que a preferência por programas públicos de trabalho e renda ajuda a explicar a permanência das vagas abertas.
A Funsat, no entanto, contesta que o Primt seja o principal responsável pela escassez de candidatos. Para o diretor-presidente da fundação, João Henrique Lima Bezerra, existe uma mudança nas prioridades dos trabalhadores, principalmente em relação à jornada.
Segundo ele, empregos que exigem trabalho à noite, aos sábados, domingos e feriados têm perdido atratividade. O comércio representa cerca de 60% das vagas disponibilizadas pela agência municipal, mas parte dos candidatos prefere receber menos para ter mais tempo livre nos fins de semana e feriados.
A avaliação da fundação acrescenta outra variável à discussão que não estava entre as alternativas da enquete: a qualidade de vida. De acordo com João Henrique, além da remuneração, fatores como benefícios, perspectiva de crescimento profissional e horários de trabalho influenciam a capacidade das empresas de contratar e manter funcionários.
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) citados pela Funsat mostram que as empresas comerciais de Mato Grosso do Sul pagaram, em média, R$ 2,9 mil por trabalhador ao mês em 2024, equivalente a 1,8 salário mínimo daquele ano. No varejo, a média ficou em 1,6 salário mínimo.
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