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Direto das Ruas

Sem ter onde morar, família é despejada de terreno desocupado na Vila Romana

Ismael, esposa e filha, de 1 ano, ocuparam lote há aproximadamente uma semana

Por Guilherme Correia | 12/08/2020 12:15
Guarda Civil Metropolitana foi até o local para remover a família (Foto: Direto das Ruas)
Guarda Civil Metropolitana foi até o local para remover a família (Foto: Direto das Ruas)

Depois de ter ocupado terreno vazio no assentamento Vila Romana, próximo ao Bairro Vila Bordon, em Campo Grande, família teve de ser removida por equipes da AMHASF (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários) e GCM (Guarda Civil Metropolitana) nesta manhã (12).

Ao Campo Grande News, O autônomo Ismael de Oliveira, de 21 anos, relata que não tem onde morar e por isso ocupou o terreno que estava desabitado. Ele estava morando "de favor" em zona de risco na Vila Bordon, junto à esposa e filha de 1 ano, mas não conseguiu mais ficar no antigo local.

Ele lamenta que a fiscalização chegou e precisou remover os móveis da casa e desmontar o barraco. "Ontem os rapazes vieram me pedir para sair e eu disse que não tinha onde morar. Hoje eles vieram novamente, com a Guarda, e agora não sei onde para onde ir".

Ismael relata que equipe da AMHASF disse que os levariam para uma escola. "Eles pegaram todo meu material aqui e vão deixar lá, se em 30 dias não for lá buscar, eles vão jogar tudo fora".

Ismael teve de desmontar a estrutura da casa onde estava (Foto: Direto das Ruas)
Ismael teve de desmontar a estrutura da casa onde estava (Foto: Direto das Ruas)

De acordo com o artesão Jackson Almeida, de 35 anos, que é morador da Vila Romana, a família ocupou um lote há uma semana.

Presidente do bairro, Marcos José, de 41 anos, explica que a AMHASF dividiu a área em 116 lotes, sendo que apenas dois estavam desocupados. "Não tinha ninguém aqui há mais de ano e ele foi morar lá, levou família e tudo".

Eles não tinham onde morar, estavam morando de favor em uma área de risco. É uma injustiça, o prefeito devia olhar pelo lado da função social. Ele não tem casa", reclama Marcos.

Procurada, a assessoria da AMHASF esclarece, em nota, que em relação à ocupação irregular no reassentamento Vila Romana, todos os lotes ali estão devidamente regularizados. Os dois lotes remanescentes, objeto da invasão retirada na manhã desta quarta-feira (12), não estão abandonados, mas sim são destinados ao atendimento da margem social via Diretoria de Desenvolvimento Social da Agência.

"Foi utilizado o instrumento do desforço imediato em defesa da posse e a força-tarefa possui autoridade de polícia administrativa para retirar a invasão (Guarda Municipal, Semadur e AMHASF)".

A nota ainda afirma que a família em questão já havia ocupado outra área de maneira irregular e voltou a invadir área pública. Diferente do que foi relatado, os pertences estão aos fundos de um dos lotes regularizados, e a orientação é para que eles busquem atendimento no Cetremi.

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