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Economia

Banco Central corta taxa de juros pela segunda vez consecutiva

Comunicado do Copom cita conflito no Oriente Médio e cenário externo incerto

Por Gustavo Bonotto | 29/04/2026 19:50
Banco Central corta taxa de juros pela segunda vez consecutiva
Cédulas do real. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Banco Central reduziu a taxa básica de juros de 14,75% para 14,5% ao ano nesta quarta-feira (29), em Brasília, ao cortar 0,25 ponto percentual na reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que levou em conta a inflação, o cenário internacional e os riscos sobre os preços.

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O Banco Central reduziu a Selic de 14,75% para 14,5% ao ano nesta quarta-feira (29), em decisão unânime do Copom. É o segundo corte consecutivo após a taxa permanecer em 15% entre junho de 2025 e março de 2026. O comitê adotou tom cauteloso, citando a guerra no Oriente Médio e a inflação acima da meta. O IPCA-15 registrou alta de 4,37% em 12 meses, acima do teto de 4,5% estabelecido pela meta contínua.

A decisão ocorreu por unanimidade e confirmou a expectativa do mercado financeiro. Este foi o segundo corte seguido na Selic, após a taxa permanecer em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, no maior nível em quase 20 anos.

O Copom adotou tom cauteloso ao justificar a medida. Em comunicado, o colegiado afirmou que acompanha os desdobramentos da guerra no Oriente Médio, que elevou os preços de combustíveis e alimentos e aumentou a incerteza sobre o comportamento da inflação.

O texto também apontou que as projeções inflacionárias seguem acima da meta no horizonte relevante da política monetária. O comitê destacou que a falta de clareza sobre a duração do conflito internacional dificulta as estimativas econômicas.

A Selic é o principal instrumento para controlar a inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). A prévia do índice, o IPCA-15, registrou alta de 0,89% em abril. No acumulado de 12 meses, o indicador chegou a 4,37%, acima dos 3,9% verificados em março.

O sistema de meta contínua, adotado em 2025, estabelece objetivo de inflação de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Com isso, o limite superior é de 4,5%.

Nesse modelo, o Banco Central apura a inflação com base no acumulado em 12 meses, atualizado mês a mês. O método substitui a verificação anual e amplia o monitoramento do comportamento dos preços ao longo do tempo.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado em março, o Banco Central elevou a previsão de inflação para 2026 de 3,5% para 3,6%. A estimativa, no entanto, pode sofrer revisão diante da variação do dólar e do cenário externo.

As projeções do mercado financeiro são mais pessimistas. Segundo o boletim Focus, a inflação deve fechar 2026 em 4,86%, acima do teto da meta.

O que é - A taxa básica influencia diretamente o custo do crédito e o nível de atividade econômica. Quando reduz os juros, o Banco Central barateia financiamentos e estimula consumo e investimentos. Em contrapartida, o corte diminui a força do controle inflacionário.

O próprio Banco Central manteve a previsão de crescimento da economia em 1,6% para 2026. Já o mercado projeta expansão de 1,85% do PIB (Produto Interno Bruto).

A Selic também serve de referência para outras taxas de juros e para as negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Mudanças na taxa impactam diretamente empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras.