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Economia

Cliente troca gás por panela elétrica e queda em vendas faz revendedor fechar

Diariamente, consumidor reclama de "roubo" e revendedor amarga queda de quase 50% nas vendas

Por Caroline Maldonado | 26/10/2021 11:37
Com aumento de preço rotineiro, gás começa a ser substituido por outras alternativas para cozinhar. (Foto: Henrique Kawaminami)
Com aumento de preço rotineiro, gás começa a ser substituido por outras alternativas para cozinhar. (Foto: Henrique Kawaminami)

Mesmo sem ter certeza se trocar o fogão a gás por aparelhos elétricos gera economia, tem muita gente fazendo isso. Os relatos chegam aos revendedores de gás da Capital, que ouvem o cliente "chorar as pitangas” e ainda são acusados de “roubo”. Resultado: com o preço do gás chegando a R$ 110, por causa de reajustes da Petrobras, tem empresário fechando as portas e quem resiste, reclama que essa é a pior crise em décadas.

“Está pior do que o período do auge da pandemia, nunca ficou tão péssimo assim. As vendas caíram quase 50%”, avalia a revendedora Augusta Soares Lechuga, da Central Gás Papagaio, no Bairro Amambaí. Ela conta que tem cliente que comprava a cada 40 dias, mas agora reduziu o consumo e compra a cada 60 dias.

“As pessoas estão usando forno e panelas elétricas, esquentando o jantar no micro-ondas. Uma cliente, que comprava três botijões por mês, disse que está comprando menos porque antes fazia eventos, mas agora, não consegue vender convites como antes. Falam que é roubo, que é um absurdo. Muitos são até grosseiros, mas não somos nós que aumentamos o preço. Além do reajuste anual, vieram esses da Petrobras”, explica.

“Falam que estamos roubando e vamos ficar ricos”, conta o empresário Luciano Lavarda, que já está fechando a revenda no Aero Rancho, após oito anos no ramo. De 32 depósitos da região, oito já fecharam no último ano, nas contas dele.

Panela elétrica, muito usada para preparo de arroz. (Foto: Direto da Ruas)
Panela elétrica, muito usada para preparo de arroz. (Foto: Direto da Ruas)

Para não restar dúvidas, Luciano explica os custos, indignado com tanta reclamação por parte da clientela. Além dos reajustes, ainda tem a concorrência que trabalha na informalidade e faz preços menores. Quem quer economizar, compra mais barato, além de reduzir o consumo, o que quebra de vez algumas revendedoras.

“Hoje, a gente paga R$ 87 no gás de cozinha. Tenho salário de motoentregador, que é R$ 1.350; imposto sobre o gás, que é 2,75%, imposto sobre o funcionário, dos veículos e ainda os custos com contador. O custo é gigante. Ainda tem taxa de maquininha de cartão. Eu vi que já não estou mais ganhando dinheiro com isso”.

Segundo Luciano, na revenda, que já baixou as portas, era frequente os clientes contarem que faziam de tudo para economizar. "Não sei se realmente economizam, porque a energia é cara também, mas muitas pessoas falavam que estavam preferindo usar panelas elétricas", conta.

Os comentários de queda no consumo, que chegam aos revendedores, refletem em resultado de enquete do Campo Grande News. Ontem (25), 60% afirmaram que estão reduzindo, de alguma forma, o uso do botijão. Em Costa Rica, a leitora Augusta Cordeiro afirma que o preço chega a R$ 115.

Foi de 7,2% o último aumento da Petrobras sobre os preços da gasolina e gás de cozinha, no dia 9 deste mês. Os reajustes têm sido quase mês a mês. Conforme a Petrobras, a alta reflete as movimentações da cotação internacional do petróleo, utilizado como insumo na produção do produto, além do câmbio.

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