Com dívida de R$ 65 bi e 1 unidade em MS, Raízen pede recuperação judicial
Grupo colocou duas unidades de Rio Brilhante à venda em 2025 e hoje opera planta em Caarapó
RESUMO
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A Raízen, que possui uma unidade em Caarapó (MS), protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 65,1 bilhões. A empresa busca reorganizar sua estrutura financeira, afetada pelo aumento do custo do endividamento e margens menores no setor sucroenergético. O plano envolve nove empresas do grupo e prevê a conversão de R$ 16 bilhões em participação acionária. A Shell planeja investir R$ 3,5 bilhões, enquanto a holding Aguassanta considera um aporte de R$ 500 milhões. A empresa garante que as operações seguirão normalmente.
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A Raízen protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas. O grupo mantém presença em Mato Grosso do Sul com uma única unidade industrial, localizada em Caarapó, após ter vendido duas usinas no Estado no ano passado.
Em 2025, a companhia anunciou a venda das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo, instaladas em Rio Brilhante, para a Cocal Agroindústria, em transação estimada em R$ 1,543 bilhão, o que incluiu também áreas de cana cultivadas pela empresa e contratos com fornecedores ligados às duas unidades.
Em 2021, o grupo havia adquirido três usinas da Biosev em Mato Grosso do Sul e chegou a ter 4,3 mil empregados e 149 mil hectares de cana plantados no Estado, com produção de 508 mil toneladas de açúcar, 398 mil litros de etanol por safra e moagem de mais de 10 milhões de toneladas.
É um recorde em pedido de recuperação judicial no Brasil. O ranking das maiores até agora era encabeçado pelo Grupo InterCement, que entrou com o pedido em setembro de 2024 para renegociar um endividamento estimado em R$ 21,9 bilhões.
O pedido de recuperação extrajudicial foi apresentado à Justiça de São Paulo nesta quarta-feira (11). O objetivo é criar condições jurídicas para renegociar parte das obrigações financeiras do grupo com credores e reorganizar sua estrutura de capital.
Segundo documentos do plano de reestruturação, a situação financeira da empresa foi pressionada por uma combinação de fatores macroeconômicos e setoriais. Entre eles estão ciclos recentes de menor produtividade agrícola, redução das margens no setor sucroenergético e aumento do custo do endividamento.
O plano também cita o impacto da alta da taxa básica de juros no país. De acordo com o documento, a Selic passou de cerca de 2% ao ano em 2020 para aproximadamente 15% em 2026, o que elevou o custo financeiro das empresas do grupo.
A recuperação extrajudicial envolve nove empresas da estrutura corporativa da Raízen, incluindo subsidiárias ligadas à produção de açúcar e etanol e à comercialização de combustíveis no Brasil e no exterior. Entre elas está a Raízen Caarapó Açúcar e Álcool, responsável pela unidade industrial no sul de Mato Grosso do Sul.
A companhia informou que o plano já conta com adesão de credores que representam mais de 47% das dívidas financeiras sem garantia. Pela legislação, a empresa terá prazo de até 90 dias para obter o apoio mínimo necessário para homologação do acordo pela Justiça.
O passivo financeiro consolidado soma cerca de R$ 65,14 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 22 bilhões estão denominados em reais, enquanto cerca de US$ 7,68 bilhões estão em dólares e 506 milhões de euros em moeda europeia.
Como parte das negociações, credores discutem a possibilidade de converter cerca de R$ 16 bilhões da dívida em participação acionária. O plano também prevê aporte de capital pelos controladores da empresa.
Segundo informações divulgadas pela companhia, a Shell pode investir cerca de R$ 3,5 bilhões, enquanto a holding Aguassanta, ligada ao empresário Rubens Ometto, avalia contribuição adicional de aproximadamente R$ 500 milhões.
Em comunicado ao mercado, a Raízen informou que a recuperação extrajudicial tem escopo exclusivamente financeiro e não envolve dívidas ou obrigações operacionais. As atividades da empresa, incluindo relações com clientes, fornecedores e revendedores, continuam sendo conduzidas normalmente.


