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Campo Grande, Segunda-feira, 26 de Agosto de 2019

17/06/2019 13:29

Convênio com Argentina pode reduzir inflação e preço de importados em MS

Parceria pretende criar rota alternativa para exportação e importação de produtos pela Hidrovia Paraguai-Paraná

Jones Mário
Utilização do Porto de Ibicuy pode ajudar a diminuir o preço de produtos importados no Estado (Foto: Divulgação/ACICG)Utilização do Porto de Ibicuy pode ajudar a diminuir o preço de produtos importados no Estado (Foto: Divulgação/ACICG)

Convênio entre a ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande) e o Porto de Ibicuy, na Argentina, pretende criar alternativa logística para exportação e importação de produtos pela Hidrovia Paraguai-Paraná. A projeção é que o atalho impacte na queda da inflação, diminuição do preço de produtos importados e aumento na arrecadação do governo estadual.

O convênio prevê a operação do porto argentino para mercadorias originárias da região Centro-Oeste, bem como a cessão de uma área no local para armazenagem exclusiva de produtos direcionados pela ACICG. O caminho inverso também poderá ser utilizado.

O economista-chefe da ACICG, Normann Kalmus, aponta que a viabilização da nova rota vai refletir no bolso do sul-mato-grossense. “Ele vai sentir os efeitos disso em todas as ações. Uma das coisas vai ser a queda na nossa inflação, porque a gente não vai ter a necessidade de trazer os produtos importados de São Paulo ou do Paraná. Vamos trazer por aqui. Essa alternativa vai gerar um efeito positivo em toda a cadeia, vai ser sentida por toda a população”.

Hoje, o processo de nacionalização dos produtos importados é feito, em maioria, por São Paulo e Paraná, que têm zonas portuárias estabelecidas. Assim, a arrecadação com impostos fica nestes estados. Com a parceria argentina e a criação de um centro de distribuição em Campo Grande, Mato Grosso do Sul passaria a recolher as taxas sobre os itens de fora do País. As despesas com o frete para trazer os produtos também seriam minimizadas.

“Só alguns produtos que a gente sabe que têm uma demanda forte no Brasil, certamente ultrapassa 20% do que o Estado hoje tem de arrecadação. Por exemplo, o salmão, que vem do Chile e é nacionalizado em São Paulo para depois vir para Mato Grosso do Sul, poderá vir pela hidrovia. Até automóveis poderão chegar pela hidrovia. Os estudos de que dispomos indicam reduções de custos logísticos superiores a 50%”, explica Kalmus. Com a despesa para importação mais baixa e o processo de nacionalização feito pelo Estado, os produtos chegarão mais baratos ao consumidor.

Caminho – A alternativa pela Hidrovia Paraguai-Paraná pode resolver entraves para o produtor que hoje utiliza os portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), como congestionamentos e filas de espera para descarregar os caminhões, além dos custos do frete para escoar a produção por pelo menos mil quilômetros de rodovia.

No modelo defendido pelo convênio com a Argentina, a mesma mercadoria segue por caminhão ou trem até Corumbá/Ladário, é descarregada e embarcada em comboios de barcaças até o Porto de Ibicuy, de onde é transferida diretamente para navios. O caminho evita o desembarque em outro país, o que mantém o certificado de origem.

“Grãos são produtos óbvios que vão se valer dessa nova rota. Soja, milho. Além de açúcar, carne. Isso no frete de descida do Brasil para Argentina, mas os produtores argentinos também têm muito interesse. Rosário, por exemplo, tem uma produção de equipamentos agrícolas de alta qualidade que interessa a Mato Grosso do Sul, além de sorgo, frutas, cevada”, exemplifica Normann Kalmus.

Segundo o economista, o convênio ainda abre a possibilidade de integrar as empresas do Estado à produção argentina. Uma ideia é ligar a produção sul-mato-grossense de couro às indústrias de calçado do país vizinho.

Porto de Ibicuy já foi utilizado pela Vale, mas ficou desativado por oito anos (Foto: Divulgação/ACICG)Porto de Ibicuy já foi utilizado pela Vale, mas ficou desativado por oito anos (Foto: Divulgação/ACICG)

Reativação - O Porto de Ibicuy já foi utilizado pela Vale, mas estava paralisado há pelo menos 8 anos. Após ter parte das instalações destruídas, o local passou por uma reconstrução e foi reativado recentemente.

A parceria com Mato Grosso do Sul contou com o empurrão do presidente Mauricio Macri, que promove a liberalização da economia argentina. Segundo a ACICG, essas operações eram inviáveis durante o governo anterior, de Cristina Kirchner, que pregava protecionismo maior.

A associação discute onde será feita a assinatura do convênio. A intenção é trazer as autoridades argentinas para o Brasil e promover aproximação com os empresários locais.

A ACICG já estabeleceu convênio internacional no ano passado, com o Porto de Barranqueras, também na Argentina. Porém, a viabilidade do comércio depende da oferta de produtos da região ou de conexão com a ferrovia que liga a província de Salta, na Argentina, a Antofagasta, no Chile.

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