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Economia

Critérios do governo para definir o que pode abrir são questionados por comércio

Câmara de lojistas da Capital oficiou administração estadual sobre classificação das atividades por faixa de risco à covid-19

Por Jones Mário | 28/07/2020 12:08
Cenário na Rua 14 de Julho, principal do comércio no Centro de Campo Grande (Foto: Kísie Ainoã)
Cenário na Rua 14 de Julho, principal do comércio no Centro de Campo Grande (Foto: Kísie Ainoã)

A classificação pelo governo estadual das atividades econômicas por faixa de risco durante a pandemia de novo coronavírus é questionada pelo comércio de Campo Grande. A CDL-CG (Câmara de Dirigentes Lojistas) oficiou o Executivo assim que a relação foi publicada, na quinta-feira passada (23), quando shoppings e feiras livres foram tachados como não recomendados, ou seja, só deveriam funcionar em municípios sob bandeira verde pelo Prosseguir (Programa de Saúde e Segurança na Economia).

A lista foi corrigida e republicada no dia seguinte, com as duas atividades agora enquadradas como serviços essenciais de médio risco. A reclassificação permite o funcionamento de shoppings e feiras em locais sob bandeira laranja, de risco moderado para a covid-19.

Ainda assim, os quatro centros de compras da Capital - Bosque dos Ipês, Campo Grande, Norte Sul Plaza e Pátio Central - se reuniram com o integrante do comitê gestor do Prosseguir e titular da Semagro (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Jaime Verruck, ontem. Representantes dos shoppings entregaram ao secretário os mesmos planos de biossegurança apresentados e aprovados pela prefeitura na época da reabertura, em abril.

Fiscalização da prefeitura trabalha em shopping de Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Fiscalização da prefeitura trabalha em shopping de Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Entre as ações de prevenção descritas nos documentos estão medição de temperatura, uso obrigatório de máscaras e fechamento da loja com funcionário positivo para covid-19.

Por sua vez, a CDL-CG divulgou que pediu ao governo estadual os critérios usados para classificação das atividades por faixa de risco. O presidente da entidade, Adelaido Vila, confirmou não ter recebido resposta ainda.

Comércio varejista e atacadista, bem como bares, restaurantes e conveniências, foram rotulados como atividades de médio risco.

Critérios - A administração estadual respondeu à reportagem que, primeiro, o comitê do Prosseguir adotou parâmetros como possibilidade de aglomeração, interação (rede de relacionamento) e relação de contato entre as pessoas para separar os serviços em essenciais, não essenciais e não recomendados.

Depois, segmentou as atividades não essenciais por grau de risco - alto, médio ou baixo -, com base nos mesmos critérios e no impacto econômico das medidas ao setor de cada serviço.

O comitê reforçou que as atividades essenciais podem operar sob qualquer bandeira, e que as não recomendadas apenas nos municípios da faixa verde - hoje, nenhum.

A lei federal de greve serviu para nortear o governo na definição do que é essencial. Entre as atividades alinhadas nas duas normas estão assistência à saúde, telecomunicações, coleta de lixo, comércio de alimentos e bebidas e serviços funerários.

A classificação da administração estadual incluiu também atividades que não estão sobre o lastro jurídico da lei de greve, como indústrias frigoríficas, de papel e celulose, usinas de álcool e açúcar e a agropecuária - motores da economia local.

Representantes do comércio e do setor de serviços temem que a classificação divulgada pelo Prosseguir seja adotada em eventual lockdown caso o cenário da pandemia no Estado se agrave ainda mais.

Em Campo Grande, a ocupação de leitos públicos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) já ultrapassou 95% e estudo da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) aponta colapso na rede hospitalar da cidade no próximo mês.

A Capital chegou aos 8.881 casos confirmados de novo coronavírus - praticamente 1% de sua população -, com 106 mortes.

"Remédio amargo" - Segundo Adelaido Vila, das 96 mil empresas de Campo Grande, só 3 mil conseguiram crédito via Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), linha de financiamento para socorrer empresários durante a pandemia.

“A única medida defendida é o fechamento. Já tivemos tempo para aumentar o número de leitos. Restaurantes e bares estão operando com restrições há quase 30 dias. É um remédio amargo demais”, lamenta.

A Capital e mais cinco municípios já estão na bandeira preta do programa Prosseguir, quando a recomendação é de manter em funcionamento somente as atividades essenciais.

Mato Grosso do Sul tem ainda 59 municípios na zona vermelha, em que apenas essenciais e serviços de baixo risco deveriam operar. Outras 14 cidades estão na faixa laranja e devem permitir abertura das atividades essenciais, de baixo e de médio risco para o novo coronavírus.

O governo deve atualizar os mapas do Prosseguir nesta semana.