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Economia

Empresa de Goiás fará duto até MS para escoar biocombustível

Ibama fez acordo com órgão do estado vizinho para cuidar do licenciamento dos 37,5 km de etanolduto

Por Maristela Brunetto | 24/08/2026 12:15
Empresa de Goiás fará duto até MS para escoar biocombustível
Trecho da Ferronorte na área rural de Chapadão do Sul; empresas criam meios para acessar trilhos e transportar produtos (Foto: Reprodução Nos Trilhos)

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) firmou acordo com a Secretaria de Meio Ambiente de Goiás para que o órgão estadual conduza os procedimentos de licenciamento de um etanolduto de 37,5 quilômetros entre Chapadão do Céu e Chapadão do Sul. A estrutura atenderá a Cerradinho Logística Ltda., responsável pelo transporte do etanol produzido pelo grupo no estado vizinho.

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O Ibama firmou acordo com a Secretaria de Meio Ambiente de Goiás para licenciar um etanolduto de 37,5 quilômetros entre Chapadão do Céu (GO) e Chapadão do Sul (MS), destinado à Cerradinho Logística. A estrutura substituirá o transporte rodoviário atual, reduzindo custos e a circulação de caminhões. O etanol seguirá pela Ferronorte, operada pela Rumo, até Paulínia (SP).

Hoje, caminhões levam o combustível até a cidade sul-mato-grossense, onde a empresa mantém um terminal para embarque nos trens da Ferronorte rumo a São Paulo. Não é a primeira grande empresa a buscar alternativas para usar o transporte ferroviário no único trecho ativo da região.

Depois da publicação, hoje, do acordo de cooperação no Diário Oficial da União, o órgão goiano terá a tarefa de analisar os impactos ambientais do empreendimento, exigir estudos, emitir licenças e acompanhar o projeto.

Atualmente, a ligação ocorre principalmente por rodovia. A própria Cerradinho informa que o etanol produzido em Chapadão do Céu percorre cerca de 40 a 44 quilômetros por caminhão até o terminal de Chapadão do Sul. De lá, o combustível é transferido para vagões e segue pela ferrovia, atualmente operada pela Rumo S.A., em direção a Paulínia (SP), um dos principais polos brasileiros de distribuição de combustíveis.

A Cerradinho Bioenergia aparece como uma das primeiras empresas a apostar no potencial do milho para a produção de combustível e se tornou a terceira maior produtora nacional de etanol a partir do cereal. Além da produção em Chapadão do Céu, mantém uma unidade em Maracaju.

Com a ativação, o etanolduto substituiria, ao menos em parte, esse primeiro trecho rodoviário, com o bombeamento direto entre as duas instalações, o que reduziria a circulação de caminhões, as operações de carga e descarga e os custos logísticos.

A companhia informa atualmente capacidade de moagem de 6,1 milhões de toneladas de cana por safra e produção potencial de cerca de 515 mil m³ de etanol somente na operação ligada à cana. No mesmo complexo funciona a unidade de etanol de milho da Neomille, também pertencente ao grupo, segundo informações extraídas do site da empresa.

O trecho da Ferronorte em Mato Grosso do Sul passa por Aparecida do Taboado, onde fica a ponte sobre o Rio Paraná, segue pelas regiões de Inocência e Cassilândia até Chapadão do Sul e, depois, entra em Mato Grosso, passando por Alto Taquari e chegando a Rondonópolis.

Em Chapadão do Sul também há um terminal de embarque de grãos. A Ferronorte acabou se tornando uma aposta de empresas de grande porte que precisam enviar produtos para distribuição ou exportação pelo Porto de Santos, enquanto a retomada da Malha Oeste, que atravessa Mato Grosso do Sul, segue como promessa. A Rumo detém a concessão das duas.

As gigantes da celulose também buscam soluções para escoar a produção. A Suzano, em Ribas do Rio Pardo, cogitou criar um ramal ferroviário desde a fábrica até Inocência, mas desistiu e envia a celulose em caminhões até o terminal que construiu para conexão com os trilhos da Ferronorte.

A Arauco, que constrói uma fábrica na região de Inocência, está implantando o próprio ramal. As outras duas fábricas, Eldorado e Suzano, instaladas em Três Lagoas, também deverão contar com um ramal ferroviário, nesse caso até Aparecida do Taboado.

Os trilhos em MS

A ferrovia chega a Mato Grosso do Sul pela Ponte Rodoferroviária Rollemberg-Vuolo, sobre o Rio Paraná, que liga Rubinéia (SP) a Aparecida do Taboado (MS). A ponte tem aproximadamente 3,7 quilômetros e possui dois níveis, um para veículos e outro para os trens.

De Aparecida do Taboado, os trilhos passam pelas regiões de Inocência e Cassilândia, seguem até Chapadão do Sul e depois chegam a Alto Taquari, já em Mato Grosso. De lá, integram o corredor ferroviário que chega a Rondonópolis.

Na região norte do Estado, já na divisa com Mato Grosso, o Governo tem feito obras rodoviárias para também facilitar a produtores de grãos o acesso à Ferronorte. Foi licitado trecho na região de Pedro Gomes e contratado projeto para depois ser licitada a pavimentação na região de Sonora.