Fila de recadastramento na Emha reúne histórias de até 24 anos à espera de casa
Mais de 51 mil pessoas foram convocadas pela EMHA para atualizar cadastro habitacional a partir de hoje
A fila para atualizar o cadastro habitacional em Campo Grande reuniu nesta segunda-feira (24) moradores que carregam há anos, e até décadas, a esperança de conseguir a casa própria. Entre eles está a aposentada Maria Nunes, de 68 anos, que afirma estar inscrita desde 2002 e, 24 anos depois, ainda aguarda ser contemplada.
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Moradores de Campo Grande enfrentam longas filas para atualizar o cadastro habitacional da EMHA, alguns aguardando há décadas pela casa própria. A atualização, que segue até 4 de setembro, convocou mais de 52 mil pessoas. A agência prevê atender entre 300 e 400 pessoas por dia, e quem ainda não tem cadastro também pode se inscrever. As informações coletadas ajudarão a traçar o perfil da demanda habitacional da capital.
“Tem que ter”, respondeu Maria ao ser questionada se havia perdido a esperança. Atualmente, ela mora de aluguel e tem um filho de 46 anos com deficiência. Para a aposentada, deixar de pagar aluguel faria diferença no orçamento da família. “Não é barato, né? E a gente não ganha grande coisa. Mas estou indo.”
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Se finalmente conseguir a casa própria, Maria já sabe o que representará. “Ah, felicidade, né? Não pagar aluguel, pagar o que é da gente, né? É muito bom.”
A movimentação ocorre durante a atualização do cadastro da Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários) que segue até 4 de setembro. Segundo Giovane Silvério, gerente de atendimento, mais de 51 mil pessoas foram convocadas para revalidar os dados pessoais.
Até as 11h50 desta segunda-feira, cerca de 100 atendimentos haviam sido realizados. A expectativa da agência é atender entre 300 e 400 pessoas por dia. As senhas são distribuídas até as 18h, mas a atualização também pode ser feita pela internet.

Outra moradora que enfrenta uma longa espera é Mirian Padinho, de 40 anos. Dona de casa, ela afirma estar cadastrada há 15 anos e atualmente morar em uma comunidade. Mesmo depois de todo esse tempo, diz que continua esperando.
“Não perdi as esperanças ainda. Moro em comunidade, então não tem que escolher, o que sair será bem-vindo”, afirmou.
A aposentada Vilma Almiro, de 68 anos, também foi atualizar os dados. Ela calcula que esteja esperando há mais de cinco anos. Tanto ela quanto o marido estão inscritos na tentativa de conseguir uma moradia. “Pra ver quem sai primeiro e a gente espera sair, né? Porque a gente depende de aluguel”, contou.
Vilma também relata que as despesas pesam no orçamento. Ela sofreu um infarto e afirma gastar com medicamentos, além de precisar pagar o aluguel. “A gente tendo a casinha da gente, fica mais sossegado, né? E eu espero e tenho fé que vai sair.”
Espera também pesa na rotina
Para quem trabalha, enfrentar a movimentação para atualizar o cadastro exige ainda conciliar a espera com o expediente. A auxiliar de cozinha Michele dos Santos, de 40 anos, chegou por volta das 9h e recebeu a senha 85. Ela precisou conversar com o patrão para conseguir permanecer no local até ser atendida.
“Eu vim de manhã cedo, umas 9 horas. Daí subi ali em cima pra falar com meu patrão, pra poder voltar aqui, pra esperar essa chamada”, relatou. Segundo Michele, o patrão autorizou que ela permanecesse no atendimento.
Ela mora de aluguel com o único filho, de 11 anos, e diz estar ansiosa com a possibilidade de conseguir uma moradia.
Atualização ajuda a traçar perfil
Segundo Giovane Silvério, a convocação de mais de 52 mil pessoas tem como objetivo atualizar informações pessoais e permitir que a EMHA tenha um retrato mais confiável de quem procura moradia em Campo Grande. “A gente consegue gerar um diagnóstico confiável”, explicou.
O gerente afirma que a maior parcela do público atualmente cadastrado pertence à Faixa 1, formada, segundo ele, por famílias com renda bruta de até R$ 3,2 mil.
Durante o período de atualização, quem ainda não possui cadastro também pode se cadastrar. A inscrição na base geral é utilizada nos processos de seleção habitacional lançados pelo município, conforme as regras estabelecidas em cada edital.
Silvério esclareceu ainda que a falta de atualização neste momento não impede automaticamente uma pessoa de participar de uma futura seleção. Caso um edital seja aberto, será possível realizar o cadastro junto com a inscrição naquele processo específico.
A atualização antecipada, porém, permite à agência conhecer melhor a demanda existente, identificar o perfil das famílias e dimensionar o déficit habitacional da Capital. Segundo o gerente, essas informações também servem de base para a elaboração de futuros processos de seleção.




