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Economia

Inflação e remédios caros roubam qualidade de vida de aposentados e pensionistas

Nos últimos 12 meses, o IPCA acumulou alta de 12,06% em Campo Grande

Por Izabela Cavalcanti e Karine Alencar | 05/08/2022 15:48
Idosos passando por farmácia, na Rua 14 de Julho, no centro de Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami)
Idosos passando por farmácia, na Rua 14 de Julho, no centro de Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami)

Cada vez mais, o aumento da inflação tem afetado a qualidade de vida das pessoas, principalmente de idosos, que dependem de remédios caríssimos para sobreviver e acabam comprometendo parte da renda.

Em abril, o Governo Federal autorizou aumento de até 10,89% no preço dos medicamentos. Com isso, já em maio foi possível sentir o reflexo, que contribuiu para a alta da inflação em Campo Grande.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a aceleração do grupo Saúde e Cuidados Pessoais foi impactado com aumento de 1,04%.

Nos últimos 12 meses, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou alta de 12,06%.

Silma Verícimo de Barros, de 58 anos, é pensionista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) há sete anos. Ela conta que recebe entorno de R$ 2 mil e gasta metade com compra de remédios.

A viúva mora sozinha em uma casa no bairro Arnaldo Figueiredo e precisa dar conta de tudo. Ou seja, dos R$ 1 mil que sobram para sobreviver, ela precisa se desdobrar para comprar comida e pagar as outras contas do dia a dia.

“Vivo apertada. Eu gasto mais com remédio, do que com comida. Eu acho péssimo viver assim. As vezes tenho que escolher qual remédio comprar. Não está fácil.  Eu não posso fazer nada, não posso caminhar, vivo nessa vida. Ainda tem água, luz, compra para pagar”, lamenta.

Além de diabetes e pressão alta, Silma convive com problema na coluna, que dificulta a forma de andar.

“Fiz quatro cirurgias na coluna, uma na cervical e três na lombar, causado por hérnia de disco e outras coisas. Tenho até placa de titânio, pino”, conta.

Silma gasta R$ 500 em remédios em um dia (Foto: Marcos Maluf)
Silma gasta R$ 500 em remédios em um dia (Foto: Marcos Maluf)

Somente ontem (4), a pensionista havia ido à farmácia e desembolsado R$ 500 para comprar mais de dez tipos de remédios para diabetes, dor, tireoide, coluna e pressão.

Aposentado há cinco anos, Laurindo Miguel, vive o mesmo dilema. O valor recebido por mês é de R$ 1.212. Desse valor, é retirado R$ 500 para comprar remédio de pressão, diabetes e tratar problema pulmonar.

“Eu não como o que desejo, tenho que escolher o que comprar. Isso tira a qualidade de vida, a paz”, disse Laurindo.

Viúvo, o aposentado mora no bairro Tiradentes, com a filha, o genro e duas netas. “A gente não usufrui com o que quer. Esse dinheiro só é para comida e remédio. No fim, não sobra nada. Fico muito apertado.”

Outro caso é da Josefa Tereza, de 70 anos, que é pensionista há dez anos e recebe R$ 2,8 mil.

Ela conta que devido aos gastos, o dinheiro que sobra mal dá para conseguir comer. Cada ia à farmácia é gasto entre R$ 50 e R$ 100, chegando a, aproximadamente, R$ 500 por mês.

“Eu passo fome às vezes, tem um amigo da nossa família que leva em casa ovo, osso para fazer sopa. Só de água é cobrado 300, 400 no mês. É um roubo. Já trabalhamos tanto nessa vida e não recebe um salário decente. Minha situação é muito difícil”, pontua.

Os medicamentos são para tratar sinusite e outros problemas, que ela preferiu não comentar.

“Eu gasto muito com remédio e com exame também. Os médicos do SUS não dão conta de atender a gente, e pelos problemas de saúde, acaba tendo que ser particular”, conta.

Lásaro Marques Borges, de 82 anos, precisou ir em busca de outras rendas para conseguir sobreviver. Da aposentadoria no valor de R$ 1.212, R$ 300 é retirado somente para a compra de medicamentos. "Eu tenho renda de aluguel para me ajudar, com certeza só com o dinheiro da pensão eu não daria conta", disse.

"É triste, é lamentável quem precisa usar o dinheiro para isso", completa.

Realidade - De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) para uma pessoa conseguir sobreviver, com qualidade de vida, o salário necessário é de R$ 6.388,55. Ou seja, 427,10% a mais do salário mínimo vigente, de R$ 1.212.

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