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Economia

Justiça decreta falência da Oi, empresa que sucedeu Brasil Telecom em MS

Decisão desta terça encerra tentativa de recuperação da companhia, que incorporou operação da antiga Telems

Por Ângela Kempfer | 25/08/2026 15:08
Justiça decreta falência da Oi, empresa que sucedeu Brasil Telecom em MS
Sede administrativa da OI, no Rio de Janeiro (Foto: Divulgação)

A Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta terça-feira (25) a falência da Oi, uma das maiores empresas de telecomunicações do País e dona de uma operação que faz parte da história da telefonia em Mato Grosso do Sul. No Estado, a trajetória que chegou à companhia passou pela antiga Telems e pela Brasil Telecom.

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A Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência da Oi nesta terça-feira (25). A empresa acumula dívidas superiores a R$ 44 bilhões, patrimônio líquido negativo de R$ 22,6 bilhões e mais de 164 mil credores, entre eles 8.327 trabalhadores com R$ 1,03 bilhão a receber. Em Mato Grosso do Sul, a operadora sucedeu a Telems e a Brasil Telecom. A companhia já havia passado por duas recuperações judiciais, em 2016 e 2023.

A decisão foi tomada pela Primeira Câmara de Direito Privado do TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro). A Oi já havia tido a falência decretada em novembro do ano passado, mas a medida acabou suspensa depois de recursos apresentados por bancos, fazendo com que a companhia retornasse ao segundo processo de recuperação judicial.

Agora, o tribunal voltou a decretar a quebra da empresa em meio ao agravamento de uma crise financeira que se arrasta há mais de uma década. O advogado Bruno Rezende foi nomeado administrador judicial.

A Oi chega à falência com dívida estimada em mais de R$ 44 bilhões e patrimônio líquido negativo superior a R$ 22,6 bilhões, conforme dados apresentados à Justiça. A companhia também acumula mais de 164 mil credores.

Entre eles estão 8.327 trabalhadores, que têm aproximadamente R$ 1,03 bilhão a receber. Há ainda 4.418 microempresas, com créditos que somam R$ 106,14 milhões, além de bancos, fornecedores, fundos e detentores de títulos.

Durante o julgamento, a desembargadora Mônica Maria Costa Di Piero determinou que os pagamentos aos credores respeitem a ordem estabelecida pela legislação.

O desembargador Augusto Alves Moreira Júnior manifestou preocupação específica com os créditos trabalhistas. Segundo ele, ainda não existe um quadro geral de credores consolidado e as discussões sobre prioridades deverão ocorrer no processo de falência.

A situação financeira da Oi se deteriorou nos últimos meses. A empresa não conseguiu vender seus últimos principais ativos e passou a enfrentar dificuldades para manter pagamentos considerados essenciais à operação.

Em documento encaminhado à Justiça, a administração judicial chegou a informar que os recursos disponíveis poderiam se esgotar até o fim de agosto. Fornecedores também suspenderam serviços diante de pagamentos atrasados.

Na semana passada, a companhia acertou ainda a demissão de 60% de seus funcionários, com parcelamento das verbas rescisórias em dez prestações após acordo com sindicatos. Antes dos cortes, o grupo tinha cerca de 2 mil trabalhadores.

De Telems a Oi em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, a quebra da Oi também representa um novo capítulo de uma história empresarial que acompanha décadas de transformação das telecomunicações.

Antes da Oi, parte dessa trajetória estava ligada à Telems (Telecomunicações de Mato Grosso do Sul), estatal responsável pelos serviços de telecomunicações no Estado. A empresa surgiu após a separação das estruturas que atendiam Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Com a privatização do Sistema Telebrás, no fim da década de 1990, a operação de telefonia fixa no Estado passou para o grupo que posteriormente adotou a marca Brasil Telecom.

Foi a Brasil Telecom que durante anos estampou contas telefônicas, lojas e serviços utilizados pelos sul-mato-grossenses.

A mudança seguinte ocorreu com a compra da Brasil Telecom pela Oi, dentro do projeto de criação de uma grande operadora nacional. A operação, anunciada em 2008, foi uma das principais peças da estratégia que ficou conhecida como criação da “supertele”.

Assim, para os consumidores de Mato Grosso do Sul, a sequência histórica foi marcada pelas marcas Telems, Brasil Telecom e Oi, embora as mudanças tenham ocorrido por processos distintos de privatização, reorganização societária e aquisição.

O projeto de transformar a Oi em uma grande companhia brasileira capaz de competir internacionalmente, porém, não conseguiu impedir o crescimento do endividamento.

Em 2016, a empresa entrou em sua primeira recuperação judicial. O processo foi encerrado em 2022, mas, apenas alguns meses depois, a companhia voltou a enfrentar dificuldades e entrou novamente em recuperação judicial, em 2023.

A partir daí, a Oi vendeu ativos e reduziu drasticamente sua estrutura na tentativa de pagar dívidas e continuar funcionando. A estratégia não foi suficiente.