Lula destaca retomada da indústria naval como símbolo da reindustrialização
Presidente afirma que recuperação do setor devolve empregos, tecnologia e capacidade produtiva ao país

A recuperação da indústria naval brasileira foi apontada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como um dos principais exemplos da política de reindustrialização do país durante visita às obras da UFN3 (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III), em Três Lagoas, nesta quinta-feira (25). Segundo ele, a retomada das encomendas da Petrobras permitiu reaquecer o setor, recuperar empregos e reconstruir uma cadeia produtiva que havia sido desmontada nos últimos anos.
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Lula afirmou em Três Lagoas que a retomada das encomendas da Petrobras reindustrializou o setor naval, elevando o emprego de 22 mil para 75 mil trabalhadores em pouco mais de três anos. Ele criticou a compra de navios no exterior, defendeu a indústria nacional e acompanhou a assinatura de contratos para retomar as obras da UFN3, voltada à produção de fertilizantes e à redução da dependência de importações.
Lula afirmou que, ao deixar a Presidência, a indústria naval empregava cerca de 80 mil trabalhadores. Depois, segundo ele, esse contingente caiu para aproximadamente 22 mil em razão da redução das encomendas e da paralisação de investimentos. Agora, afirmou, o setor voltou a crescer.
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"Em pouco mais de três anos, saímos de 22 mil e já chegamos a 75 mil trabalhadores na indústria naval brasileira. Essa é a diferença em pensar no desenvolvimento e no futuro do país", disse, ao parabenizar a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, pela política de investimentos da estatal.
O presidente criticou a opção adotada nos últimos anos de adquirir embarcações no exterior, afirmando que essa estratégia comprometeu a capacidade industrial do país.
"Quebraram a indústria naval brasileira porque disseram que comprar navios fora era mais barato. Mas isso não gera emprego aqui", afirmou.
Segundo Lula, o desmonte provocou também a perda de profissionais altamente qualificados. "Quando resolvemos recuperar a indústria, não tínhamos mais engenheiros navais, engenheiros ferroviários nem soldadores preparados para trabalhar em casco de navio. É uma qualificação muito específica", declarou.
Ao abordar a formação de mão de obra, Lula destacou o crescimento da participação feminina nas atividades industriais. Citou como exemplo escolas de qualificação no Amazonas, onde, segundo ele, mulheres já atuam na soldagem de estruturas navais.
"Hoje vou a muitas escolas e vejo mulheres trabalhando como soldadoras. No Amazonas encontrei mais de 50 soldadoras, e me disseram que elas produzem cerca de 25% mais do que os homens", afirmou.
A defesa da indústria naval foi inserida pelo presidente no contexto da estratégia de fortalecimento da indústria nacional. Para Lula, investimentos da Petrobras em plataformas, embarcações, fertilizantes e outros segmentos geram efeitos em cadeia, estimulando a produção nacional, a inovação tecnológica e a geração de empregos qualificados.
A retomada de investimentos no setor também favoreceu empresas privadas e repercutiu aqui no Estado. A LHG Mining recebeu financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) em 2024 de R$ 3,7 bilhões do FMM (Fundo de Marinha Mercante) para ampliar a estrutura de navegação e ampliar uso de barcaças para escoar minério de ferro extraído na região de Corumbá.
Durante o evento em Três Lagoas, o presidente também defendeu o papel da Petrobras como indutora do desenvolvimento industrial e acompanhou a formalização dos contratos com as sete empresas responsáveis pela retomada das obras da UFN3. A unidade integra a estratégia do governo de ampliar a produção nacional de fertilizantes e reduzir a dependência das importações de um insumo considerado estratégico para o agronegócio brasileiro.

