MS soma R$ 10 bilhões em dívidas e Desenrola "vende" nova chance de recuperação
O Estado concentra 1.291.935 pessoas inadimplentes, com a maioria dos débitos no cartão de crédito
Mato Grosso do Sul enfrenta um cenário expressivo de endividamento da população, especialmente no setor bancário. Para tentar minimizar esse impacto, começa nesta terça-feira (05), o Desenrola 2.0.
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Mato Grosso do Sul registra 1,29 milhão de inadimplentes, com dívidas totais de R$ 10,5 bilhões, segundo a Serasa. Em Campo Grande, 498 mil pessoas somam R$ 4,7 bilhões em débitos. No Brasil, são 82,8 milhões de inadimplentes e R$ 557 bilhões em dívidas. O cartão de crédito lidera as modalidades, com 73%. O Desenrola 2.0 conta com 7,7 milhões de ofertas disponíveis na plataforma da Serasa, com bancos como Itaú, Bradesco e Nubank confirmados.
De acordo com dados da Serasa, referentes a março, o Estado concentra 1.291.935 pessoas inadimplentes, com o valor total de dívidas atingindo R$ 10.554.613.051. A quantidade de dívidas chega a 5.931.677.
O ticket médio de dívidas por inadimplentes é de R$ 8.169,62 e o valor médio por cada dívida é de R$ 1.779,36.
Sobre o segmento das contas, cartão de crédito dispara com 29,21%; contas básicas, 15,09%; telecomunicação, 3,64%; varejo, 9,31%; serviço, 14,38%; financeiras, 19,06%; e dívidas com cooperativas, 3,24%.
Em Campo Grande, o cenário de inadimplência acomete 498.860 pessoas, totalizando 2.608.166 dívidas. O valor total chega a R$ 4.756.300.869, o ticket médio de dívidas é de R$ 9.534,34 por pessoa e o valor médio por dívida de R$ 1.823,62.
Na visão do presidente da CDL-CG (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Campo Grande), Adelaido Vila, o programa mascara a inadimplência.
”Estamos vivendo uma ilusão perigosa. O Desenrola limpa o nome, mas o mercado oferece logo em seguida um crédito fácil com juros que são verdadeiras armadilhas. Pior ainda: incentiva o trabalhador a gastar o FGTS, que é sua única reserva real. Em Campo Grande, vemos o dinheiro que deveria estar na feira ou guardado para uma emergência escorrer pelo ralo das bets", destacou.
Segundo a diretora da Serasa, Aline Maciel, houve uma mudança significativa no perfil do endividamento ao longo dos últimos anos, de 2018, pré-pandemia, até março de 2026.
“Anterior a pandemia tinha uma distância bem grande das dividas financeiras e, com o passar do tempo, no início da pandemia, começa a afunilar. Vemos muito o movimento de digitalização dos consumidores, isso facilita as empresas a dar mais crédito de forma digital. Esses consumidores tem acesso a linhas de crédito que não tinha anteriormente”, pontuou.
Ela destaca ainda que antes da pandemia o setor financeiro representava 38% das dívidas financeiras, percentual que agora chegou a 47%, um crescimento expressivo.
Sobre o papel da Serasa e o contexto do Desenrola, a diretora explica como funciona. “Nós somos um canal das instituições financeiras. As empresas já estão nos procurando para aproveitar esse momento e também conceder condições. Mais de 2 mil empresas participantes conosco”, completou.
Ainda de acordo com a pesquisa, entre os principais motivos que levam os brasileiros ao endividamento com bancos, o desemprego e a perda de renda aparecem em primeiro lugar, com 38% das respostas.
Em seguida, estão gastos de emergência (16%), descontrole (13%), apoio financeiro a familiares ou amigos (10%) e atraso no pagamento de contas básicas (7%).
Quando se trata das modalidades de dívida bancária mais comuns, o cartão de crédito lidera com 73%. Dentro desse grupo, 37% possuem dívidas superiores a 10 mil e 36% convivem com a dívida há mais de 2 anos. O crédito pessoal ou empréstimo bancário aparece com 56%, seguido pelo cheque especial ou limite, com 33%.
No contexto do Desenrola Brasil, algumas instituições já estão confirmadas para participação com a Serasa: Santander, Itaú, Bradesco, Banco Pan, BV, Nubank, BMG e Neon.
Ao todo, há 7,7 milhões de ofertas do novo Desenrola Brasil disponíveis no ecossistema da Serasa.
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