Novo Desenrola começa terça com desconto médio de 65% e 4 anos para pagar dívida
Dívidas de até R$ 100 serão perdoadas e quem aderir ficará um ano bloqueado nas plataformas de apostas on-line

A nova versão do Desenrola Brasil começa nesta terça-feira (5) com prazo de 90 dias para renegociação de dívidas de famílias, estudantes, empresas e agricultores familiares. Quanto mais antigo for o débito, maior será o desconto. A medida tem como principal frente o Desenrola Famílias, voltado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105. Quem deve até R$ 100 será perdoado e, mesmo sem pagar, terá o nome limpo automaticamente.
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O governo federal lançou nesta terça-feira (5) a nova versão do Desenrola Brasil, com prazo de 90 dias para renegociação de dívidas de famílias com renda de até cinco salários mínimos. O programa permite parcelamento em até quatro anos, juros de 1,99% ao mês e descontos de até 90%. Entre as novidades estão o uso de até 20% do FGTS para abater dívidas e o bloqueio automático em plataformas de apostas para quem aderir ao programa.
Poderão ser renegociadas dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal não consignado e Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). No caso das famílias, entram débitos em atraso há mais de 90 dias e até dois anos, contratados até 31 de janeiro de 2026. O limite da nova dívida será de R$ 15 mil, valor que, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, alcança quase 90% da população endividada.
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As condições prometidas incluem juros limitados a 1,99% ao mês, descontos de 30% a 90% sobre o valor inicial da dívida e abatimento médio estimado em 65%. O pagamento poderá ser feito em até quatro anos. A primeira parcela deve vencer cerca de 30 a 35 dias após a negociação, quando também deve ocorrer a retirada do nome do consumidor dos cadastros de inadimplência, conforme as regras do programa.
Uma das principais novidades é a possibilidade de usar até 20% do saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para abater o valor devido. O saque será vinculado à quitação da dívida, ou seja, não será um saque livre. Primeiro haverá o desconto negociado com o banco. Depois, o trabalhador poderá usar parte do FGTS para reduzir ainda mais o saldo devedor.
Quem aderir ao novo Desenrola ficará automaticamente bloqueado por um ano em plataformas de apostas on-line, as chamadas bets. A justificativa do governo é evitar que pessoas beneficiadas por uma renegociação com apoio público continuem comprometendo renda em jogos. “Uma pessoa que está endividada e precisa de ajuda do governo não pode jogar em apostas on-line”, afirmou Durigan.
O novo Desenrola também muda regras do consignado. A margem total, antes de 45%, passa para 40%. Os cartões consignados e de benefício deixam de ter margem exclusiva de 10% no total e ficam limitados a até 5% cada. A margem consignável ainda deve cair gradualmente, em dois pontos percentuais por ano, até chegar a 30%.
Diferente do Desenrola de 2023, a negociação desta vez será feita diretamente na instituição financeira onde o consumidor tem a dívida. Isso elimina a necessidade de acessar uma plataforma única, mas também exige atenção: o devedor terá de procurar o banco, conferir as condições oferecidas e avaliar se a parcela cabe no orçamento. Renegociar sem conseguir pagar é só trocar o problema de roupa.
Para viabilizar juros menores, o governo fará aporte de até R$ 5 bilhões no FGO (Fundo de Garantia de Operações). Também serão usados recursos não resgatados no sistema financeiro, conhecidos como “dinheiro esquecido nos bancos”. O fundo funciona como garantia para reduzir o risco das instituições financeiras e permitir crédito mais barato. Além disso, 1% do valor renegociado será destinado a ações de educação financeira.
O programa também terá outras três modalidades. No Desenrola Fies, será possível quitar o débito à vista sem juros e multas, com desconto de 12%, ou pagar apenas o principal da dívida em até 150 parcelas. Para inscritos no CadÚnico (Cadastro Único), o desconto poderá chegar a 99%. No Desenrola Empresas, haverá crédito de até R$ 500 mil, com carência de até 24 meses e pagamento em até 96 meses, dependendo do porte da empresa. Já o Desenrola Rural será voltado a agricultores familiares, com reabertura do prazo de renegociação até 20 de dezembro.
Na prática, o programa tenta reduzir o peso das dívidas no orçamento familiar e devolver acesso ao crédito a quem está inadimplente. Segundo o governo, quase 30% da renda dos brasileiros está comprometida com pagamento de dívidas, o maior patamar da série histórica do BC (Banco Central), iniciada em 2005. A primeira versão do Desenrola, em 2023, beneficiou mais de 15 milhões de pessoas e renegociou R$ 53 bilhões em débitos.


