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Economia

Quase 70% das famílias de Campo Grande têm dívidas, aponta pesquisa

Cartão de crédito lidera formas de endividamento; apesar disso, inadimplência teve leve recuo em fevereiro

Por José Cândido | 12/03/2026 10:50
Quase 70% das famílias de Campo Grande têm dívidas, aponta pesquisa
Cliente avalia produtos em loja da Capital; levantamento mostra que quase 70% das famílias de Campo Grande têm algum tipo de dívida, com destaque para o cartão de crédito. Foto Marcos Maluf

O orçamento doméstico continua apertado para grande parte das famílias de Campo Grande. Levantamento da PEIC (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor) mostra que 69,8% dos lares da Capital têm algum tipo de dívida, índice ligeiramente menor que o registrado em janeiro, mas ainda superior ao observado no mesmo período do ano passado.

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O endividamento atinge 69,8% das famílias de Campo Grande, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC). O cartão de crédito é o principal responsável pelas dívidas, afetando 70% dos entrevistados, seguido por carnês de lojas (20%) e financiamento habitacional (12%). A pesquisa revela que famílias de menor renda são mais afetadas pela inadimplência, com 43,1% relatando contas em atraso, enquanto nas famílias com renda superior a 10 salários mínimos esse índice cai para 23,6%. O tempo médio para quitação das dívidas é de 8,5 meses na capital sul-mato-grossense.

Na prática, isso significa que quase sete em cada dez famílias convivem com compromissos financeiros que incluem cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais, financiamentos de veículos ou imóveis, além de cheques pré-datados e seguros.

Apesar do alto percentual de endividamento, os indicadores de inadimplência deram um pequeno respiro no segundo mês do ano.

Segundo a economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS (IPF/MS), Regiane Dedé de Oliveira, o cenário pode refletir o fim de um período tradicionalmente pesado para o orçamento das famílias.

“É importante observar que os indicadores de inadimplência estão menores que no começo do ano, o que pode significar que, passado o mês em que há mais compromissos, como impostos e gastos escolares, as famílias podem estar equilibrando as finanças”, avalia.

Em fevereiro, 27,9% dos endividados disseram estar com contas em atraso, percentual inferior ao de janeiro, quando o índice era de 29,6%. Já aqueles que afirmaram não ter condições de pagar as dívidas caíram de 12,5% para 11,5%.

Cartão de crédito domina endividamento

Entre os diferentes tipos de dívida, o cartão de crédito aparece disparado como o principal vilão do orçamento, citado por 70% dos entrevistados.

Na sequência aparecem:

  • Carnês de lojas: 20%

  • Financiamento de casa: 12%

  • Financiamento de carro: 11,2%

  • Crédito pessoal: 11,2%

  • Crédito consignado: 10,9%

O levantamento também mostra que o tipo de dívida varia conforme a renda das famílias.

Entre aqueles com renda superior a 10 salários mínimos, o financiamento de veículos aparece com mais frequência, citado por 23,6%. Já entre as famílias com renda inferior, esse percentual cai para 8,8%.

Mais atraso entre famílias de menor renda

A pesquisa revela ainda que os atrasos no pagamento são mais comuns nas famílias com menor renda.

Nesse grupo, 43,1% afirmaram ter algum morador da casa com contas em atraso. Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, o percentual cai para 23,6%.

Outro dado que chama atenção é o tempo médio de comprometimento com dívidas. Em Campo Grande, as famílias levam cerca de 8,5 meses para quitar os débitos assumidos.

O cenário reforça um quadro já conhecido no comércio: mesmo com leve melhora na inadimplência, o endividamento continua elevado, exigindo planejamento financeiro e cautela no uso do crédito, especialmente do cartão — que segue como o principal protagonista das contas apertadas.