ACOMPANHE-NOS    
MAIO, SÁBADO  30    CAMPO GRANDE 18º

Economia

"Reinventar, inovar, esperar" é mantra dos pequenos empresários diante da crise

Empreendedores usam criatividade e fé para evitar desespero enquanto aguardam passar furacão trazido pelo coronavírus

Por Rosana Siqueira | 27/03/2020 07:45
Fabianne Rezek costumava vender suas criaões em feiras na Capital e em SP. (Arquivo pessoal)
Fabianne Rezek costumava vender suas criaões em feiras na Capital e em SP. (Arquivo pessoal)

Reinventar, inovar e esperar são palavras que parecem clichê quando o assunto é crise. No entanto após o fechamento do comércio e feiras por conta de evitar a disseminação do novo coronavírus (Covid 19) em Campo Grande, esses verbos quase que viraram mantra para conservara sanidade e as forças para muitos pequenos empreendedores.

Concentrando forças no otimismo e lutando para manter a calma diante do futuro incerto, eles mudaram o foco, investem em estratégias de vendas on line, ou mesmo produtos, reforçam o serviço personalizado de delivery e esperam a pandemia passar.

Sésamo investiu em novos produtos e na entrega para levar doçura na quarentena. (Divulgação)
Sésamo investiu em novos produtos e na entrega para levar doçura na quarentena. (Divulgação)

Acelerar e reinventar foram os verbos conjugados pela empresária do ramo de sorveteria artesanal e cafeteria Bruna Rios Muniz, da Capital. Ela tem cinco lojas da Sésamo em Campo Grande, uma em Cuiabá, uma em Niteroi (RJ) e outra em Belo Horizonte (MG) e comanda cerca de 70 funcionários.

Bruna conta que teve lojas fechadas após os decretos de prevenção ao coronavírus. Entre elas as dos Shoppings Norte Sul e Campo Grande. Em Cuiabá, a sorveteria de rua foi fechada. Enquanto, isso as lojas da Antônio Maria Coelho e Bom Pastor estão fazendo venda em balcão e delivery.

“Na verdade estávamos começando a implantar o delivery  e tivemos que adiantar o processo. Estamos agora fazendo medidas para incentivar o delivery. Não que isso resolva o problema do fechamento. A gente ia implantar a entrega mais devagar, mas quando vimos a crise que viria saímos correndo para tentar impedir o pior”, salienta a empresária.

Ela destaca que procuraram medidas cabíveis para reduzir o impacto no negócio. Neste processo ela diz que alterou a estratégia de marketing de pessoal e de vendas. E mais ainda faz promoção e até lançou um produto novo: a casquinha artesanal da Sésamo.

 “A gente tá indo meio no incerto, mas algumas atitudes estão tendo resultado. Como criar produtos novos, a casquinha artesanal neste momento de crise. Em meio a muitos problemas a gente está fazendo promoções, queremos levar um produto bom pra quem tá em casa. Podemos melhorar o que já temos para também trazer mais tranquilidade, doçura e prazer para quem está em casa e não pode sair”, acrescenta.

 “Mudamos o direcionamento então tivemos que nos reinventar e passar pelo momento . Podemos sim ser otimistas neste momento, pensar positivo agora e lutar”, complementa.

Fé e positividade – A publicitária e empresária de moda Fabianne Rezek, da Mi Corazon, empresa de vestuário que trabalha com camisetas, vestidos, maios com fotografias personalizadas, estava com o lançamento de sua coleção pronta quando chegou o coronavírus.

Fabi aposta na fé e crê na volta dos negócios após passar a crise. (Arquivo Pessoal)
Fabi aposta na fé e crê na volta dos negócios após passar a crise. (Arquivo Pessoal)

Trabalhando em casa, sozinha, ela até pensou em fazer um atendimento individual para os clientes, mas desistiu. Os motivos foram a segurança da mãe que tem idade mais avançada e o filho que tem a imunidade baixa. “Aqui.resolvi fazer isolamento total, porque nós três aqui somos de risco né? A mãe, pela idade, eu pelo meu histórico e meu filho por tomar medicamentos controlados que ajudam na baixa imunidade”, salientou.

Neste tempo difícil ela aposta com as redes sociais e os meios digitais para fazer algumas vendas, além de uma clientela fiel. “Três dias depois que estava com toda mercadoria para venda, coleção completa, estourou a quarentena”, acrescenta. A saída são as vendas on-line. “Faço algumas vendas on line, pelo insta e whats, mas nada comparado a venda presencial”, destaca.

Acostumada a travar grandes batalhas, que incluem a superação de um câncer, ela aposta na fé e no foco. “Minhas roupas são atemporais, pra minha sorte. Tenho meus clientes fieis, que fazem pedidos on line porque já conhecem minhas criações. As feiras são essencialmente para apresentar a marca para novos clientes’, comenta.

Sem perder o otimismo ela diz que espera as coisas melhorarem. “Então acho que quando tudo acabar e as coisas se normalizarem, as vendas acontecerão. Nos primeiros dias me desesperei, mas agora vendo que consegui pagar todos os fornecedores estou calma e positiva para depois da crise”, enfatiza.

Na sua avaliação pode até demorar um tempo para recuperar este período de quarentena nos negócios. “Mas acredito que ao sairmos, nós e os nossos com saúde dessa história toda é o maior lucro”, finalizou.

 Orientações - Para ajudar neste período o Sebrae/MS preparou uma série de soluções rápidas e práticas, de implementação imediata: o programa de aconselhamento empresarial Sebrae Orienta.

O programa é online, gratuito e personalizado, voltado para Microempreendedores Individuais (MEI), Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP). Os participantes receberão 16 horas de treinamento, distribuídas nos temas “Gestão Financeira”, “Marketing Digital” e “Estratégias de Mercado”.

De acordo com o diretor do Sebrae-MS, Tito Estanqueiro, a meta é “oferecer aconselhamento gratuito especializado, que será agendado com consultores de mercado a qualquer pequeno negócio que nos procure. Neste momento, é fundamental que o empresário reaja e busque formas de manter o negócio”.

Para se inscrever, os interessados devem preencher um formulário na página oficial do programa. Após, um técnico do Sebrae irá entrar em contato para fazer o agendamento o mais breve possível. Mais informações pelo telefone 0800 570 0800.