Rota Bioceânica pode movimentar US$ 2 bilhões por ano no mercado sul-americano
Estimativa foi apresentada por diplomata brasileiro durante fórum sobre logística e segurança viária em MS

A Rota Bioceânica tem potencial para movimentar cerca de US$ 2 bilhões ao ano apenas com as transações comerciais envolvendo o Brasil e outros países sul-americanos que integram o corredor, como Paraguai e Argentina. A projeção foi apresentada nesta segunda-feira (25) pelo ministro João Carlos Parkinson de Castro, diplomata de carreira do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, durante o 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária – Rota Bioceânica.
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A Rota Bioceânica pode movimentar cerca de US$ 2 bilhões por ano em comércio entre Brasil, Paraguai e Argentina, segundo o ministro João Carlos Parkinson de Castro, em fórum realizado em Campo Grande. Ele destacou a necessidade de um acordo aduaneiro para facilitar a integração fronteiriça e citou a adesão do Brasil à Convenção TIR, que reduz burocracias. O corredor, com mais de 3,2 mil quilômetros, ligará Atlântico e Pacífico e pode cortar custos logísticos em até 30% e o tempo de transporte em até 15 dias.
Durante o evento, que reúne autoridades dos quatro países que compõem o Corredor Bioceânico: Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, o ministro apresentou o potencial da rota também para alavancar o comércio doméstico entre as nações sul-americanas.
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“US$ 43 bilhões. Foi tudo que o Brasil exportou para a América do Sul no ano passado, sendo US$ 22 bilhões por rodovia. Então, é claro que isso é um dado importante. Aí começamos a discriminar esses dados. Em importações, US$ 28 bilhões, sendo US$ 11 bilhões por rodovia. Os maiores parceiros nossos por via rodoviária, Argentina e Paraguai, praticamente US$ 8 bilhões a US$ 9 bilhões. Agora, para a região Centro-Oeste, US$ 988 milhões de exportação e US$ 335 milhões de importação. Tem o Norte e Nordeste, que já exportam também por via rodoviária para a América do Sul. Com o corredor, eles vão deixar de exportar por São Borja (RS), por Uruguaiana (RS) e por Foz do Iguaçu (PR) e vão fazê-lo pelo corredor. Então, nós temos aqui um potencial de desvio de comércio importante, de US$ 2 bilhões”, afirmou.

Além do potencial econômico, o ministro falou sobre um dos principais desafios atuais do corredor: a construção de um amplo acordo aduaneiro para facilitar o comércio e os processos transfronteiriços. Ele disse ao Campo Grande News no início do mês, inclusive, que não acredita em uma definição antes da conclusão das obras físicas da ligação, entre elas a Ponte da Bioceânica e as pavimentações em andamento no Paraguai.
“Estamos trabalhando para a integração aduaneira. É importante que isso avance e que se entenda que o corredor pode ser um projeto piloto para a modernização do serviço aduaneiro, com a implantação de medidas inovadoras no corredor, para testar no corredor e depois replicar em outros postos de fronteira do Brasil”, apontou.
O ministro reiterou que um dos avanços foi a adesão do Brasil à Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo das Cadernetas TIR, acordo da ONU que funciona como uma espécie de “passaporte de cargas”. O sistema permite que mercadorias atravessem fronteiras com caminhões lacrados na origem e inspecionados apenas no destino, reduzindo burocracias aduaneiras intermediárias.
“Um dos avanços é a Convenção TIR, algo que conseguimos que o governo aprovasse em tempo recorde em Brasília. Isso é uma grande medida, porque já agiliza o processo aduaneiro. Se a tua carga sai daqui para o Japão, ela não tem que ser controlada no Paraguai, na Argentina. Ela tem que ser controlada no mercado japonês, quando chegar lá e quando sai daqui. Isso é origem e destino, mas não nos países intermediários”, detalhou.
O corredor
O Corredor Bioceânico, também chamado de RILA (Rota de Integração Latino-Americana), terá mais de 3,2 mil quilômetros e vai conectar os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, será a porta de entrada da rota no país. A expectativa dos quatro países é transformar o corredor em uma nova via estratégica para o escoamento de produtos e a importação de mercadorias entre a América do Sul e os mercados asiáticos, com potencial de reduzir em até 30% os custos logísticos e em até 15 dias o tempo de transporte em relação às rotas marítimas tradicionais, como a do Canal do Panamá.

