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Editorial

Neste domingo, escolha quem vai responder por você durante todo o mandato

O compromisso com o eleitor precisa continuar depois da votação, com trabalho, presença e prestação de contas

Por José Cândido | 04/10/2026 07:00
Neste domingo, escolha quem vai responder por você durante todo o mandato
Urna eletrônica recebe escolhas que vão definir os próximos anos; voto exige atenção à trajetória, à honestidade e ao compromisso dos candidatos com a população. (Foto Campo Grande News)

Neste domingo, o eleitor terá poucos segundos diante da urna para tomar decisões que vão acompanhar sua vida por anos. O gesto é simples. As consequências chegam à fila da saúde, à segurança do bairro, à escola dos filhos e à oportunidade de conseguir emprego. Votar exige pensar além da campanha e perguntar quem merece receber poder para decidir sobre o dinheiro e o futuro de todos.

RESUMO

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Neste domingo, o eleitor terá poucos segundos na urna para decidir questões que afetarão saúde, segurança, educação e emprego por anos. O texto defende que a escolha vá além da propaganda e considere a trajetória de cada candidato. Experiência e honestidade devem pesar, e processos por corrupção merecem atenção. Também se destacam propostas concretas para os mais necessitados, presença durante todo o mandato e cobrança após a eleição.

A propaganda apresenta candidatos sempre preparados, sensíveis e comprometidos. Na tela, todos conhecem os problemas e prometem soluções. A escolha responsável começa quando o eleitor confronta essa imagem com a trajetória de cada um. O que fez? Como tratou as pessoas quando estava no cargo? Que resultados entregou? Como reagiu quando precisou prestar contas?

A experiência deve pesar nessa avaliação. Conhecer a administração, saber construir soluções e entender os limites do cargo ajudam a transformar propostas em resultados. Mas tempo de carreira, sozinho, não comprova competência. Há quem acumule mandatos e continue oferecendo as mesmas promessas para problemas que teve oportunidade de enfrentar.

A honestidade também precisa ser um critério central. Administrar recursos públicos exige respeito por quem paga impostos, muitas vezes com sacrifício. O dinheiro desperdiçado em contratos, privilégios e obras sem utilidade faz falta em medicamentos, atendimento médico, equipamentos de segurança e serviços básicos.

Por isso, processos por corrupção merecem atenção do eleitor. É preciso conhecer as acusações, as provas, as respostas e o andamento de cada caso, sem transformar suspeita em sentença nem aceitar que tudo seja descartado como perseguição política. Cobrar explicações e rejeitar candidaturas marcadas por práticas de corrupção é uma forma de proteger o interesse público. Popularidade e influência não podem servir de salvo-conduto.

O compromisso com os mais necessitados deve aparecer nas prioridades de quem pede o voto. Quem depende do serviço público não pode esperar indefinidamente. Uma consulta adiada pode agravar uma doença. A insegurança restringe a vida de quem sai cedo para trabalhar e volta tarde para casa. O desemprego compromete a alimentação, a moradia e a dignidade de uma família.

Defender essas pessoas exige propostas concretas. Na saúde, como reduzir a espera e garantir atendimento? Na segurança, como prevenir a violência e enfrentar o crime? Para os desempregados, quais caminhos serão abertos para qualificação, trabalho e renda? O eleitor merece saber o que será feito, quanto custará e de onde sairão os recursos.

Também merece atenção o comportamento de quem só encontra tempo para a população durante a campanha. Aparece na rua, abraça, escuta e promete proximidade. Depois da eleição, o acesso fica difícil, as respostas desaparecem e o cidadão precisa esperar a próxima disputa para ser ouvido novamente.

Quem transforma o mandato em carreira pessoal e o eleitor em instrumento de permanência no poder esvazia o sentido da representação. O cargo exige presença, trabalho e prestação de contas durante todo o mandato. A disposição para ouvir precisa sobreviver ao fechamento das urnas.

Neste domingo, vale dedicar à escolha mais tempo do que será necessário para digitar os números. Examinar trajetórias, questionar promessas e resistir ao apelo dos favores são atitudes que dão força ao voto.

Depois, será preciso acompanhar e cobrar. A eleição entrega autoridade aos escolhidos, mas não os dispensa de responder à sociedade.

O voto acaba em segundos. O custo de uma escolha impensada pode durar anos.