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Educação e Tecnologia

Contrariando pedido da Saúde, secretários de Educação defendem aulas presenciais

A discussão coloca em lados opostos colegas de governo: de um lado, Saúde quer fechar, do outro, Educação quer abrir

Por Guilherme Correia | 03/03/2021 08:43
Fitas no chão indicam distância para alunos na entrada da Escola Estadual Hércules Maymone, na Capital (Foto: Kisie Ainoã/Arquivo)
Fitas no chão indicam distância para alunos na entrada da Escola Estadual Hércules Maymone, na Capital (Foto: Kisie Ainoã/Arquivo)

Secretários estaduais de Educação do País têm resistido à recomendação de um novo fechamento de escolas, por defenderem que aulas presenciais não aumentam casos de covid-19. Em Mato Grosso do Sul, a rede estadual retornou com duas semanas de acolhimento e depois de abril terá aulas híbridas - que mesclam atividades presenciais e virtuais. A rede particular já funciona nesse sistema e nesta semana a primeira delas suspendeu as aulas por casos de contágio do coronavírus entre profissionais.

A reposta vem na contramão de pedido feito pelos secretários estaduais de Saúde, que, diante do recorde de maior média móvel de mortes verificada neste semana, além da lotação quase que sincronizada dos leitos de terapia intensiva de todos o estados, solicitaram adoção de medidas mais rigorosas para evitar o colapso na saúde. Entre elas, a suspensão das aulas presenciais.

Por meio de nota, o Consed (Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação) vê com “profunda preocupação” o pedido de suspensão das atividades presenciais na educação. A nota também argumenta que a maior parte dos estabelecimentos de ensino estão fechados há quase um ano.

O conselho sugere que os comitês científicos e os gestores educacionais, com a responsabilidade que lhes são outorgadas, definam, localmente, com serenidade sobre o modelo organizacional de ensino nas escolas, observando os possíveis prejuízos", diz a nota.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, a secretária estadual de Educação de Mato Grosso do Sul, e presidente do Consed, disse que a reabertura parcial das escolas, em 2020, mostrou que elas não contribuem para o aumento de infecções se os protocolos de segurança forem seguidos. "Não se pode responsabilizar as escolas pelo aumento de casos. Elas ficaram fechadas por quase um ano e os casos subiram antes mesmo delas reabrirem".

Mesmo que no Estado há aulas híbridas, Mato Grosso do Sul prevê a retomada das aulas presenciais apenas em abril, de forma a alinhar o calendário junto às redes municipais. "Muitos prefeitos que acabaram de assumir disseram que não tiveram tempo de se preparar. Por isso, optamos por esperar mais um mês."

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