De dentes de leite a terapias do futuro: projeto inédito nasce em hospital de MS
Biobanco do Humap-UFMS armazenará células-tronco, sangue e plasma para pesquisas

Mato Grosso do Sul acaba de conquistar um espaço inédito no cenário da pesquisa biomédica brasileira. O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), em Campo Grande, recebeu autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para implantar o primeiro biobanco público de células-tronco mesenquimais do País, uma estrutura que permitirá armazenar e disponibilizar material biológico para estudos científicos de alta complexidade.
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A iniciativa coloca o hospital universitário na vanguarda da chamada medicina regenerativa, área que busca desenvolver tratamentos capazes de reparar tecidos e órgãos danificados. As células-tronco mesenquimais, conhecidas pela capacidade de se transformar em diferentes tipos celulares e de atuar na regulação do sistema imunológico, são consideradas promissoras em pesquisas relacionadas a doenças como artrite, diabetes e enfermidades neurológicas.
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Segundo a bióloga e responsável técnica pelo biobanco, Thais Farias, essas células podem ser encontradas em tecidos como gordura, cordão umbilical e polpa de dentes de leite. O diferencial é que elas conseguem migrar para áreas lesionadas do organismo e auxiliar nos processos de regeneração celular.
O biobanco também armazenará amostras de sangue, soro e plasma, ampliando as possibilidades de pesquisa em áreas como cardiologia, neurologia, infectologia e estudos clínicos. A expectativa é que a nova estrutura fortaleça a produção científica da UFMS e atraia projetos de pesquisa de diferentes regiões do Brasil.
Coleta sem procedimentos extras
As amostras serão obtidas a partir de cordões umbilicais e da polpa de dentes de leite, tendo como principais doadoras as pacientes atendidas na maternidade do Humap. De acordo com os responsáveis pelo projeto, nenhum procedimento adicional será realizado nas gestantes. O material será coletado durante atendimentos que já fazem parte da rotina hospitalar.
Depois da coleta, as amostras passarão por processamento laboratorial e serão armazenadas em condições controladas, com monitoramento permanente e rastreabilidade completa. Para garantir segurança e ética, a utilização do material dependerá da aprovação de diferentes instâncias, incluindo o Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos.
Ponte entre laboratório e paciente
Embora não tenha finalidade assistencial imediata, o biobanco é visto como uma ferramenta estratégica para transformar descobertas científicas em futuras terapias. Esse processo, conhecido como pesquisa translacional, busca reduzir a distância entre os avanços obtidos em laboratório e sua aplicação prática na saúde da população.
A aprovação também reforça o papel das instituições públicas e do Sistema Único de Saúde (SUS) na produção de conhecimento científico. Para os pesquisadores envolvidos, a estrutura cria oportunidades para o desenvolvimento de novos estudos, formação de profissionais e ampliação da capacidade de inovação tecnológica no Estado.
Estrutura nasceu de projeto iniciado em 2021
A origem do biobanco remonta à criação do Centro de Processamento Celular do Humap, inaugurado em 2021 dentro da Rede BrasilCord, voltada à coleta e processamento de sangue de cordão umbilical para transplantes. A partir dessa estrutura, surgiram estudos de viabilidade que culminaram na aprovação do biobanco pela Conep.
Agora, o hospital aguarda a chegada dos insumos necessários para iniciar as coletas. A previsão é que os primeiros materiais comecem a ser armazenados entre três e quatro meses, marcando o início de uma nova etapa da pesquisa científica em Mato Grosso do Sul.

