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Educação e Tecnologia

De dentes de leite a terapias do futuro: projeto inédito nasce em hospital de MS

Biobanco do Humap-UFMS armazenará células-tronco, sangue e plasma para pesquisas

Por José Cândido | 01/06/2026 14:18
De dentes de leite a terapias do futuro: projeto inédito nasce em hospital de MS
Laboratório do Humap-UFMS abrigará o primeiro biobanco público brasileiro de células-tronco mesenquimais, estrutura voltada ao avanço de pesquisas em medicina regenerativa e terapias inovadoras. (Foto divulgação)

Mato Grosso do Sul acaba de conquistar um espaço inédito no cenário da pesquisa biomédica brasileira. O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), em Campo Grande, recebeu autorização da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para implantar o primeiro biobanco público de células-tronco mesenquimais do País, uma estrutura que permitirá armazenar e disponibilizar material biológico para estudos científicos de alta complexidade.

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O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, em Campo Grande, recebeu autorização para implantar o primeiro biobanco público de células-tronco mesenquimais do Brasil. A estrutura permitirá armazenar material biológico para pesquisas em medicina regenerativa, com foco em doenças como artrite, diabetes e enfermidades neurológicas. As amostras serão coletadas de cordões umbilicais e dentes de leite, sem procedimentos extras nas doadoras.

A iniciativa coloca o hospital universitário na vanguarda da chamada medicina regenerativa, área que busca desenvolver tratamentos capazes de reparar tecidos e órgãos danificados. As células-tronco mesenquimais, conhecidas pela capacidade de se transformar em diferentes tipos celulares e de atuar na regulação do sistema imunológico, são consideradas promissoras em pesquisas relacionadas a doenças como artrite, diabetes e enfermidades neurológicas.

Segundo a bióloga e responsável técnica pelo biobanco, Thais Farias, essas células podem ser encontradas em tecidos como gordura, cordão umbilical e polpa de dentes de leite. O diferencial é que elas conseguem migrar para áreas lesionadas do organismo e auxiliar nos processos de regeneração celular.

O biobanco também armazenará amostras de sangue, soro e plasma, ampliando as possibilidades de pesquisa em áreas como cardiologia, neurologia, infectologia e estudos clínicos. A expectativa é que a nova estrutura fortaleça a produção científica da UFMS e atraia projetos de pesquisa de diferentes regiões do Brasil.

Coleta sem procedimentos extras

As amostras serão obtidas a partir de cordões umbilicais e da polpa de dentes de leite, tendo como principais doadoras as pacientes atendidas na maternidade do Humap. De acordo com os responsáveis pelo projeto, nenhum procedimento adicional será realizado nas gestantes. O material será coletado durante atendimentos que já fazem parte da rotina hospitalar.

Depois da coleta, as amostras passarão por processamento laboratorial e serão armazenadas em condições controladas, com monitoramento permanente e rastreabilidade completa. Para garantir segurança e ética, a utilização do material dependerá da aprovação de diferentes instâncias, incluindo o Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos.

Ponte entre laboratório e paciente

Embora não tenha finalidade assistencial imediata, o biobanco é visto como uma ferramenta estratégica para transformar descobertas científicas em futuras terapias. Esse processo, conhecido como pesquisa translacional, busca reduzir a distância entre os avanços obtidos em laboratório e sua aplicação prática na saúde da população.

A aprovação também reforça o papel das instituições públicas e do Sistema Único de Saúde (SUS) na produção de conhecimento científico. Para os pesquisadores envolvidos, a estrutura cria oportunidades para o desenvolvimento de novos estudos, formação de profissionais e ampliação da capacidade de inovação tecnológica no Estado.

Estrutura nasceu de projeto iniciado em 2021

A origem do biobanco remonta à criação do Centro de Processamento Celular do Humap, inaugurado em 2021 dentro da Rede BrasilCord, voltada à coleta e processamento de sangue de cordão umbilical para transplantes. A partir dessa estrutura, surgiram estudos de viabilidade que culminaram na aprovação do biobanco pela Conep.

Agora, o hospital aguarda a chegada dos insumos necessários para iniciar as coletas. A previsão é que os primeiros materiais comecem a ser armazenados entre três e quatro meses, marcando o início de uma nova etapa da pesquisa científica em Mato Grosso do Sul.