Infectologista da Capital detalha sintomas e prevenção à hantavirose
Campo Grande tem um caso em investigação atualmente; OMS descartou epidemia e pandemia
Após casos registrados num navio de cruzeiro no Atlântico, a epidemia e a pandemia de hantavirose foram descartadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde), mas eventuais surtos podem continuar surgindo. Minas Gerais e Rio Grande do Sul registraram uma morte cada um relacionada ao vírus este ano. Mato Grosso do Sul tem uma infecção em investigação em Campo Grande.
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Diante desse quadro e da alta mortalidade associada à doença, o infectologista Alexandre Albuquerque Bertucci, do Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), explica quais são as formas de transmissão, sintomas e formas de prevenção.
Transmissão - Casos registrados historicamente no Brasil estão ligados a roedores silvestres encontrados em áreas rurais e de mata, ele frisa. Ratos urbanos como ratazanas e camundongos não são os principais transmissores da doença.
A hantavirose é transmitida principalmente pelo contato com partículas presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres contaminados pelo hantavírus.
A transmissão de pessoa para pessoa é rara. Segundo o especialista, apenas a variante Andes do hantavírus, identificada na América do Sul, possui essa capacidade comprovada.
Sintomas - Os primeiros sinais da hantavirose costumam se manifestar entre cinco e 50 dias após a exposição ao vírus. A forma mais comum da doença no país é a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus.
A preocupação é que os sintomas iniciais podem ser confundidos com um quadro comum de gripe, dificultando que o diagnóstico seja feito rapidamente.
“As síndromes cardiopulmonares por hantavírus apresentam sintomas iniciais muito inespecíficos, que podem ser confundidos com quadros gripais. A doença geralmente começa com febre, dor muscular, dor de cabeça, calafrios, dor abdominal e vômitos, evoluindo posteriormente para tosse, falta de ar, taquicardia e hipotensão”, detalha o médico.
O infectologista alerta que, conforme doença avança, ocorre aumento da permeabilidade vascular, podendo causar edema pulmonar e choque cardiogênico. Essa fase pode levar à morte. As taxas de mortalidade são estimadas entre 20% e 45%.
“Infelizmente, até hoje não existe tratamento antiviral específico aprovado para o hantavírus. Por isso, a suspeita clínica precoce e o suporte médico adequado são fundamentais para reduzir os riscos de agravamento”, ele destaca.
Febre persistente por mais de 48 horas, dores no corpo, vômitos, diarreia, dor abdominal e dificuldade respiratória são sintomas de alerta, reforça o especialista. A suspeita deve ser maior se o paciente esteve em áreas infestadas por roedores ou viajou para regiões endêmicas.
Atividades rurais, limpeza de depósitos, celeiros, estábulos, galpões fechados e locais abandonados, além de qualquer situação que favoreça a inalação de poeira são fatores de risco.
Prevenção - Reduzir as chances de contato com roedores e suas fezes é a principal forma de combater a doença.
As recomendações de Alexandre são fechar frestas e aberturas em casas e depósitos, armazenar corretamente alimentos e rações, eliminar entulhos próximos às residências e controlar fontes de água (piscinas e torneiras vazando, por exemplo) que possam atrair roedores.
O uso de máscaras, luvas e outros equipamentos de proteção é aconselhado para a limpeza de ambientes fechados, com ou sem suspeita de infestação.
“É importante utilizar luvas e máscaras, ventilar bem o ambiente e umedecer o local com água sanitária ou desinfetante antes da limpeza. Deve-se evitar varrer ou aspirar, pois isso faz com que partículas contaminadas sejam suspensas no ar e inaladas”, orienta.
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