ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
AGOSTO, SÁBADO  08    CAMPO GRANDE 22º

Educação e Tecnologia

Inteligência Artificial avança na advocacia e encurta tarefas administrativas

Oficina da OAB-MS mostrou como automações e ferramentas de IA podem agilizar a rotina dos escritórios

Por José Cândido | 08/08/2026 12:10
Inteligência Artificial avança na advocacia e encurta tarefas administrativas
Encontro abriu a Semana do Advogado com aplicações práticas de Inteligência Artificial no setor jurídico

A Inteligência Artificial começa a deixar de ser apenas uma ferramenta de consulta para ocupar espaço efetivo na rotina dos escritórios de advocacia. Em Mato Grosso do Sul, profissionais já recorrem à tecnologia para reduzir tarefas administrativas, organizar informações, automatizar procedimentos e ganhar tempo para atividades que exigem análise jurídica e decisão humana.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A OAB-MS promoveu oficina sobre o uso da Inteligência Artificial na advocacia durante a Semana do Advogado, em Campo Grande. O evento debateu como a tecnologia pode reduzir tarefas administrativas e automatizar processos, sem substituir a atuação jurídica humana. Profissionais alertaram para o uso responsável das ferramentas, reforçando que a revisão humana e a responsabilidade técnica permanecem com o advogado.

As possibilidades práticas, mas também os cuidados necessários para incorporar a tecnologia à profissão, foram discutidos nesta sexta-feira durante oficina promovida pela Comissão de Tecnologia e Inteligência Artificial da OAB-MS, no plenário da entidade, em Campo Grande. O encontro abriu a programação da Semana do Advogado.

A advogada Suyane Liuti relatou que a adoção da Inteligência Artificial já provocou mudanças concretas no funcionamento de seu escritório, principalmente na execução de serviços administrativos.

Segundo ela, ferramentas de IA passaram a absorver atividades que anteriormente exigiam mais tempo e trabalho operacional, reduzindo a demanda administrativa e permitindo uma rotina mais eficiente.

A experiência ajuda a mostrar uma das transformações provocadas pela tecnologia na advocacia. Em vez de substituir o trabalho jurídico, a IA pode funcionar como apoio em tarefas repetitivas, organização de informações e processos internos, liberando o profissional para atividades que dependem de conhecimento técnico, estratégia e relacionamento com o cliente.

O desafio, porém, está justamente em saber até onde delegar tarefas às máquinas.

Durante a oficina, o advogado Revair chamou atenção para a quantidade crescente de ferramentas disponíveis e para a necessidade de utilizá-las sem comprometer a segurança e a responsabilidade profissional.

“Uma das grandes dificuldades da Advocacia é compreender como utilizar as diversas ferramentas de Inteligência Artificial disponíveis no mercado de forma responsável, sem comprometer a integridade da atuação profissional. Nesta oficina, trabalhamos de maneira prática desde a elaboração de prompts até o uso de automações e recursos que otimizam a rotina dos escritórios”, explicou.

A programação levou aos participantes aplicações que podem ser incorporadas ao cotidiano profissional. Entre os conteúdos apresentados estiveram técnicas para elaboração de prompts — os comandos utilizados para orientar sistemas de IA —, aplicação de skills e automação de tarefas.

Mais do que aprender a conversar com ferramentas de Inteligência Artificial, a discussão passa pela capacidade do advogado de conferir, interpretar e assumir responsabilidade pelo conteúdo produzido com auxílio da tecnologia. A rapidez oferecida pela IA não elimina a necessidade de revisão humana nem transfere para o sistema a responsabilidade técnica que continua sendo do profissional.

A oficina também evidencia uma mudança que começa a alcançar profissões tradicionalmente baseadas em conhecimento especializado. Na advocacia, a questão já não é apenas saber se a Inteligência Artificial será utilizada, mas como incorporá-la sem abrir mão da ética, do sigilo, da segurança das informações e da qualidade do serviço jurídico.

Nesse cenário, automatizar tarefas pode significar menos tempo gasto com burocracia e mais tempo dedicado àquilo que permanece essencialmente humano na advocacia: interpretar, argumentar, decidir e defender interesses.