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Educação e Tecnologia

Usuários acionam MPF por dificuldade de acessar dados de plano de saúde da UFMS

Beneficiários apontam restrições a dados, exclusão de aposentados e falhas na assistência no interior

Por Inara Silva | 17/04/2026 08:00
Usuários acionam MPF por dificuldade de acessar dados de plano de saúde da UFMS
Sala de recepção no plano de saúde da UFMS. (Foto: Arquivo/Divulgação)

Um grupo de beneficiários do programa de assistência à saúde da Fundação da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o Cuidar+ UFMS, antigo PAS (Programa de Assistência à Saúde), protocolou uma representação junto ao MPF (Ministério Público Federal) denunciando o que classifica como “apagão de transparência” e retrocesso democrático na gestão do plano.

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Beneficiários do Cuidar+ UFMS protocolaram denúncia no Ministério Público Federal contra o que chamam de "apagão de transparência" na gestão do plano de saúde, que arrecadou R$ 38,9 milhões em 2025. Os reclamantes apontam restrição ao controle social, negativa de acesso a dados financeiros e exclusão de aposentados da representação no colegiado. A UFMS não se manifestou até o momento.

A denúncia, liderada por representantes do campus do Pantanal, aponta que a administração do programa tem obstruído o controle social e negado acesso a dados detalhados sobre o uso de recursos, que somaram R$ 38.948.818,16 em arrecadação em 2025.

Segundo Waleska Mendoza, representante eleita pelos beneficiários do campus em Corumbá, além do MPF, as denúncias também foram encaminhadas ao MEC (Ministério da Educação) e ao MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos). Ela afirma que “os poderes dos beneficiários para fiscalização do programa vêm sendo reduzidos desde 2012”. Waleska explica que, em 2008, os beneficiários eleitos integravam a Comissão Permanente de Fiscalização, mas que “os regimentos internos de 2022 e 2025 suprimiram competências inerentes ao órgão deliberativo”.

Outro ponto da denúncia é a dificuldade de acesso a relatórios analíticos que detalhem a relação entre arrecadação e despesas por campus, categoria e faixa etária. De acordo com o documento, em resposta a pedidos via LAI (Lei de Acesso à Informação), a reitoria teria negado o fornecimento de dados segmentados de 2020 a 2025, alegando que o sistema atual não permite esse tipo de extração e que o levantamento exigiria “trabalho adicional” e “esforço incompatível”, tornando a solicitação “desproporcional”.

Os servidores contestam a justificativa, destacando que o demonstrativo de 2025 registra gasto de R$ 271.773,47 com o software “Cuidar+”, contratado justamente para a gestão do programa. Além disso, afirmam que o demonstrativo financeiro do mesmo ano omitiu informações sobre saldo de caixa e reserva técnica, dados que eram públicos em balanços anteriores.

Aposentados - A representação também aborda o processo de “redemocratização” do plano ocorrido em 2025. A Portaria nº 1.425-RTR/UFMS estabeleceu que apenas servidores ativos podem se candidatar às vagas de representantes no colegiado, excluindo aposentados e pensionistas do direito de serem votados.

Segundo Waleska, na primeira reunião do colegiado com membros eleitos, em dezembro de 2025, a presidência do órgão teria impedido a deliberação de cinco requerimentos de urgência, que solicitavam auditoria financeira e acesso dos conselheiros ao sistema de gestão com login próprio. “O meu microfone foi cortado quando os meus cinco requerimentos não foram submetidos à deliberação do colegiado”, afirma.

Ainda de acordo com ela, na segunda reunião foi apresentado pedido de licitação para contratação de empresa de auditoria contábil, com o objetivo de analisar as contas do programa entre 2020 e 2025.

Sem assistência - No documento encaminhado ao MPF, os servidores também apontam falta de isonomia no atendimento entre a Capital e o interior. Waleska afirma que os beneficiários de Corumbá contribuíram com R$ 1.558.366,03 em 2025, mas enfrentam número insuficiente de credenciados e ausência de especialidades médicas.

Entre 2015 e 2019, o campus teria ficado sem cobertura de pronto atendimento para urgência e emergência.

Segundo a denúncia, atualmente o programa propõe um “escritório virtual” para credenciamentos, o que, na avaliação dos reclamantes, não atende à necessidade de suporte presencial para os usuários do interior.

Os documentos anexados também indicam mudanças na estrutura de controle. Em 2008, o regimento previa eleição direta para todas as categorias e uma Comissão Permanente de Fiscalização independente. Em 2022, essa comissão foi extinta. Já o regimento de 2025 retirou do colegiado a competência de aprovar a prestação de contas, transferindo a decisão final ao Conselho Diretor da UFMS, presidido pela própria reitoria.

A UFMS foi procurada, por meio de sua assessoria de imprensa, e até o momento não se manifestou. O espaço permanece aberto.

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