A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

08/09/2014 13:37

Campeão pelo Flamengo, jogador quer abandonar após atraso de salário

Renan Nucci
Destaque no futebol sul-mato-grossense, jogador pensa em parar. (Foto: Reprodução/Facebook)Destaque no futebol sul-mato-grossense, jogador pensa em parar. (Foto: Reprodução/Facebook)

Campeão Brasileiro no ano de 2009 com o Flamengo, o meia sul-mato-grossense Alex Cruz, natural de Vicentina, município localizado a 255 quilômetros de Campo Grande, jamais imaginou que aos 29 anos pensaria em abandonar os gramados. Após passagem pelo Itaporã marcada por salários atrasados, ele diz estar desiludido e pensar em encerrar a carreira.

Alex Cruz explica que a realidade do futebol brasileiro é dura, principalmente em Mato Grosso do Sul. Com poucas competições, o calendário dura, em média, três meses para quem joga a Série A do Sul-Mato-Grossense, e aproximadamente o mesmo tanto para a Série B. O pouco tempo de atuação e os baixos salários desmotivam os jogadores.

“Quem está em um time que disputa as três primeiras divisões nacionais, tem emprego garantido o ano todo. Aqui no Estado, onde apenas um time joga a Série D, os atletas ficam pouco tempo empregados. A primeira divisão leva uns três meses, talvez quatro se for feita a pré-temporada. Isso se a equipe avançar na classificação”, conta.

Ele explica que só não passa dificuldades, porque conseguiu guardar dinheiro durante as passagens que teve em clubes da elite do país. A esposa, que vive com o filho em Vicentina, também trabalha. “A bola para, mas as contas não. Só não passo necessidade porque tenho dinheiro guardado. Mas o que acontece com aqueles jogadores mais humildes?”, questiona.

O meio-campista alerta que a situação está insustentável e que o futebol no Mato Grosso do Sul corre risco de acabar. “Alguns culpam a Federação (FFMS), mas não adianta cobra só ela. É preciso planejamento duradouro. Os times têm calendário de três, quatro meses, pagando salários baixos. Isso não é atrativo. Eles precisam se organizar junto com a federação e buscar uma maneira de por fim ao problema”.

Fim da carreira – Lesionado no último jogo do Itaporã pela Série D do Brasileirão, e ainda sem receber um centavo pelos serviços prestados, ele diz que aguarda a recuperação para saber se para ou não. “No estado, acho que não jogo mais, pois não compensa. Se pintar uma oportunidade melhor fora, talvez eu continue, mas as expectativas são poucas. Vou esperar a recuperação completa para anunciar qual será meu futuro”, conta.

Ele reforça que, mesmo se parar de jogar, vai querer continuar ligado ao futebol. “A bola é minha vida e estudo a possibilidade de assumir algum cargo de auxiliar ou administrativo dentro de um clube. Quero continuar ligado ao futebol, inclusive, já cheguei a receber convites para ser diretor de uma equipe, mas como não há definição, não pude confirmar. Só espero que as coisas sigam o melhor caminho e que um dia o futebol mude. Tenho muitos colegas que merecem coisas boas”.



imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions