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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

25/06/2015 09:06

Foi expulso de campo e não entendeu o motivo: “Apenas dei uma pernada no juiz"

Paulo Nonato de Souza
O polivalente Anselmo, goleiro e centroavante do Comercial na década de 1980 (Foto: Arquivo pessoal)O polivalente Anselmo, goleiro e centroavante do Comercial na década de 1980 (Foto: Arquivo pessoal)

O ano era 1982, o Comercial de Campo Grande vivia uma situação de pressão pela escassez de título no Campeonato Estadual que já durava seis anos. Sua diretoria dispensou vários jogadores e ficou com um elenco reduzido. Para compensar, o treinador Vicente Arenari tratou de aproveitar alguns garotos recém promovidos das categorias de base, entre eles o goleiro Anselmo, que não era do tipo que se contentava apenas em evitar gols. Também jogava na linha, como centroavante, e fazia gols.

Promovido das categorias de base um ano antes, em 1981, pelas mãos do próprio Vicente Arenari, desde então Anselmo passou a treinar entre os profissionais. Como possuía uma certa habilidade com os pés, virou opção para o gol e para a linha no reduzido elenco comandado por Arenari e também no time de juniores do Comercial, que era dirigido por Carlos Cidreira, o Copeu, um ex-ponta direita do Palmeiras na década de 1960, que brilhou também com a camisa comercialina nos anos de 1970. Portanto, Anselmo tinha bons mestres, preferia a posição de goleiro, mas não era dos piores com os pés, tanto que fez quatro gols jogando de atacante no Estadual de Juniores.

Em dupla jornada, Anselmo treinava entre os profissionais e jogava no gol ou na linha pelo time de juniores, categoria hoje chamada de Sub-19. Polivalente, era prestigiado tanto por Copeu quanto por Arenari, e como os juniores sempre jogavam na preliminar das partidas do time principal, muitas vezes saiu de campo e foi para o vestiário trocar o uniforme de centroavante pelo de goleiro para ser opção no banco do profissional. E olha que o time principal contava com Hindemburgo e Dorival, dois goleiros consagrados.

Na época, o futebol em Mato Grosso do Sul estava no auge e o Estádio Morenão, em Campo Grande, ficava lotado nos jogos de Comercial e Operário, especialmente quando as duas equipes se enfrentavam no clássico Comerário. Seguramente era uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro e o clima ficava tenso também nos confrontos entre as duas equipes pelo Estadual de Juniores.

Numa tarde de domingo de duplo Comerário no Estádio Morenão, com as arquibancadas fervilhando emoções a espera do jogo principal, o “centroavante” Anselmo partiu para cima do árbitro como se fosse um lutador de Capoeira, após discordar de uma falta que teria cometido em um defensor do Operário. Como consequência, claro, foi expulso de campo. Eu era repórter de rádio, estava posicionado na lateral do gramado, e no momento em que ele saia fui ao seu encontro para ouvir sua explicação. Cheguei antes dos outros repórteres e fiz aquela tradicional pergunta nesse tipo de situação no futebol: “E ae, o que aconteceu?” E o Anselmo saiu com essa: “Não sei. Apenas dei uma pernada no juiz e ele me expulsou”.



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