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Esportes

Futebol indígena ganha força com clubes estruturados e inspiração em Éderson

A presença do atleta de origem terena na seleção mostra aos jovens que é possível alcançar grandes objetivos

Por Judson Marinho | 15/06/2026 14:57
Futebol indígena ganha força com clubes estruturados e inspiração em Éderson
Time do Seinter de Dois Irmãos do Buriti perfilados para execução de hino em partida (Foto: Divulgação / Seinter)

O crescimento do futebol indígena em Mato Grosso do Sul tem fortalecido não apenas a prática esportiva, mas também a valorização da cultura e da identidade dos povos originários.

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O futebol indígena em Mato Grosso do Sul vive um momento de fortalecimento com clubes como a Seinter e o CEAB ganhando espaço em competições oficiais. A trajetória do volante Éderson, convocado para a Seleção Brasileira e com raízes na etnia Terena, serve como inspiração para jovens das aldeias. Além de promover a saúde e a disciplina, o esporte consolida-se como ferramenta de inclusão e valorização cultural, projetando talentos locais para equipes profissionais de outros estados.

Em meio a esse cenário, a convocação do volante Éderson para a Copa do Mundo ganhou um significado especial para clubes indígenas do Estado, que enxergam na trajetória do atleta campo-grandense uma fonte de inspiração para crianças e jovens das aldeias.

Com descendência terena e raízes na Terra Indígena Taunay-Ipegue, Éderson se tornou um símbolo de representatividade para equipes como a Seinter (Sociedade Esportiva Indígena Terena) de Dois Irmãos do Buriti e o CEAB (Clube Esportivo Aldeia Brejão) de Nioaque, que vêm ampliando sua participação nas competições organizadas pela FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul).

A Seinter iniciou sua trajetória em competições em 2012 e conquistou a filiação à FFMS em 2022. Atualmente, disputa torneios oficiais no futebol feminino, enquanto a equipe masculina participa de competições amadoras.

Segundo o dirigente Ener Reginaldo, o clube já revelou diversos atletas indígenas que seguiram carreira em equipes de outros estados. Hoje, dois jogadores formados na equipe, Josie Barbosa e Edson “Edy”, atuam em um clube profissional do Rio de Janeiro.

Para Ener, a existência de uma equipe indígena vai muito além das quatro linhas.

“Para a comunidade indígena, é muito importante existir um time que a represente esportivamente com jogadores indígenas. O futebol contribui para o fortalecimento da identidade cultural, da união comunitária e do desenvolvimento dos jovens”, afirma.

O dirigente destaca que o clube ajuda a valorizar a história, a língua e as tradições dos povos indígenas, além de incentivar crianças e adolescentes a seguirem caminhos ligados à disciplina, ao respeito e ao trabalho em equipe. Também ressalta o papel do esporte na promoção da saúde e na ampliação da visibilidade dos povos originários.

A convocação de Éderson para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo reforça ainda mais esse sentimento de pertencimento. Para a Seinter, ver um atleta de origem terena alcançar o mais alto nível do futebol mundial mostra aos jovens indígenas que é possível sonhar alto sem abrir mão de suas raízes.

“Ver um atleta Terena vestindo a camisa da Seleção Brasileira faz com que os jovens indígenas se sintam representados e valorizados. A trajetória de Éderson inspira nossos atletas a acreditarem que é possível sair da aldeia e alcançar grandes clubes e seleções”, destaca Ener.

Segundo ele, o sucesso do volante demonstra que dedicação, disciplina e perseverança podem transformar sonhos em realidade, servindo como exemplo para as futuras gerações da Aldeia Água Azul e de outras comunidades indígenas do Estado.

Outro clube que tem ajudado a fortalecer o futebol indígena é o CEAB, de Nioaque. Há três anos disputando competições organizadas pela FFMS nas categorias de base e no feminino, a equipe já planeja dar um passo maior em 2027, quando pretende participar da Série B do Campeonato Sul-Mato-Grossense.

Futebol indígena ganha força com clubes estruturados e inspiração em Éderson
Equipe da Aldeia Brejão, de Nioaque, no estádio municipal da cidade (Foto: Divulgação / CEAB)

O presidente do clube, Wesley Gois, lembra que o CEAB foi o primeiro campeão nacional de futebol indígena e destaca o orgulho de representar tanto as comunidades indígenas quanto o município de Nioaque.

“Quando nossa equipe joga, vários ônibus saem da aldeia para torcer no estádio municipal de Nioaque”, conta.

Atualmente, Wesley, o meia Pedrinho, de 25 anos, e o goleiro Glauber, de 32, estão no Rio de Janeiro disputando a Série C do Campeonato Carioca pela equipe Ceres Originários. O próximo objetivo do clube é construir um estádio dentro da comunidade para receber partidas e fortalecer ainda mais a presença da torcida indígena.

Para o dirigente, a convocação de Éderson possui um significado simples e poderoso. “Éderson é referência para todos os garotos das comunidades indígenas”, resume.

A convocação do volante na Seleção Brasileira acontece em um momento de fortalecimento do esporte indígena em Mato Grosso do Sul.

Com clubes mais estruturados, atletas ganhando espaço fora do Estado e projetos voltados à formação de jovens, o futebol tem se consolidado como ferramenta de inclusão, valorização cultural e transformação social dentro das aldeias sul-mato-grossenses.

Futebol indígena ganha força com clubes estruturados e inspiração em Éderson
Bandeira do Cruzeiro esticada durante visita do volante Éderson em aldeia da cidade de Aquidauana (Foto: Arquivo pessoal)