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Esportes

MS tem quatro medalhas olímpicas e agora sonha com ouro em Tóquio

Antes raridade nos Jogos, atletas sul-mato-grossenses são cada vez mais presentes nas Olimpíadas

Por Nyelder Rodrigues | 27/07/2021 17:26
Na passagem da tocha olímpica por Campo Grande em 2016, coube a Zequinha Barbosa acender a pira na cidade (Foto: Ivo Lima/ME/Divulgação)
Na passagem da tocha olímpica por Campo Grande em 2016, coube a Zequinha Barbosa acender a pira na cidade (Foto: Ivo Lima/ME/Divulgação)

Um quadro dominado por atletas paulistas e que Mato Grosso do Sul aparece ainda de forma tímida: essa é a lista de medalhistas olímpicos entre os estados brasileiros, que atualmente conta com três nomes e quatro medalhas, ainda sem o tão sonhado ouro. Porém, o lugar mais alto do pódio pode vir nesta edução dos Jogos de Tóquio.

Conforme dados do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), o Brasil conquistou 129 medalhas olímpicas até o início do evento disputado no Japão em 2021. Somando as modalidades individuais e coletivas, foram 373 atletas brasileiros premiados com o ouro, prata ou bronze no peito, levando para casa 426 medalhas.

Dessas, quatro foram conquistadas por sul-mato-grossenses: em 1984, o Chicão Vidal foi o primeiro do Estado a subir no pódio olímpico, com a prata no futebol masculino após derrota para a França. Centro-avante de sucesso na Ponte Preta e no Coritiba, Chicão é de Rio Brilhante e de família toda envolvida com o futebol local.

Já a segunda medalha para Mato Grosso do Sul veio só 24 anos depois, novamente no futebol masculino. Dessa vez, o volante douradense Lucas Leiva, de sucesso no Grêmio, Lazio e Liverpool, foi o responsável pela honraria. Ele e os comandados por Dunga em Pequim 2008 ficaram com a medalha de bronze, ao bater a Bélgica.

Porém, medalhas conquistadas por atletas nascidos aqui se tornaram praxe a partir de então, graças ao talento e força de um gigante, literalmente: é o judoca Rafael Silva, bronze em Londres 2012 e Rio 2016. Diante de seus 160 kg, ele é um dos principais rivais do francês Teddy Riner, um dos principais judocas da histórias.

Quadro de medalhas e participações dos atletas de MS até a véspera da disputa no Japão (Arte: Henrique Lucas)
Quadro de medalhas e participações dos atletas de MS até a véspera da disputa no Japão (Arte: Henrique Lucas)

Rafael, também chamado de Baby, possui várias conquistas mundiais e é o principal nome do judô brasileiro atualmente. Nascido em Campo Grande, ainda bebê sua família se mudou para o interior do Paraná, onde começou a lutar aos 15 anos na cidade de Rolândia, onde cresceu e viveu a maior parte do tempo.

Em Tóquio, o atleta hoje com 34 anos tem pela frente a missão de conquistar sua terceira medalha e aumentar o quadro de vencedores brasileiros e sul-mato-grossenses. Baby deve encontrar o francês Riner apenas nas semifinais e faz todos os que estão torcendo por ele sonharem com a conquista de uma medalha de ouro.

Desejo dourado - O ouro, inédito para Mato Grosso do Sul, também pode "desembarcar" em nosso solo por meio de outros atletas esse ano. Nesta terça-feira (27), um deles mergulha em sua primeira final olímpica: é o nadador Leonardo de Deus, que disputa o topo do pódio a partir das 21h49 (horário de MS) após fazer o tempo de 1m54s97.

Léo nasceu em Campo Grande e já disputou as edições de 2012 e 2016 dos Jogos, nos 200 metros borboleta e nos 200 metros costas. Em ambos ele parou nas semifinais. Agora em 2021 e com 30 anos, ele focou nos 200 metros borboleta e conseguiu chegar à final com o segundo melhor tempo das piscinas no Japão.

Em 2019, Léo de Deus visitou MS, tirou foto com fãs mirins e acompanhou competição que leva seu nome (Foto: Marcos Maluf)
Em 2019, Léo de Deus visitou MS, tirou foto com fãs mirins e acompanhou competição que leva seu nome (Foto: Marcos Maluf)

Apesar da certidão campo-grandense, Leonardo logo cedo acompanhou a família para fora do Estado e começou a nadar em Belém (PA). Mas nada disso fez com que sua raiz sul-mato-grossense se perdesse. Além de continuar com familiares em Campo Grande, ele já realizou visitas ao Estado e inclusive recebeu homenagens.

Tricampeão pan-americano, ele se tornou referência nacional e regional, tanto que o Campeonato Sul-mato-grossense de Natação foi batizado com seu nome. Em 2019, ele veio à Capital e acompanhou a última etapa da competição.

Outra chance de medalha de ouro novamente vem do futebol, mas agora o feminino, e de uma atleta que sequer nasceu aqui, mas tem o "coração pantaneiro" dividido com o vizinho do norte. Bruna Benites, ex-capitã da seleção feminina de futebol.

Após a prata em 2008, a seleção feminina criou muita expectativa. Contudo, não conseguiu subir no pódio em 2012 e 2016, anos em que Bruna esteve no elenco. Em sua terceira edição, agora sob o comando da sueca Pia Sundhage, ela espera não bater mais na trave e também entrar para a história olímpica brasileira.

Nascida em Cuiabá (MT), onde também já defendeu clubes locais, Bruna veio ainda jovem para Campo Grande com a família, que ainda vive aqui, e ficou famosa pelo talento que demonstrou defendendo as cores que equipes de futebol, como o Comercial, e de futsal, como a UCDB (Universidade Católica Dom Bosco).

Talita Antunes é de Aquidauana e representou o Brasil nos Jogos Olímpicos três vezes (Foto: Divulgação/CBV)
Talita Antunes é de Aquidauana e representou o Brasil nos Jogos Olímpicos três vezes (Foto: Divulgação/CBV)

Na trave - Mato Grosso do Sul viu outros atletas nascido em seu solo na disputa olímpica e que, assim como Bruna e Léo, também bateram na trave na tentativa de conquistar uma medalha - porém, ambos já não estão mais na disputa.

O caso mais clássico é da aquidauanense Talita, do vôlei de praia. Em Pequim 2008, a jogadora que fez dupla com Renata terminou em quarto lugar. Quatro depois, em Londres, ela fez dupla com Maria Elisa e caiu nas oitavas de final.

Na edição carioca das Olimpíadas, ela fez parceria com Larissa e novamente ficou em quarto. Após uma pausa na carreira para engravidar, ela voltar recentemente a competir, mas não conseguiu vaga em Tóquio. Hoje, ela possui 38 anos.

Outro multicampeão com destaque mundial mas que nos Jogos Olímpicos também não conseguiu chegar ao pódio foi o três-lagoense Zequinha Barbosa. Atualmente com 60 anos, ele foi referência nacional em um período de grandes nomes no atletismo.

Competindo nos 800 metros, Zequinha fez sucesso e foi a quatro edições dos Jogos Olímpicos: Los Angeles 84, Seul 88, Barcelona 92 e Atlanta 96. Suas melhores colocações foram um sexto lugar na capital sul-coreana e um quarto na cidade catalã.

Ruth recebendo medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos disputados em Havana, capital de Cuba, das mãos de Fidel Castro (Foto: Divulgação/CBB)
Ruth recebendo medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos disputados em Havana, capital de Cuba, das mãos de Fidel Castro (Foto: Divulgação/CBB)

No garrafão - Também de Três Lagoas, Ruth de Souza, a Rutão, fez nome como pivô da seleção feminina de basquete, conquistando o Pan-americano de Havana em 1991 e ser cumprimentada por Fidel Castro. Nesse ano, em decorrência da covid-19, ela foi internada e não resistiu, morrendo no dia 13 de abril.

Rutão também foi campeão mundial em 1994 e disputou uma edição das Olimpíadas, em 1992, ficando em sétimo - na edição seguinte, Atlanta 1996, ela não fez parte do grupo medalhista de prata, mas ainda assim marcou seu nome no basquete nacional.

Finalizando a lista de sul-mato-grossenses olímpicos, mais um atleta acostumado a ter que usar a sua força no garrafão, local onde predominam os pivôs de basquete: é o Joélcio Joerke, o popular Janjão, nascido em Campo Grande.

Ídolo da bola ao cesto flamenguista, Janjão defendeu o Brasil ao lado de Oscar Schimidt em 1996. Com a camisa 15, ele conquistou o sexto lugar no torneio que, para o basquete nacional, foi a despedida do craque Oscar das quadras.

Leonardo de Deus carrega no braço os anéis olímpicos, conforme mostrou para o Campo Grande News em 2019 (Foto: Marcos Maluf)
Leonardo de Deus carrega no braço os anéis olímpicos, conforme mostrou para o Campo Grande News em 2019 (Foto: Marcos Maluf)
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