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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

09/06/2015 09:06

Nos bons tempos, Operário só temia o jogo “extra campo” dos times cariocas

Paulo Nonato de Souza
O carioca Carlos Castilho foi treinador do Operário de Campo Grande entre 1976 e 1983 (Foto: Arquivo)O carioca Carlos Castilho foi treinador do Operário de Campo Grande entre 1976 e 1983 (Foto: Arquivo)

Futebol em Mato Grosso do Sul anda em baixa, sem glamour e sem apelo popular já faz um bom tempo, especialmente em Campo Grande. Mas não quero aqui apontar culpados, apenas recordar com saudade do tempo em que eu era repórter setorista do Operário Futebol Clube.

Na década de 80, o Operário era respeitado nacionalmente como o “bicho papão” do Centro-Oeste. Os grandes de São Paulo, Rio, Minas e Porto Alegre temiam enfrentá-lo. E assim, sempre que a CBF divulgava a tabela do Campeonato Brasileiro, o treinador Carlos Castilho reunia os repórteres setoristas do clube para uma projeção de pontos possíveis de serem conquistados na competição.

Contra equipes como o Coritiba, Atlético Paranaense, Goiás, Ponte Preta, Figueirense e Avaí, por exemplo, Castilho marcava quatro pontos (vitória valia dois pontos), ou seja, vitória em Campo Grande e também fora de casa. E não era só na teoria, funcionava de fato. Era raro o Operário perder ponto para essas equipes, tanto lá quanto cá.

Contra os grandes times paulistas - Santos, Corinthians, São Paulo e Palmeiras – Castilho marcava dois pontos em Campo Grande e um ponto fora. Diante dos chamados grandes do Rio – Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo – o treinador operariano, que durante 18 anos foi goleiro do Fluminense, entre 1946 e 1964, sempre marcava um ponto de interrogação na frente de cada confronto, tanto em Campo Grande quanto no Rio.

Castilho foi treinador do Operário de 1976 a 1983, com uma rápida passagem pelo Internacional de Porto Alegre em 1977. No total, foram oito anos de trabalho no futebol sul-mato-grossense e todos os anos era sagrado o encontro dele com os repórteres setoristas para a projeção de pontos no Brasileirão, e eu sempre saia intrigado com o fato de ele não projetar conquista de pontos diante dos times cariocas. Certa vez fiz questão de perguntar se o motivo do tratamento diferenciado era porque considerava os times do Rio mais fortes do que os outros. E o carioca Carlos Castilho respondeu: “Acontece que os times do Rio jogam muito bem fora de campo”. É que na época, bem mais do que hoje, os clubes cariocas tinham a fama de jogar com o apoio da arbitragem graças aos “arranjos” na CBF.



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