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Esportes

Projeto em bairro carente usa método europeu e paga salário a atletas

Por Filipe Prado | 10/12/2013 14:45
Futebol é usado para mudar realidade de bairro marcado pela violência e drogas na Capital (Foto Marcos Ermínio)
Futebol é usado para mudar realidade de bairro marcado pela violência e drogas na Capital (Foto Marcos Ermínio)

Com base nos clubes Europeus, um projeto ensina futebol para crianças carentes do bairro Dom Antonio Barbosa. Os jogadores recebem salário, assinam contrato com o clube e até são multados pelos atos dentro e fora de campo.

O projeto já tem cerca de dois anos, desde que Edelson Ortiz Cordeiro, 22 anos, começou a treinar as crianças. “Eu moro aqui há muito tempo, desde 1998, então criei a ideia, pegamos um terreno aqui. Por um bom tempo sustentei o projeto, tirando dinheiro do meu bolso”.

Mas este ano Nilton Braz Giraldelli, 55, também entrou no projeto, para ajudar as crianças. “Eles jogavam em um campo bem precário. Então pegamos um lugar, que os moradores jogavam lixo, limpamos e agora serve como campo improvisado para o time”, comenta.

Ele relata que precisam de ajuda para continuar sustentando o projeto. “Nós ganhávamos um dinheiro da prefeitura, mas foi cortado, então fazemos algumas promoções para comprar uniformes e materiais, e também conseguimos alguns patrocínios, mas ainda não é muito”, explica Nilton.

Edelson conta que a paixão pelo time, Club Atlético Santista, como é chamado, é tanta, que agora dedica todo seu tempo como técnico. “Eu tinha um emprego quando comecei, mas decidi que deveria cuidar somente do time, pois estamos mudando a vida de muitas crianças”, comenta o treinador. Que hoje já ganha uma ajuda de custo, para poder trabalhar com o time, mas “ainda não é considerado um salário”, comenta Nilton Braz.

Eles comentam que após o projeto começar no bairro, a violência vem diminuindo. “Aqui é um bairro bem violento, com muitas drogas, mas a situação daqui vem mudando bastante, depois que começamos este projeto, este acompanhamento”, relata Nilton. “ Ainda tentamos agregar as famílias, que agora incentivam os filhos”.

O Clube – Para entrar no time as crianças e adolescente, de 5 até 18 anos, tem que passar por testes, tudo seguindo os moldes de um time europeu. “Nós pegamos o exemplos de grandes times, principalmente o futebol espanhol. Temos todo o profissionalismo de um desses grandes times”, comenta Edelson.

Até a administração do time é organizada como um clube europeu. “Nós pagamos salários para os jogadores, R$ 50 para os melhores e R$ 10 para quem começou agora, eles recebem holerite, pagam multa, com valores que variam de acordo com a ato, sendo que o mais grave é o desrespeito com a mãe do colega”, afirma o técnico.

Hoje são cerca de 60 crianças e adolescentes atendidos, divididos em três times. “Nós temos os times A, B e C, que podem fazer negociações entre si, como os clubes maiores fazem. E temos o time principal, que, para nós, é como se fossemos convocados para a seleção Brasileira”, explica Edelson.

O objetivo do Club Atlético Santista é entrar no Campeonato Estadual, além de terminar a sede do time, afirma Edelson. “Até 2016 queremos estar na Série B do Campeonato Estadual, assim ir subindo. E antes da Copa do Brasil, nós já teremos nossa sede construída”, que também começará o curso de Educação Física, em 2014, com o intuito de entrar a Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul.

Doações – Mesmo que hoje muitos integrantes do clube já possuem chuteiras e uniforme, Nilton relata que ainda é pouco e que precisam de recursos para continuar com o projeto. “Agradecemos o que já recebemos, mas ainda é pouco para sustentar o projeto, pois ano que vem pretendemos aumentar o salário das crianças, além das outras que entrarão no time”.

Em parceria com a Galeria dos Esportes, o time está recebendo doações de materiais esportivos. “Com estas doações nós queremos conseguir 50 jogos completos para o time, que conta com camiseta, calção, chuteira, caneleira e meião”, afirma Nilton.

As doações podem ser entregues na Galeria dos Esportes, localizada na rua Sete de Setembro, 654, centro. Mais informações pelo telefone 3384-2210.

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