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08/04/2017 07:00

Temer faz 'Renan à pantaneira' no Palácio do Jaburu

Waldemar Gonçalves

Jantar com presidente – Os senadores Waldemir Moka e Simone Tebet (ambos do PMDB-MS) foram recebidos quinta-feira, no Palácio Jaburu, para jantar com o presidente Michel Temer (PMDB). No cardápio a tentativa do senador Renan Calheiros de levar o PMDB a dificultar as ações do governo no Senado.

Renan sozinho – Os três chegaram à conclusão que Renan está praticamente sozinho na “oposição”. Só seguem o senador alagoano os colegas Roberto Requião, Kátia Abreu e Edison Lobão e por razões diversas.

Ruins, mas necessárias – Temer pediu votos dos senadores sul-mato-grossenses para aprovar a reforma previdenciária. Moka deixou claro sua posição contrária ao texto original, mas admitiu ao presidente que as mudanças, com alguns ajustes, “são ruins, mas necessárias”. Para o senador, seria irresponsabilidade não buscar uma alternativa para viabilizar a Previdência do país. “Do contrário, o caos vai se instalar”, prevê, lembrando da situação hoje do Rio de Janeiro, que não tem dinheiro nem para pagar salário.

Falta de comunicação – A reação contrária a reforma da Previdência, principalmente pelos sindicatos, deve-se em parte, na avaliação dos senadores, à falta de uma comunicação mais objetiva e esclarecedora do governo sobre o projeto. Por exemplo: a maioria dos trabalhadores, com salários de até dois mínimos, não será afetada pelas mudanças. Um ponto positivo é que acaba com os privilégios. Magistrados e políticos não serão mais aposentados com salários integrais.

Saída para o Funrural – No jantar com o presidente, Waldemir Moka defendeu uma saída para a questão do Funrural, que o STF (Supremo Tribunal Federal) considerou legal a cobrança. Enquanto questionado na Justiça, os produtores deixaram de recolher a taxa e hoje possuem milhões em dívidas. Temer prometeu conversar com a área econômica do governo para buscar alternativa que atenda a lei e os produtores rurais. A resposta deve vir na semana que vem.

É, mas não é – O ex-governador André Puccinelli (PMDB) age como candidato. Mas, para os mais próximos diz que não gostaria de ser. Seu escritório vive cheio de políticos, participa de reuniões, viagens permanentes para o interior e um cuidado especial com sua situação jurídica, em função das denúncias da Polícia Federal e Ministério Público. No meio da semana, esteve em Brasília para acompanhar os processos e avalia que o perigo já passou.

Cenário improvável – O processo eleitoral de 2018 depende ainda de muita coisa. Mas, quem acompanha de perto a movimentação, tem como certo que André Puccinelli (PMDB) e Reginaldo Azambuja (PSDB) não se enfrentam nas urnas. Puccinelli só seria candidato se tiver uma larga vantagem nas pesquisas e Reinaldo, que enfrenta dificuldades no governo, ainda tem tempo de recuperação. No PMDB, boa parte dos dirigentes e parlamentares querem o governador como candidato a reeleição.

Conta de 2014 – Com os prefeitos peemedebistas, Reinaldo tem dificuldades. No primeiro turno da eleição de 2014, o governador venceu em nove municípios. O PMDB ficou ao seu lado no segundo turno e, em contrapartida, a promessa de que, se vencesse, não faria campanha nas cidades onde o PSDB enfrentasse os peemedebistas. Reinaldo venceu em 49 cidades, mas não deixou de ir pedir votos contra seus aliados de 2014. Agora, enfrenta resistência e muita dificuldade para juntar o rebanho novamente.

Repórter especial – Principal aliado da Prefeitura de Campo Grande na briga contra a Santa Casa, o jornal Correio do Estado mandou um repórter especial acompanhar a reunião que selou novo acordo entre município e o maior hospital de Mato Grosso do Sul: o próprio diretor, Antonio João Hugo Rodrigues. Ele ficou o tempo todo sentado na mesa de reunião ao lado do prefeito, Marquinhos Trad (PSD).

Presença ignorada – O empresário teve um privilégio, já que foi o único da imprensa com direito a sentar-se à mesa de negociação. Com direito a fotografia estampada na capa do site oficial da Prefeitura, ilustrando um texto que, no entanto, ignorou sua presença.

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