Obra de arte com 126 degraus transforma escadaria histórica
O artista visual Marcos Rezende trabalha há dias na intervenção artística do Festival América do Sul
Os 126 degraus da escadaria que liga a Avenida General Rondon à Alameda José Bonifácio e ao Porto Geral, em Corumbá, ganharam novas cores nos últimos dias e já chamam a atenção de quem passa pela região histórica da cidade. A intervenção artística faz parte das ações do Festival América do Sul e será oficialmente inaugurada na semana que vem, durante o evento.
A obra foi criada pelo artista visual Marcos Rezende, convidado pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul para transformar um dos pontos mais conhecidos da área portuária de Corumbá em uma grande instalação de arte urbana a céu aberto.
“Se tratando de um patrimônio histórico nacional, eu fiquei muito honrado. É uma história muito rica essa região”, afirma o artista, que também destaca que todo o trabalho foi realizado com aval do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
Foram cerca de 15 dias de trabalho intenso sob o calor forte da cidade pantaneira. Marcos chegou a Corumbá no dia 27 de abril e passou a rotina inteira entre pincéis, tinta e os degraus da escadaria.
“Estou trabalhando das 6h da manhã às 18h, fazendo um intervalo para o almoço. E o sol aqui é tipo um raio laser, então a gente tem que dar um tempo”, relata.
Segundo Marcos, a obra também foi pensada para ser observada de diferentes ângulos ao longo dos 126 degraus. As formas e os animais retratados vão surgindo conforme a pessoa sobe ou desce a escadaria, criando uma espécie de jogo de perspectiva. “Dependendo do ponto que a pessoa olha, ela começa a enxergar os bichos aparecendo na obra. A ideia era justamente fazer com que as pessoas parassem, observassem e descobrissem novos elementos no caminho”, explica o artista.
Mesmo antes da inauguração oficial, a escadaria já começou a mudar a paisagem e a relação das pessoas com o espaço. Entre moradores, turistas e curiosos, o movimento aumentou e muita gente voltou a parar no local para observar a transformação.
“É uma alegria tão grande fazer esse tipo de arte urbana. São áreas geralmente muito cinzas e trabalhar com cor, trazer arte para a população... se a gente não vai ao museu, a gente traz para a população”, diz Marcos.
Segundo ele, a arte urbana tem o poder de provocar sentimentos até em meio à correria da cidade. “É muito satisfatório fazer parte do contexto urbano. Às vezes é um suspiro que a pessoa precisa no meio de um caos urbano.”
O artista também conta que ficou emocionado com o retorno do público durante a execução da obra. “Fiquei muito feliz com as respostas das pessoas, que falavam que o lugar ficou diferente, que não passavam ali há tanto tempo e agora querem voltar a frequentar.”
Para Marcos, a intervenção vai além da estética. “Uma obra que traz cor ativa diversas áreas do cérebro, traz felicidade e contemplação. E todas as pessoas são atingidas pela arte.”
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