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Arquitetura

Com loja em Campo Grande, Tok&Stok entra com pedido de recuperação judicial

A loja de móveis, criada como foco casas mais compactas, é referência em design de menor custo

Por Ângela Kempfer | 12/05/2026 11:56
Com loja em Campo Grande, Tok&Stok entra com pedido de recuperação judicial
Loja na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, foi inaugurada há 11 anos (Foto: Arquivo)

O grupo Toky, controlador das redes de móveis e decoração Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial após acumular dívidas superiores a R$ 1,11 bilhão. A ação foi protocolada nesta terça-feira (12) na Vara de Falências e Recuperações Judiciais do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo). A loja de móveis, criada como foco casas mais compactas, tem unidade em Campo Grande desde 2015, na Avenida Afonso Pena.

RESUMO

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O grupo Toky, controlador das redes Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial após acumular dívidas superiores a R$ 1,11 bilhão. O pedido foi protocolado na Vara de Falências do TJ-SP. A crise ocorre menos de dois anos após uma recuperação extrajudicial e cerca de um ano após a fusão das marcas. O grupo opera 63 lojas e emprega 2,2 mil trabalhadores, incluindo uma unidade em Campo Grande, inaugurada em 2015.

A nova crise ocorre menos de dois anos após a Tok&Stok recorrer a uma recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 642 milhões em dívidas, principalmente com bancos e instituições financeiras. Naquele momento, a estratégia era reorganizar parte do passivo sem ampliar os efeitos para fornecedores, funcionários e clientes.

A recuperação extrajudicial é uma negociação mais limitada. A empresa conversa diretamente com parte dos credores, normalmente bancos e instituições financeiras, tenta fechar acordos e depois leva isso para homologação da Justiça. É quase um “acordo supervisionado”. Já a recuperação judicial é bem mais ampla e mais grave. A empresa admite que não consegue mais reorganizar as dívidas apenas negociando com alguns credores e precisa de proteção judicial para evitar bloqueios, cobranças e até risco de falência.

O pedido de agora mostra um agravamento do cenário financeiro. O grupo afirma enfrentar risco de paralisação das atividades, pressão de credores, bloqueios patrimoniais e dificuldades de fluxo de caixa. Diferentemente da recuperação extrajudicial de 2024, a recuperação judicial permite uma proteção mais ampla contra cobranças enquanto a empresa tenta reorganizar as dívidas.

Em comunicado ao mercado, a companhia atribuiu a crise ao cenário econômico considerado desfavorável, marcado por juros elevados, aumento do endividamento das famílias e restrição ao crédito. Segundo o grupo, esses fatores afetaram diretamente as vendas, que seguem abaixo do esperado.

A empresa também afirmou enfrentar problemas de liquidez no curto prazo por causa de limitações temporárias nos estoques, situação que estaria pressionando ainda mais o caixa.

A recuperação judicial ocorre cerca de um ano e meio após a união entre Tok&Stok e Mobly, concluída em novembro de 2024. À época, a fusão foi apresentada como uma aposta para fortalecer as operações, ampliar receitas e gerar integração logística e tecnológica entre as duas marcas. No processo apresentado agora à Justiça, porém, o grupo reconhece que as sinergias esperadas não produziram os resultados inicialmente projetados.

Juntas, as marcas operam 63 lojas físicas e empregam aproximadamente 2,2 mil trabalhadores.

Na petição, o grupo afirma que a deterioração econômica entre 2022 e 2025 comprometeu os resultados das empresas. Apenas em 2025, a companhia registrou prejuízo de R$ 146,9 milhões.

Os advogados responsáveis pelo pedido sustentam que o grupo enfrenta “grave risco de paralisação total das atividades” devido ao avanço de cobranças judiciais, execuções de dívidas e bloqueios financeiros feitos por credores, bancos e fornecedores. Por isso, a empresa pediu proteção judicial urgente para suspender cobranças enquanto negocia a reestruturação financeira.

Outro ponto citado no processo envolve a retenção de R$ 77 milhões em recebíveis de vendas por cartão de crédito pela SRM Bank Instituição de Pagamentos. Segundo a Toky, o bloqueio compromete o fluxo de caixa necessário para manter lojas, centros logísticos, fornecedores e até o pagamento de salários previsto para o próximo dia 15.

O grupo argumenta que o valor retido seria desproporcional diante do débito vencido, estimado em cerca de R$ 1,3 milhão. A empresa também sustenta que nunca assinou contrato autorizando a cessão fiduciária dos recebíveis de cartão como garantia das operações com a instituição financeira.

No mercado financeiro, a reação foi imediata. Por volta das 11h40, as ações da companhia caíam mais de 34%, negociadas a R$ 0,19.