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Artes

Após "salvar terra" de alagamento, Ruivaldo vira protagonista em documentário

Aos 57 anos, o corumbaense virou personagem de documentário e conta a história da enchente que quase destruiu sua morada

Por Alana Portela | 01/06/2020 11:34
Ruivaldo Nery de Andrade abraçando um tronco durante a gravação do documentário. (Foto: Carolina Freitas da Cunha\Divulgação)
Ruivaldo Nery de Andrade abraçando um tronco durante a gravação do documentário. (Foto: Carolina Freitas da Cunha\Divulgação)

Corumbaense, Ruivaldo Nery de Andrade virou protagonista de documentário e conta como conseguiu salvar sua terra de um alagamento que ocorreu nos anos 80, no Pantanal sul-mato-grossense. Aos 57 anos, ele relata que usou a estratégia de construção de diques para conter a enchente.

A história está no documentário “Ruivaldo, o homem que salvou a terra”, que será exibido no dia 3 de junho, a partir das 19h30, na 9ª Mostra Ecofalante de Cinema – Especial Semana do Meio Ambiente. A transmissão é on-line, por este link.

Ruivaldo nasceu na década de 60, em Corumbá, 425 quilômetros de Campo Grande. Estudou fora, mas no começo dos anos 80 retornou ao local após uma grande enchente, na tentativa de salvar a fazenda Mutum, terra de sua família.

Cena do documentário que mostra a região do Alto Taquari alagada. (Foto: Carolina Freitas da Cunha\Divulgação)
Cena do documentário que mostra a região do Alto Taquari alagada. (Foto: Carolina Freitas da Cunha\Divulgação)

O local estava sendo tomado por um alagamento. A terra fica na região do Alto Taquari e deixou de absorver as águas das chuvas, que passaram a escorrer pelo solo arenoso, cavando voçorocas e assoreando os rios de uma das principais bacias do Pantanal.

É uma situação que demoraria milhares de anos para acontecer, porém o fenômeno se antecipou num intervalo de 40, 50 anos. Isso porque, os rios mais rasos e cheios de sedimentos vão se espraiando e o regime de cheias e vazantes que fazia a riqueza do solo e a biodiversidade do bioma se interrompeu. Uma consequência grave desse desastre na planície pantaneira é o rebaixamento do aquífero Guarani

Na tentativa de amenizar a situação, a partir de 2007, Ruivaldo começou a construir diques para conter as águas e preservar o solo para cultivo. O trabalho foi intenso, porém ele conseguiu solucionar o problema e hoje vive numa ilha de terra firme, cercada por um mar de alagamento.

Área de plantiou capturada durante a gravação do filme. (Foto: Carolina Freitas da Cunha\Divulgação)
Área de plantiou capturada durante a gravação do filme. (Foto: Carolina Freitas da Cunha\Divulgação)

A história foi registrada pelas lentes de João Farkas e contou com a direção de Jorge Bodanzky. Foram 17 meses até a conclusão do filme, divididos em seis viagens para gravação aérea da região, pesquisas e entrevistas. A obra teve lançamento mundial em setembro de 2019, na Bélgica.

No documentário, além de relatar sua história, Ruivaldo pede “quero meu Pantanal de volta”. O filme também conta com a participação do biólogo Sandro Menezes Silva, que destaca que degradar o Cerrado e o Pantanal é destruir a grande “caixa d`água” do país. Isso porque é onde estão as nascentes das principais bacias hidrográficas, devido à alta capacidade de absorção de água de chuva que havia e que recarregava o lençol freático.

O biólogo ainda fala o mesmo processo desastroso está se repetindo nas bacias dos rios Aquidauana, Miranda e Negro.

A mostra também com outros quatro filmes produzidos no Brasil, Canadá, Estados Unidos e Reino Unido. Confira a programação por aqui.

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