Artista Galvão Preto é homenageado na mostra Pretou com exposição

A Mostra Pretou, que acontece neste sábado (18, traz uma homenagem especial ao artista visual Galvão Preto, que morreu em 2023. A exposição está no Teatro do Mundo, na Rua Barão de Melgaço, 177, no centro.
A mostra reúne obras que ajudam a contar a história de um artista que nunca parou de criar. Mesmo após sua morte, o trabalho continua vivo por meio das peças expostas.
A curadoria é de Jacy Curado, que foi companheira de Galvão por 25 anos. Ela aceitou o convite do idealizador da mostra, Fábio Castro, para levar as obras ao público. “Quando um artista morre, a sua obra continua. Eu tenho esse compromisso de manter o trabalho do Galvão vivo”, afirma.
Jacy também conta que prepara uma nova exposição com uma das últimas séries do artista, chamada “O artista negro viajante”. O trabalho percorre lugares ligados à história da escravidão no Brasil, como Ouro Preto, Rio de Janeiro e Maranhão. A ideia é mostrar esse passado a partir do olhar de um artista negro.
Quem visitar a Pretou já consegue entender um pouco da trajetória de Galvão. Ele era conhecido por estar sempre produzindo, usando diferentes materiais. Durante a pandemia, por exemplo, criou cidades com papelão. Em outros momentos, fez esculturas com farinha de mandioca e até instrumentos próprios.
Nascido no Rio de Janeiro, Galvão Preto viveu em Mato Grosso do Sul desde os anos 2000. Sua obra mistura elementos da cultura local, como o Pantanal e seus animais, com temas mais amplos, como memória e identidade negra.
O próprio nome artístico já mostrava seu posicionamento. Mais do que um nome, era uma forma de afirmar sua identidade em um espaço onde artistas negros nem sempre tiveram visibilidade.
Além da arte, Galvão também era lembrado pela forma de ser. Amigos o descrevem como uma pessoa calma, atenciosa e boa de ouvir. “Ele era uma pessoa muito tranquila, muito forte espiritualmente”, diz Jacy.


