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Artes

Cabaças, biojoias e bordados mostram outro lado da Feira Literária de Bonito

Feira Literária mostra que cultura também é feita com as mãos

Por Thailla Torres | 10/07/2026 09:33
Cabaças, biojoias e bordados mostram outro lado da Feira Literária de Bonito
Pavilhão de artesanatos está lotado de criações de artesãos sul-mato-grossenses (Foto: Elis Regina)

Enquanto os livros ocupam o centro da 10ª FLIB (Feira Literária de Bonito), outro espaço ganha atenção no pavilhão. Com cabaças, bordados, biojoias, bolsas, cosméticos naturais, camisetas e panos de cera reutilizáveis, artesãos e empreendedores mostram que a cultura também pode ser contada por meio do trabalho manual.

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Na 10ª Feira Literária de Bonito, o pavilhão de artesanato reúne associações e pequenos negócios locais que expõem peças inspiradas no Cerrado, no Pantanal e na cultura regional. Entre os destaques estão cosméticos naturais, bordados, cabaças decorativas e panos de cera reutilizáveis. Além de gerar renda, iniciativas como o grupo Mulheres que Criam e o projeto Fibra Viva promovem inclusão social e autonomia financeira para mulheres da comunidade.

A área dedicada à economia criativa reúne associações, coletivos e pequenos negócios de Bonito, com produtos inspirados na fauna, na flora, no Cerrado, no Pantanal e nas histórias da própria comunidade. Além de divulgar o artesanato local, o espaço ajuda a gerar renda e valoriza quem vive da própria criatividade.

Na Associação Eco Criativos Grande Marambaia, por exemplo, o trabalho vai além da produção de peças. O grupo oferece oficinas gratuitas para incentivar novos empreendedores da comunidade.

"A gente está oferecendo oficinas gratuitas para que outras pessoas que queiram empreender também possam produzir e se associar. Tudo isso tem esse foco de gerar renda para a comunidade", explica o presidente da associação, Genivaldo Luz.

Entre os produtos expostos estão marcadores de livros em formato de pássaros, feitos com papel machê, coquinho de bacuri e pedaços de couro.

Já a Associação dos Artesãos de Bonito reúne peças como chaveiros de capivara, brincos inspirados em araras e tucanos, bolsas, agendas, objetos feitos com sementes, madeira reaproveitada e referências ao poeta Manoel de Barros.

"É gratificante porque a gente consegue expor e vender os nossos produtos. Fazer parte é importante porque é um coletivo que orienta e ajuda", afirma a artesã Rejane Nascimento Figueira.

A natureza também é protagonista em diversos estandes. No Ateliê Calabaza, a artesã Micchelle Vieira Martins transforma cabaças, tecidos e crochê em peças decorativas e utilitárias. Na Cerrado Bonito, Joana Duarte produz sabonetes, shampoos, hidratantes e repelentes naturais usando ingredientes do Cerrado, como bacuri e bocaiúva.

"Eu cresci observando minha avó, que tratava a gente com remédios naturais. Depois fiz curso de plantas medicinais e fui desenvolvendo os produtos", conta.

Também inspirada nas plantas medicinais, Yolanda Prantl Mangieri apresenta cosméticos naturais na Mãos do Cerrado.

"Eu faço um chá para fazer os sabonetes. É uma técnica que eu desenvolvi", explica.

A sustentabilidade aparece ainda nos panos de cera reutilizáveis produzidos pela Ybirá Ecodesign, alternativa ao plástico filme.

"É biodegradável e reutilizável. Você usa, lava, seca na sombra e reutiliza de seis a oito meses. Quando perde a liga, pode ir para a compostagem ou virar acendedor de churrasqueira. Não sobra nada na natureza", destaca Katia Cardeal.

Cabaças, biojoias e bordados mostram outro lado da Feira Literária de Bonito
Cabaças viram diversos objetos de decoração

Na La Pablita Bordados, livros, músicas e poemas ganham forma em linhas e tecidos.

"O bordado transmite através das linhas aquilo que, às vezes, a gente não consegue trazer de outra forma. Um trecho de livro ou de música pode ganhar significado nas linhas tortas do bordado", diz Gabriela Rodrigues Junqueira.

Além da arte, alguns projetos também têm impacto social. O grupo Mulheres que Criam reúne cerca de 25 mulheres em oficinas semanais de crochê promovidas pelo CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) de Bonito.

"É uma possibilidade de autonomia financeira, mas também de resgate da autoestima. Muitas relatam que estavam em processo de depressão e que o crochê também se tornou uma terapia", afirma a psicóloga social e comunitária Heli Figueiredo.

No Instituto Família Legal, o projeto Fibra Viva reaproveita malotes descartados dos Correios para produzir bolsas e outros acessórios. Parte da renda fica com as mulheres que confeccionam as peças e o restante ajuda a manter as atividades da instituição.

A costura criativa também aparece no trabalho da artesã Erondina Mancuello Peralta, que transforma paisagens de Bonito em bolsas e acessórios.

"Bonito é um lugar propício para isso. A própria cidade vai fornecendo elementos para a nossa criatividade", destaca.

Já a artista Buga Peralta leva camisetas com ilustrações autorais inspiradas na fauna pantaneira. Em uma das estampas, o desenho foi criado pelo próprio neto da artista.

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