Cakau começou fazendo roupas para Barbies e hoje cria moda na Áustria
Na contramão do fast fashion, ela aposta em peças duráveis e produção em pequena escala
As roupas das Barbies foram o primeiro laboratório de Cakau Cassel, que vive há 16 anos na Áustria e trabalha com moda sustentável. O que começou na infância virou uma carreira construída entre Brasil e Europa. Hoje a campo-grandense faz vestidos de noiva de renda e o que mais aparecer que a desafie.
RESUMO
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A campo-grandense Cakau Cassel, que vive há 16 anos na Áustria, construiu uma carreira na moda sustentável inspirada desde a infância em suas bonecas Barbie. Trabalhando com slow fashion, ela produz peças artesanais atemporais em pequenas quantidades, com modelagem própria adaptável a diferentes corpos. Sua marca une raízes brasileiras à experiência europeia, priorizando qualidade e durabilidade em oposição ao fast fashion.
“Minha afinidade com a moda começou ainda na infância. Naquela época, as roupas das bonecas eram muito caras, e eu tinha vontade de criar peças diferentes para elas. Assim, eu podia vestir minhas Barbies do jeito que imaginava, e não apenas com aquilo que já vinha pronto das lojas.”
A brincadeira foi apenas o começo. Na adolescência, a criatividade ganhou outra forma e Cakau passou a produzir bijuterias para vender no colégio.
"Principalmente colares de miçangas. Essa vontade de construir algo com as próprias mãos me acompanha desde criança. Mas tudo começou mesmo naquele universo de imaginação, brincadeira e liberdade que as Barbies e as minhas outras bonecas representavam para mim.”
Desde 2004, Cakau trabalha com moda e, antes de chegar à Áustria, também passou por Londres. A escolha pelo slow fashion, ou seja, o conceito de produção mais consciente e que valoriza qualidade, durabilidade, veio muito antes de o termo se tornar popular. A preocupação com a forma como as roupas são produzidas e consumidas sempre esteve presente em seu processo criativo.

"A sustentabilidade sempre esteve presente no meu processo criativo, muitas vezes de maneira intuitiva. Sempre me chamou a atenção a forma como as pessoas consomem moda, principalmente o crescimento das roupas descartáveis, produzidas em grandes quantidades e, muitas vezes, por meio de mão de obra mal remunerada.”
A escolha também influencia a maneira como as peças são feitas. Ela ressalta que cria moda desacelerada, ou seja, atemporal e que trabalha com produções limitadas. E mais, em vez de seguir a numeração tradicional, Cakau criou uma numeração própria.
“É uma modelagens pensadas para se adaptar de maneira confortável e harmoniosa a diferentes corpos. Todas as peças podem ser ajustadas".
E a relação com a peça não termina na compra. Cada cliente pode voltar ao ateliê para ajustes ou pequenos reparos. A ideia é que se uma roupa pode ser consertada ou adaptada, não precisa ser descartada. "Para mim, sustentabilidade também significa criar uma relação mais duradoura entre a pessoa e a roupa que ela escolhe vestir.”
Antes de atravessar o oceano Cakau começou em Campo Grande. O primeiro espaço de trabalho foi dentro da própria casa. Depois, veio a oportunidade de participar de uma apresentação no Bazar Central, na Rua Euclides da Cunha. A partir dali, manteve uma loja pop-up no local por algum tempo.
“Construir uma trajetória na moda e na arte envolve muitos desafios. Não é fácil acompanhar um mercado tão acelerado e profundamente marcado pelo consumo excessivo. Atualmente, vivemos na era do fast fashion, dominada por grandes empresas que estimulam a compra e o descarte contínuos.”
Mesmo com as dificuldades, Cakau decidiu manter uma produção artesanal. “Manter um ateliê onde as peças são produzidas de maneira artesanal, em pequenas quantidades, respeitando as estações, mas com propostas atemporais, é uma escolha desafiadora e também uma grande aposta".
Na Áustria, a moda ganhou novas experiências, mas as raízes brasileiras continuaram presentes. Cakau define seu trabalho como autoral e contemporâneo, profundamente influenciado pelo Brasil. Vestidos, kimonos, saias e peças amplas aparecem entre suas criações. “Gosto de criar peças fluidas, confortáveis e versáteis, com cores, formas e detalhes que transmitam identidade.”
Para ela, a mudança no comportamento de quem compra também abre espaço para esse tipo de produção.“Hoje, as pessoas estão buscando experiências mais humanas, elas querem conhecer a origem daquilo que vestem e encontrar peças que contem histórias".
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