Com 2,5 mil vagas abertas, comércio reclama de fila gigante por emprego no Primt
CDL diz que Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho deveria contemplar só "vulneráveis" não os capacitados

Enquanto centenas de pessoas enfrentam filas para tentar uma vaga no Primt (Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho), o comércio de Campo Grande diz conviver com dificuldade para preencher cerca de 2,5 mil postos de trabalho. Essa diferença abriu um embate entre a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e a Prefeitura.
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A CDL de Campo Grande afirma que cerca de 2,5 mil vagas no comércio têm dificuldade de preenchimento e que muitas não exigem experiência ou qualificação, apenas disposição para trabalhar e aprender. A entidade critica o Primt, programa da Prefeitura que atrai filas por oferecer bolsa de até R$ 2,4 mil, benefícios e apoio social, e defende que as vagas sejam destinadas a pessoas em maior vulnerabilidade.
Segundo a entidade, aproximadamente metade das oportunidades no comércio não exige experiência nem qualificação profissional prévia, só disposição para trabalhar e aprender. É justamente nesse contraste que está a principal reclamação dos lojistas. Para a entidade, a Prefeitura passou a concorrer com o mercado formal por trabalhadores ao oferecer vagas por meio do programa municipal enquanto empresas mantêm postos abertos sem conseguir contratar.
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Dependendo da função oferecida pelo programa municipal, as condições podem ser mais atraentes do que as encontradas em parte do mercado privado.
No Primt, a bolsa-auxílio normalmente corresponde a um salário mínimo. Para participantes destinados à Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), entretanto, o valor supera R$ 2,4 mil, com jornada de 6 horas diárias contra 8 do comércio. O programa ainda prevê cesta básica, vale-transporte, alimentação durante as atividades e seguro contra acidentes pessoais.
O presidente da CDL, Adelaido Figueiredo, afirma que o cenário ajuda a transformar a Prefeitura em concorrente do mercado formal por trabalhadores.
“Hoje, o perfil que o mercado procura é de pessoas que vão todos os dias trabalhar, porque o restante a gente está se dispondo a treinar, preparar, capacitar. A situação está tão séria quanto à contratação de pessoas que hoje a gente nem busca mais qualificação”, afirmou.
Segundo ele, das aproximadamente 2,5 mil vagas que estima disponíveis atualmente, cerca de 50% exigiriam algum grau de qualificação. Nas demais, as empresas estariam dispostas a preparar os contratados.
Adelaido afirma que, pelo perfil observado durante a seleção realizada na semana passada, havia candidatos que, na avaliação da entidade, teriam condições de disputar empregos formais.
“Pelo perfil que nós verificamos ali na seleção que ocorreu na última semana, não eram essas pessoas. Eram pessoas que tinham outro perfil, com todas as condições de ocupar um espaço no mercado de trabalho”, afirmou.
Movimentação de candidatos no Cras da Vila Popular (Foto: Arquivo/Victória Costa Curta)
Quem deve entrar? - O Primt é destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Entre os critérios estão inscrição no CadÚnico e estar desempregado há pelo menos três meses. O vínculo pode chegar a 24 meses, mediante renovações semestrais.
Adelaido diz não ser contrário à existência do programa. O questionamento da CDL está na seleção de quem ocupa as vagas.
Para ele, o instrumento deveria priorizar pessoas em situação de vulnerabilidade mais acentuada e com maior dificuldade para ingressar diretamente no mercado formal.
A reportagem procurou a Funsat (Fundação Social do Trabalho) para saber se a Prefeitura cruza o perfil dos candidatos ao Primt com as vagas formais disponíveis, quais exigências dificultam o preenchimento dessas oportunidades e quantos participantes deixaram o programa para ingressar no mercado formal em 2025 e 2026. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.


