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Sabor

Rosa passou a vida na faxina e hoje faz cucas para conseguir padaria

Gaúcha e sem abandonar a limpeza, ela apostou em receitas da mãe para empreender e realizar sonho

Por Natália Olliver | 02/09/2026 08:02
Rosa passou a vida na faxina e hoje faz cucas para conseguir padaria
Gaúcha, Rosa apostou no que sabia fazer e negócio deu certo (Foto: Osmar Veiga)

Desde muito cedo, Rosa Maria Meller Schuh, de 52 anos, aprendeu a fazer cucas e calças viradas, como chamam no sul do país. A especialidade dela é a versão com calda de baunilha e coco. Faxineira desde a infância, há um ano ela resolveu apostar na cozinha para melhorar a vida. O negócio deu certo. Depois das diárias, ela faz os doces caseiros e as receitas que trouxe do Rio Grande do Sul para Campo Grande.

RESUMO

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Rosa Maria Meller Schuh, 52 anos, faxineira e natural do Rio Grande do Sul, transformou receitas tradicionais como cucas e cuecas viradas em fonte de renda extra em Campo Grande. Incentivada pela filha, ela começou a vender os doces caseiros há cerca de um ano e ampliou o cardápio com bolos e lasanhas. Os produtos variam de R$ 15 a R$ 25, e os salgados saem a R$ 50. Encomendas pelo (67) 99693-4707.

Demorou anos para ela perceber que isso poderia deixar de ser um hobby para virar fonte de renda extra. Ela relembra que o sonho antigo dela era trabalhar na polícia, como investigadora, mas ressalta que a vida que tem é mais do que boa. “Eu amo o que eu faço, a diária eu gosto também. O meu sonho agora é poder montar uma padaria”.

Filha de uma família simples de Tucunduva (RS), ela nunca chegou a passar fome, mas a situação financeira era difícil. O pai trabalhava e fazia o possível para que não faltasse nada, e a mãe ensinou desde cedo que muita coisa podia ser feita dentro de casa, inclusive os alimentos para a família.

Rosa passou a vida na faxina e hoje faz cucas para conseguir padaria
Rosa passou a vida na faxina e hoje faz cucas para conseguir padaria (Foto: Osmar Veiga)

“A mãe me ensinou a sempre fazer as coisas. Tudo pra comer era tudo feito em casa”. A limpeza continuou sendo seu principal sustento e ela passou boa parte da vida trabalhando nas casas dos outros e em empresas. Durante 7 anos, Rosa se dedicou a um serviço em um banco, fazendo faxina e servindo café. Na época, o marido também trabalhava lá como vigilante.

“Fazia 4 anos que eles não me davam férias. Lá estava bem difícil mesmo, o serviço, tudo na verdade. A gente trabalhava lá, mas o salário era bem ruim. O custo de vida é bem mais difícil que aqui também”.

Rosa teve 2 filhos e hoje já é avó. Enquanto coloca o bolo caseiro na mesa, as cucas e a famosa cueca virada, ela conta que esta não é a primeira vez que mora em Mato Grosso do Sul. No passado, a família descobriu um parente por aqui e ela resolveu vir.

Rosa passou a vida na faxina e hoje faz cucas para conseguir padaria
Rosa passou a vida na faxina e hoje faz cucas para conseguir padaria
Gaúcha e sem abandonar a limpeza, ela apostou nas receitas que a mãe fazia para empreender (Foto: Osmar Veiga)

Depois retornou ao Rio Grande do Sul. Mais tarde, com os filhos já crescidos e pelas dificuldades financeiras, decidiu voltar para a Capital Morena com o marido.

A mudança não foi simples. No início, sem conhecer bem a cidade, ela dependia do marido para levá-la e buscá-la das diárias. Mesmo com as dificuldades, Rosa seguiu trabalhando e construindo sua clientela. Foram anos dedicados à faxina até que um problema de hérnia de disco começou a exigir que diminuísse o ritmo e foi aí que a cozinha teve vez na rotina dela.

“Um dia, em casa com a minha filha, eu comentei que faria calça virada para a família. Ela olhou para mim e perguntou por que não fazia isso para vender. Eu resolvi testar. Mandei uma mensagem no grupo da família avisando que faria e perguntei quem gostaria de encomendar. Um queria, outro também, e fiquei semana inteira ocupada com pedidos”.

Em menos de um ano, ela ampliou a produção. Além da cueca virada, passou a fazer cuca, bolos e lasanhas por encomenda. Entre os produtos que mais saem estão justamente a cuca e a cueca virada, tanto a tradicional quanto a de coco com baunilha. Para clientes que preferem menos açúcar ou têm restrições alimentares, também oferece a versão simples, sem cobertura.

Rosa passou a vida na faxina e hoje faz cucas para conseguir padaria
Rosa passou a vida na faxina e hoje faz cucas para conseguir padaria
Bolo caseiro simples e cueca virada com açuçar e canela (Foto: Osmar Veiga)

As cucas aparecem com recheios de abacaxi, goiabada e doce de leite. Os bolos seguem uma linha caseira e tradicional, como a versão simples  só de farinha com açúcar por cima e o bolo de cenoura. Já as lasanhas, feitas com carne moída ou frango e molho vermelho simples, entram na produção conforme as encomendas.

Rosa diz que tudo é caseiro e fresco. O valor tanto das cucas quanto das cuecas e dos bolos varia de R$ 15 a R$ 25, já os pratos salgados saem a R$ 50. As encomendas podem ser feitas pelo número (67) 99693-4707.

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