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Artes

Cantor de 12 anos de MS entra na playlist de Virginia e música dispara

Mãe acompanha cada passo da carreira e estabelece limites para proteger filho da crueldade na internet

Por Thailla Torres | 15/09/2026 11:15
Cantor de 12 anos de MS entra na playlist de Virginia e música dispara
Rafael Melo sonha em gravar o próprio álbum de forma independente (Foto: Arquivo Pessoal)

Aos 12 anos, Rafael Melo já viu uma música chegar perto de 13 milhões de visualizações, ganhou concurso gospel em Brasília e entrou até na playlist de Virginia Fonseca. Mas, quando as apresentações terminam e o celular é deixado de lado, a rotina volta a ser a de um menino que está no 6º ano, estuda em escola municipal de Campo Grande e ainda precisa da mãe para acompanhá-lo em cada compromisso.

RESUMO

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Rafael Melo, de 12 anos, de Campo Grande, acumula quase 13 milhões de visualizações com a música gospel "Eu Vou Curar Você", venceu o Talentos Gospel 2026 em Brasília e entrou na playlist da influenciadora Virginia Fonseca. A mãe, Jaqueline, administra a carreira do filho e enfrenta riscos da exposição, incluindo o recebimento de imagens de conteúdo sexual enviadas por adultos. A família busca apoio jurídico para renegociar contrato com gravadora.

É Jaqueline Melo, de 33 anos, quem administra a carreira e, principalmente, tenta controlar até onde a exposição do filho pode chegar. Com o crescimento de Rafael nas redes sociais, ela descobriu também o lado mais difícil de ter uma criança diante de milhares de desconhecidos. Entre mensagens de fãs, a família já recebeu até imagens de teor sexual enviadas por adultos.

Natural de Campo Grande, Jaqueline é dona de casa, mãe de quatro filhos e mora com a família na região do Ramez Tebet. Além de Rafael, tem Evelyn, de 16 anos, Luiz, de 13, e Izabele, de 10.

A relação do menino com a música começou  antes dos milhões de visualizações. Jaqueline conta que havia acabado de se converter à religião evangélica e costumava cantar louvores dentro de casa quando Rafael ainda era pequeno.

“Eu cantava dentro de casa e eles me viam cantar. Tudo ele falava: ‘Mãe, deixa eu cantar’”, lembra.

Ela começou a publicar vídeos no TikTok cantando e falando sobre religião. Rafael apareceu nesse caminho e, aos 8 anos, gravou uma de suas primeiras músicas cover, “Sossega”. Segundo Jaqueline, uma produtora entrou em contato e vieram outras gravações.

Mas foi “Eu Vou Curar Você”, canção de Sandra Pires e Larissa Pires, que mudou a dimensão da história. Lançada há cerca de dois anos, a música cover se aproximou dos 13 milhões de visualizações e passou a circular em perfis de grandes influenciadores.

Neste mês, uma publicação de Virginia Fonseca usando a música fez os números de Rafael crescerem também no Spotify. “Tem hora que ela posta e o povo vem tudo atrás”, conta Jaqueline.

Cantor de 12 anos de MS entra na playlist de Virginia e música dispara
Prints mostram famosos escutando a versão de Rafael da música gospel (Foto: Reprodução Instagram)

Rafael percebe o que acontece. Quando soube que Virginia havia publicado a música, a reação, segundo a mãe, foi de felicidade. “Ele falou: ‘Ô, Deus, que bom. Vai lá, toca o coração dela’.”

A música também levou o campo-grandense para fora do Estado. Neste ano, Rafael venceu o Talentos Gospel 2026, em Brasília, e começou a receber convites para cantar em igrejas. Viajar também virou uma novidade para quem nunca havia entrado em um avião.

Apesar da agenda, Jaqueline diz que tenta preservar a rotina do filho. Rafael continua estudando na Escola Municipal Plínio Barbosa Martins e, segundo ela, é dedicado às aulas e costuma ajudar os colegas.

Cantor de 12 anos de MS entra na playlist de Virginia e música dispara
Jaqueline cuida da carreira do filho e sonha ver o menino lançando álbum. (Foto: Arquivo Pessoal)

Se os números deixaram a família feliz, a exposição trouxe uma preocupação que Jaqueline não tinha quando começou a colocar os primeiros vídeos na internet.

As redes são administradas por ela, e Rafael não negocia sozinho apresentações nem responde aos contatos profissionais. A mãe também o acompanha nas viagens e compromissos.

O cuidado aumentou depois que mensagens inadequadas começaram a chegar.

“Hoje em dia tem muita pedofilia. A gente coloca contato para a assessoria, muita gente manda mensagem, as pessoas ficam bravas se não mostra ele. Recebemos fotos de gente mandando parte íntima até. Tem gente maldosa. Já vieram pessoas mais velhas, e eu mostrava para o pai dele: ‘Eu não deixo’.”

Também aparecem críticas relacionadas à religião e à maneira como Rafael se apresenta. Jaqueline diz que tenta administrar essa parte da exposição sem transformar o filho em alguém obrigado a corresponder às expectativas de quem o acompanha.

“As pessoas não aceitam mudança. Parece que ele tem que ser do mundo. A gente peca todos os dias, e as pessoas acham que não pode ter mudança.”

Em casa, boa parte do conteúdo continua sendo feita de maneira simples. Jaqueline grava o filho e diz que hoje a família não tem condições de bancar produções frequentes em estúdio ou videoclipes.

“Eu deixei de sonhar para ajudar ele. Eu incentivo muito ele”, conta.

Mas o incentivo, segundo a mãe, não se restringe à música. Ela diz cobrar os estudos de Rafael e também procura mostrar aos quatro filhos que cada um terá o próprio caminho.

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Milhões de visualizações ainda não viraram fortuna

A repercussão também não significa que a família esteja ganhando muito dinheiro com Rafael. Jaqueline afirma que passaram cerca de três anos sem receber pelos trabalhos e que a monetização começou neste ano.

Segundo ela, atualmente 70% dos valores ficam com a gravadora, situação que a família busca discutir com auxílio jurídico. O desejo é que Rafael consiga futuramente lançar as próprias músicas de maneira independente.

“Eu quero que ele continue cantando, que ele continue gravando, que ele continue com essa carreira. São poucos que têm esse dom”, diz.

Por enquanto, a agenda é formada principalmente por apresentações em igrejas. E existe uma fronteira que Jaqueline não pretende atravessar apenas porque o filho ganhou público.

“Na igreja ele canta só. Eu não deixo pregar porque é muita responsabilidade, eu acho muito pesado para ele. Espero deixar ele crescer e ele ver o que ele quer, porque o lado espiritual não é brincadeira, é uma carga muito pesada. Ele precisa estar mais amadurecido. Não adianta ele pregar e não viver a palavra”, finaliza a mãe.


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