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Artes

Crianças unem orgulho da cultura terena com arte mineira em livro

Alunos da Aldeinha estão produzindo um livro ilustrado com poesias que exaltam a cultura indígena por meio da poesia aldravista

Por Lucas Mamédio | 26/10/2020 09:35
Professorea Flávia e alunos do projeto (Foto: Arquivo Pessoal)
Professorea Flávia e alunos do projeto (Foto: Arquivo Pessoal)

Alunos da Aldeinha, comunidade indígena Terena de Anastácio, a 122 quilômetros de Campo Grande, estão produzindo um livro ilustrado com poesias que exaltam a cultura indígena por meio da poesia aldravista.

“O movimento aldravista surgiu em Minas Gerais e nada tem a ver com os terena. Eu que sou poeta aldravianista    e quis dialogar essas duas artes distintas. Eu escrevo aldravias,  um gênero literário genuinamente Brasileiro. Criado em 2010”, explica a professora Flavia Rohdt, idealizadora e coordenadora do projeto.

Flavia teve a ideia em 2017 junto a professora de artes Tisa Tati, que faleceu em agosto deste ano de covid-19. "Esse livro é o resultado de um projeto idealizado em 2017, enquanto eu ainda fazia parte do corpo docente da Escola Indígena da Comunidade da Aldeia Aldeinha. Quando escrito o projeto seria realizado em parceria com a professora de Arte Tisa Tati de Oliveira, a qual dedicamos esse livro, no entanto ele ficou engavetado por três anos”, conta.

Criança fazendo ilustração que estará no livro (Foto: Arquivo Pessoal)
Criança fazendo ilustração que estará no livro (Foto: Arquivo Pessoal)

Agora, depois da morte da professora Tisa, Flávia decidiu retomar o projeto. “Foi e é ainda muito difícil lidar com essa perda. Além desse triste acontecimento, passamos a ver o nosso Pantanal tomado pelas chamas - fauna e flora sendo totalmente destruídas pelo fogo. Foi então que senti a necessidade de desengavetar o Projeto, por perceber que é preciso falar de meio ambiente e também dessas mortes no presente, no agora e nada melhor que fazer essas reflexões por meio desse dialogo entre a arte/cultura terena e a arte aldravista”.

Ao todo, 10 crianças participam do projeto. “Infelizmente, devido à pandemia, tivemos que optar por apenas dez crianças. E dez adolescentes. Eles têm oficinas distintas; as crianças estão produzindo um livro de poesia bilíngue e ilustrado por eles. Os adolescentes produzirão telas, envolvendo o grafismo indígena e a pintura aldravista. Todas as produções são pensadas no tema Pantanal em chamas”, conta Flávia.

O projeto foi dividido em dois momentos: no primeiro, o participantes trabalharam o gênero aldravista com as crianças. “Elas participaram de uma oficina, ministrada por mim, antes mesmo de ensiná-los sobre a estrutura do gênero, inferimos sobre as queimadas e elas trouxeram para o debate o sentimento de preocupação, pena, dó, não somente pelos animais mas também pelas árvores, matas, florestas. No segundo momento propomos um desafio aos adolescentes: harmonizar o grafismo indígena com as aldravinturas”.

Crianças durante oficina de ilustração (Foto: Arquivo Pessoal)
Crianças durante oficina de ilustração (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Flávia, “produzir esse material, oportunizar a essas crianças e adolescentes a junção dessas duas artes indígena e aldravista e mais que isso, oportunizar momentos de debate, reflexão, autoestima e protagonismo foi sem dúvidas uma das melhores experiências vividas como educadora”.

O livro deve ser publicado no final de novembro.

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