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Comportamento

Afonso acorda às 4h para cultivar plantas frutíferas e até Viagra natural

Já são 500 árvores plantadas e ensina, inclusive, como usar o que elas produzem de melhor

Por Suzana Serviam | 25/01/2022 08:43
Afonso com uma muda e a uma mangueira nas mãos. (Foto: Paulo Francis)
Afonso com uma muda e a uma mangueira nas mãos. (Foto: Paulo Francis)

O relógio biológico de Afonso Libero, 65 anos, desperta às 4h da manhã. Parece que o corpo e a cama gritam. Desse horário até 8h da manhã, as pessoas o encontrarão no Parque Ecológico do Sóter. Há 2 anos, a rotina dele é plantar e cultivar árvores frutíferas por lá. Já são 500 que recebem carinho e cuidado de Afonso.

Tem jatobá, maracujá, manga, abacate, pequi, barú, laranja e tantas outras frutas que já perdeu a conta. E existe um bom motivo para o aposentado fazer mudas e plantar apenas as frutíferas. “Eu vejo as pessoas sem comida. Tem gente que não tem o que comer e se alimentam das frutas. Um dia, eu estava trabalhando aqui e vi um casal com duas crianças agradecendo a Deus pela refeição. Perguntei o que eles comeram e o almoço tinha sido manga. Comprei marmitas para eles.”

A emoção tomou conta do Afonso. No final da entrevista, seus olhos começaram a marejar e pausadamente, como quem busca ar para conter as lágrimas e ao mesmo tempo falar, ele disse: “A vida é muito curta, quando você vê, já está aposentado e vive mais 15 ou 20 anos”, é por isso que ele ocupa a cabeça fazendo o que gosta: cuidar das plantas.

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Se ele pudesse dar um título para matéria, seria: “Sem terra invade o parque”. Questiono o motivo e ele explica que na divisão da herança de terras dos pais, ficou de fora. “Falei pra Deus que a minha herança que alguém ia me dar, então, pode ser que cultivar essas árvores seja minha herança”, comenta.

Afonso sabe e deixa claro que o parque não é e nunca será dele e reforça que por herança, ele se refere a deixar um legado aos filhos e netos, que hoje, é o cultivo das plantações. “Apesar de ser aposentado, eu gosto muito de trabalhar. Moro num apartamento, não aguento ficar lá por mais de 6h, então, aqui é um cantinho que tenho para tirar o estresse, dispersar a mente, derramar meu suor”, revelou.

Os netos de Afonso plantaram duas árvores junto com ele. Uma da castanha barú e outra de jatobá, as duas árvores que mais têm pelo parque. Elas levam o nome dos pequenos e foram plantadas uma ao lado da outra.

Essas são as duas árvores plantadas com os netos. (Foto: Paulo Francis)
Essas são as duas árvores plantadas com os netos. (Foto: Paulo Francis)

Viagra

O aposentado é brincalhão e muito entendedor do que faz. Morou por 37 anos em São Gabriel do Oeste. Por lá, aprendeu a mexer com lavoura, pesquisa e suinocultura. Toda essa experiência o ajuda nos cuidados das árvores.

“Eu faço as mudas no chão e depois, transfiro para o balainho. Todas as sementes eu colho dentro do parque e multiplico aqui. Olha essa muda de barú. Isso aqui produz umas amêndoas que são muito ricas em ômega 3, 6 e 9. É o Viagra natural do homem e da mulher. Se você torrar as amêndoas e comer 12 por dia, equivale a um Viagra, mas sem contraindicação nenhuma”, indica Afonso.

Afonso segurando uma muda plantada dentro do balainho. (Foto: Paulo Francis)
Afonso segurando uma muda plantada dentro do balainho. (Foto: Paulo Francis)

Outra dica preciosa é em relação ao coco verde. “Tem gente que só toma a água e descarta todo o resto. Mas dentro, fica a gelatina do coco, que ajuda na adubação. Coloco água, deixo por 24h e depois viro em cima do pé de maracujá, é ótimo”, ensina. Tem gente que avista maracujá e aproveita para colher, quando Afonso vê, ele pede em troca um adubo para continuar o trabalho.

Afonso toma 3 vezes ao dia a seiva de jatobá e explica que quando não chove, a árvore solta um líquido precioso e medicinal. Segundo ele, serve para asma, cólica, fraqueza pulmonar e muitas outras coisas.

Até mesmo quando chove, Afonso fica de olho e mede a quantidade de água que cai durante a chuva. “Faço isso para saber se vou precisar regar mais ou se é o suficiente”, diz. A mangueira comprada por ele já fica por lá para facilitar o processo.

Seiva de Jatobá. (Foto: Paulo Francis)
Seiva de Jatobá. (Foto: Paulo Francis)

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