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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

04/02/2018 07:10

Ao invés da liberdade, pardal escolheu ficar ao lado da mulher que o resgatou

A professora Dayane conta um pouco dessa improvável amizade, sustentada a base de ração para cachorro e muita gratidão

Thaís Pimenta
Dayane e o pardal, a dupla improvável que se formou a partir do resgate feito pela professora (Foto: Acervo Pessoal)Dayane e o pardal, a dupla improvável que se formou a partir do resgate feito pela professora (Foto: Acervo Pessoal)

A porta esteve aberta para que o pardal resgatado pela professora Dayane Laitart há duas semanas voasse para os braços da natureza mas o pequeno preferiu mesmo voltar para o ombro de sua companheira humana.

Tudo começou há duas semanas, no sábado do dia 27 de janeiro, quando Dayane chegou de viagem e notou dois pardais caídos do telhado. Um deles caiu no cimento e, provavelmente pelo impacto, morreu. O outro caiu na grama e parecia estar desesperado – piava sem parar. A iniciativa inicial da professora foi a de pegar o bichinho e levar em um órgão ambiental. “Só que era um sábado e esses espaços não abrem, ainda tinha o domingo e ele estava muito frágil”, diz.

Desesperada, temendo o pior para o futuro do pássaro, ela colocou um pouco de aveia em um potinho e deu para ele se alimentar. “Na hora lembrei que eu tinha uma lembrança de dia das mães, um cachepozinho com palha, coloquei ele ali pra dormir, deixei um pouco aberta a tampa”, comenta. Dá pra conferir um pouco dessa relação no vídeo abaixo:

A preocupação era tanta que Dayane colocou um colchão na sala pra ficar cuidando do pequeno. “ Meu único desejo era vê-lo crescer, melhorar e voltar pra natureza”. Só que essa vontade se completou em partes.

A aveia como alimento não deu muito certo. As fezes do pequenino estavam amarelas. “Eu fui lá fora pra ver como deviam ser as fezes dele”, brinca a nova mãe do bicho. Pra que as fezes ficassem saudáveis, Day colocou uma brilhante ideia em prática: dar a raçaõ de sua pastora alemão para ele. “Pardais gostam de proteína, de minhoca, era a única coisa parecida com isso em casa”. A comida foi aprovada pelo pardalzinho.

Uma semana depois, quando ele já estava bem mais forte, decidiu soltá-lo: abriu a porta de casa e esperou ele partir. Deu uma volta no quintal e rapidinho sentou no ombro da professora. “Eu tinha certeza que ele ia embora, fiquei surpresa com a reação dele”. Desde então, Day tentou fazê-lo ir mais uma vez, a resposta do pardal foi a mesma.

O pássaro adora um carinho, e vem no colo de Dayane sempre que quer. (Foto: Acervo Pessoal)O pássaro adora um carinho, e vem no colo de Dayane sempre que quer. (Foto: Acervo Pessoal)

A relação dos dois foi ficando cada vez mais tranquila e, hoje, basta Day falar com uma voz fofa com pássaro, que ele voa direto pra ela. Curioso caso do destino, como ela mesmo diz, a ave apareceu em um delicado momento de sua vida. "Eu e meu ex marido nos separamos faz pouco tempo, meu filho tava naquele fim de semana com ele, acho que ele pode ter vindo pra me fazer companhia", explica.

O amor também retribuído para o filho de Day, mas a predileção pela dona é clara. "Com o Vitor Hugo ele vem, mas não sobe na mão pedindo carinho como faz comigo. Ele me segue pra todos os cantos em casa. Se eu to na sala, ele vem pro ventilador, se eu estou na cozinha, ele sobe na mesa", lembra.

Para Dayane, o pardal sente gratidão pelo resgate. "Creio que todo animal, assim como todo ser humano, cria um sentimento de gratidão por aquele que lhe alimenta, lhe salva e cuida".

Ontem o bichinho ganhou uma gaiola para não ficar voando por toda a casa. O destino dessa relação ainda é digno de dúvida. "Não gosto de ter animais tão livres assim aqui, trancado. Já sei que ele não quer voltar pra natureza mas penso em entregar ele pra um órgão ambiental".

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