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Comportamento

Aos 84 anos, Gleide rega sem preguiça até a planta do vizinho

Além de regar, dona Gleide ainda faz questão de plantar árvores de todo tipo pela região

Por Suzana Serviam | 28/09/2021 07:32
Vovó Gleide em seu quintal cheio de plantas. (Foto: Suzana Serviam)
Vovó Gleide em seu quintal cheio de plantas. (Foto: Suzana Serviam)

A chegada da idade para homens e mulheres há muito deixou de ser referência de maturidade. Do status de “pessoa com experiência de vida”, a sociedade ávida pela juventude faz até uma mulher no auge dos seus 40 anos ganhar um único título: “velha”. Por isso, o Lado B segue mostrando diferentes histórias de quem viu as rugas chegarem, os netos também, mas não envelhece, considerando o sentido tão difundido por aí do que é ser velho.

Na série “Velho é a mãe!” começamos com a história da dona Gleide, que aos 84 anos, todos os dias, levanta para regar não só as suas plantas como até da vizinhança. E não para por aí. Moradora do Carandá Bosque, a bonita “ligada no 220”, como diz, ainda revela que é apaixonada pela natureza, por isso, não cansa de plantar mudas de árvores em seu quintal, na calçada dos vizinhos e também no canteiro central da Avenida Hiroshima.

Alto astral, a mulher dos cabelos grisalhos brinca ao revelar seu nome completo. “É um palavrão, vou soletrar”, comenta bem-humorada ao dizer calmamente que se chamada Agleidarcyr dos Santos Pereira.

Ela revela que o trabalho pesado de plantar as árvores fica por conta do filho, que cava os buracos para que ela não sinta dores. Parceiros, os dois conseguem se entender pelo olhar. “Eu moro aqui com ele, porque é o único que entende o meu jeito e não faz questão nenhuma de me mudar”, revela.

Parceiros de plantação, dona Gleide e seu filho Gill. (Foto: Suzana Serviam)
Parceiros de plantação, dona Gleide e seu filho Gill. (Foto: Suzana Serviam)

De espírito livre, Gleide, como carinhosamente é conhecida, comenta não ter papas na língua. Fala alto mesmo e quando não gosta de algo não tem “reza braba” que mude sua opinião. “Não tenho problema nenhum em falar para a pessoa sobre algo que não foi legal”, comenta.

Sincera, sua virtude, às vezes, é confundida com grosseria, mas ela garante que não é proposital e que apenas não gosta de hipocrisias. Mesmo assim, por onde passa, Gleide consegue conquistar todo mundo.

Inclusive, seu vizinho que flagrou a regada das plantas e postou no Instagram com a legenda: "Nossa vizinha, 90 anos e todos os dias vem regar nosso jardim", foi o que levou a reportagem a caminhar na Hiroshima para encontrar Gleide.

A idade estava errada, mas regar o jardim todos os dias é virtude admirada por todos. Aliás, a rua toda recebe esse pequeno mimo e quem agradece é a natureza.

Gleide ao lado do pé de araçá e tamarindo na Avenida Hiroshima. (Foto: Suzana Serviam)
Gleide ao lado do pé de araçá e tamarindo na Avenida Hiroshima. (Foto: Suzana Serviam)

São mais de 20 árvores plantadas, algumas frutíferas como o araçá, pequi, tamarindo e coqueiro. De todas, a que deu mais trabalho foi o pé de pequi, porque a raiz não vingava na terra, lembra Gleide. Depois de muita insistência, deu certo. "Meu filho conseguiu uma raiz longa e grossa, aí virou essa coisa linda", comenta orgulhosa.

Por ali, também tem árvores exóticas, cuja as folhagens são capazes de curar qualquer coisa, mas vovó Gleide não revela qual para não incentivar a retirada das folhas e comprometer o crescimento.

Conhece alguém no seu bairro com uma história que merece ser contada como a da dona Gleide? Mande para o Lado B no Facebook ou no WhatsApp do Campo Grande News (67) 99669-9563 (chame aqui).

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