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Comportamento

Carminha de MS é do bem, tem 100 anos e colocou mil bebês no mundo

Carminha completou 100 anos de vida nesta semana e se orgulha de ser uma personagem bondosa nesta vida

Por Thailla Torres | 27/01/2022 09:28
Dona Carminha, clicada no dia do seu aniversário, 24 de janeiro. (Foto: : Rhobson Tavares Lima/O Pantaneiro)
Dona Carminha, clicada no dia do seu aniversário, 24 de janeiro. (Foto: : Rhobson Tavares Lima/O Pantaneiro)

Uma das maiores vilãs da nossa dramaturgia, daquelas que a gente ama se chama Carminha, personagem interpretada pela atriz Adriana Esteves, na novela Avenida Brasil. Já em Mato Grosso do Sul, quando a gente pergunta à filha de Carmen Geleilate, famosa como Carminha, sobre a personalidade da mãe, a resposta é imediata: “Ela é a nossa Carminha do bem, a mais lúcida, fantástica e incrível”, descreve a filha, Yara Penteado, de 80 anos.

Nesta semana, dona Carminha completou 100 anos de vida. Por conta da pandemia e o aumento de casos de covid-19 nos últimos dias, ela resolveu celebrar a chegada do novo ciclo em casa, somente na companhia da filha. As duas têm o privilégio de viverem e envelhecerem juntas, com parceria e amor incondicional.

E mesmo sem a festança que Carminha estava acostumada nos últimos anos, a filha diz que a mãe é puro sorriso. “Por estar viva, com saúde e lembrar-se de todos os detalhes da sua vida. Ela se lembra de datas e nomes, tanto do presente quanto do passado”, conta Yara.

Yara e a mãe em sua residência em Aquidauana. (Foto: Rhobson Tavares Lima/O Pantaneiro)
Yara e a mãe em sua residência em Aquidauana. (Foto: Rhobson Tavares Lima/O Pantaneiro)

E o que define dona Carminha uma mulher de bem é sua história de vida, com boa parte dedicada à solidariedade, lembra a filha. Formada em Enfermagem Obstétrica na década de 50, Carminha realizou inúmeros partos tanto em Campo Grande quanto no interior. “Deve ter colocado mais de 1000 pessoas no mundo, sem nunca cobrar nada por isso. Tenho muito orgulho dela”, descreve a filha.

Nascida na Fazenda São José do Desterro, entre Dourados e Ponta Porã, Carminha morou parte da vida em Aquidauana, na Escola Paroquial Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Casou-se após sair do internato com Zózimo Almeida Penteado, conhecido como Zito, e foi morar em uma fazenda.

Viúva duas vezes, Carminha perdeu o primeiro marido, pai de Yara, após 10 dias do casamento. Anos depois, se casou com Jamil Geleilate, de família árabe, o qual Yara também considera como pai. “Ele me criou e tenho um verdadeiro amor de filha por ele”, descreve.

Foto de 1951, quando formou-se enfermeira obstétrica, na Maternidade Cândido Mariano. (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto de 1951, quando formou-se enfermeira obstétrica, na Maternidade Cândido Mariano. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mas nem a perda de dois amores na vida foi capaz de tirar o sorriso e a vontade de fazer o bem de Carminha. Yara se lembra de uma cena que a mãe nunca esqueceu e sempre contou. “Ela tinha um casaco francês, peludo, daqueles bem quentinhos que era lembrança do meu pai. Mas numa noite fria, ela estava com aquele casaco, quando se deparou com uma mulher e sua criança passando frio. Naquele tempo, fazia inverno de verdade por aqui. Mamãe tirou seu casaco e enrolou na mãe com seu bebê”.

Questionada se ela não sentiu frio no caminho para casa, a mãe sempre disse que não. “Foi a boa ação que a aqueceu e isso foi o mais importante”.

Além disso, nunca deixou de se divertir, visitar os amigos e estar na parceria da filha única, hoje, também sua melhor amiga. “Somos muito parceiras, em tudo, não largo minha mãe por nada nesse mundo”.

Com dificuldades para falar ao telefone, foi através de um áudio no WhastApp que Carminha revelou seus segredinhos para chegar aos 100 anos de vida tão feliz e bem conservada.

“O segredo é que eu nunca perdi uma noite, nunca bebi, vivi uma vida regrada, nunca fiz extravagância, nunca fumei e tenho pavor de cigarro. Também sempre trabalhei, sempre fui caseira, sempre pensei no dia de amanhã, pra o amanhã ser feliz, com saúde, amigos, conforto e minha filha adorável. Tudo o que eu tenho é um presente de Deus”, finaliza.

Atualmente, as duas moram em Aquidauana, cidade onde Carminha já ganhou título até de cidadã aquidauanense. “Por conta da pandemia, aqui é melhor, casa mais arejada e tranquila. Mas esperámos em breve voltar para Campo Grande.”

Vida longa a nossa Carminha do bem!

Filha e mãe em Paris, em novembro de 2017. (Foto: Arquivo Pessoal)
Filha e mãe em Paris, em novembro de 2017. (Foto: Arquivo Pessoal)

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