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Campo Grande, Sábado, 17 de Agosto de 2019

24/07/2019 08:56

Com fama de “Santa Maria”, benzedeira da família Parafuso virou nome de rua

Após 17 anos da morte da matriarca, filhos decidiram retomar reuniões familiares

Danielle Valentim
Maria Roberto de Souza, morreu em 2002, após infarte fulminante. (Foto: Arquivo Pessoal)Maria Roberto de Souza, morreu em 2002, após infarte fulminante. (Foto: Arquivo Pessoal)

Foi no antigo Bairro do Cruzeiro, atual Coronel Antonino, que Adberto de Souza, conhecido como Parafuso, e a esposa Maria Roberto de Souza, benzedeira que ficou famosa na região, chegaram e fixaram endereço em 1959. A rua que há 60 anos só tinha mato recebeu a primeira casa de pau a pique e nos anos seguintes o nome de “Santa Maria” devido à sequência de curas mediadas por rezas.

Apesar da linhagem de seu Adberto ter ficado conhecida pelo apelido “Parafuso” é Maria Roberto que lidera a história dessa família. Devota de São Cosme e Damião, enquanto viveu, a benzedeira realizou uma festa no bairro, devido a uma promessa de saúde a um dos filhos.

Quem conta a história da família é a filha mais velha, a cozinheira Carmem Roberto de Souza, de 67 anos. Ele lembra que o pai morreu na década de 1970 aos 52 anos e a mãe em 2002 aos 64 anos. O patriarca da casa sempre brincou com parafusos e, por isso, o apelido pegou.

“A casa da minha mãe era cheia de gente e não podia chegar alguém desabrigado que minha mãe dava pouso, lembra Carmem. (Foto: Kísie Ainoã)“A casa da minha mãe era cheia de gente e não podia chegar alguém desabrigado que minha mãe dava pouso", lembra Carmem. (Foto: Kísie Ainoã)
Em 1993, nora Maria Brito, Zé Parafuso, Maria Roberto (matriarca), João Roberto apelido de fininho, filha Anaete Roberto, neta Janaína Brito, genro Silvio Santana .
Em pé gilcilene de Souza (neta) criança Lorrayne de Souza neta
Almoço de domingo
Foto de 1993Em 1993, nora Maria Brito, Zé Parafuso, Maria Roberto (matriarca), João Roberto apelido de fininho, filha Anaete Roberto, neta Janaína Brito, genro Silvio Santana . Em pé gilcilene de Souza (neta) criança Lorrayne de Souza neta Almoço de domingo Foto de 1993

Carmem conta que os pais eram de Terenos e, especificamente, Maria teria nascido na Fazenda Ligação. “Eu também nasci na fazenda Ligação e de lá viemos para Campo Grande, eu tinha uns 7 ou 8 anos. Nossa casa foi a primeiro do bairro que ainda se chamava Cruzeiro. O nome da rua foi em homenagem a minha mãe, que benzia crianças. Na fazenda minha mãe trabalhava na colheita e aqui na cidade lavava roupas para fora”, conta.

O dom para benzer veio da mãe Maria Salustiana de Jesus, mas nenhum dos 14 filhos de Maria Roberta seguiu com as rezas. “Formava fila para criança ser benzida. Para curar a Erisipela minha mãe benzia uma vez um só”, lembra Carmem.

A família viu o bairro crescer do zero e, além do desenvolvimento da região, Maria Roberto foi responsável por abrigar muita gente. “A casa da minha mãe era cheia de gente e não podia chegar alguém desabrigado que minha mãe dava pouso. Depois da morte da minha mãe a casa foi vendida para o mercado Gaúcho”, lembra.

Neta Janaina à direta fazendo a contagem de netos e bisnetos. (Foto: Kísie Ainoã)Neta Janaina à direta fazendo a contagem de netos e bisnetos. (Foto: Kísie Ainoã)

Ao Lado B, a filha mais velha lembra que nas festas dedicadas a São Cosme e Damião eram servidos muitos doces, além de uma tradicional macarronada com frango caipira.

A secretária Janaína Brito, de 35 anos, neta de Maria, lembra que a avó era muita conhecida e muitos alimentos usados na festa eram recebidos por doação. “Na Ceasa, minha avó ganhava muitas coisas. As galinhas eram criadas por ela mesmo, durante o ano inteiro, e aí ela fazia a tradicional macarronada com frango caipira. Mas agora já deixamos no calendário anual, a festa vai continuar”, conta.

1º encontro - A festa deixou de ser feita após o falecimento de Maria Roberta. Porém, depois de 17 anos, os filhos, netos e bisnetos decidiram retomar as reuniões em família. 

Na foto, começando pela esquerda, Aparecida Malaquias, Maria Roberto Pimentel, Antônio Roberto Souza, José Roberto Souza, Carmem Roberto e Anaete Robertto.  Na foto, começando pela esquerda, Aparecida Malaquias, Maria Roberto Pimentel, Antônio Roberto Souza, José Roberto Souza, Carmem Roberto e Anaete Robertto.
Netos e bisnetos de Maria Roberto. Netos e bisnetos de Maria Roberto.

No dia 20 de julho ocorreu o primeiro “Encontro da Família Parafuso”. O evento reviveu muitas histórias e a emoção veio à tona.

“Os primos lembraram da construção do Terminal General Osório, do Armazém do seu Gaúcho que veio a tornar o supermercado Gaúcho. Também se lembraram de um morador da época, seu Otávio Bugre, que os meninos pegavam o cavalo dele para andar no bairro e até de seu Figueirinha que era o bar da pinga dos homens quando voltavam do trabalho”, pontua Laura, uma das netas de Maria.

Adberto e Maria Roberto deixaram 14 filhos (oito já faleceram), 33 netos e 63 bisnetos.

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