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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

08/05/2017 08:25

Da brincadeira de contar Fusca, hoje médico anda no carro que virou astro

Thailla Torres
Fuscassauros é o carro preferido de médico que contava Fuscas na infância.Fuscassauros é o carro preferido de médico que contava Fuscas na infância.

Paulo não tem costume de lavar o carro na frente de casa porque é proibido no condomínio onde mora. No entanto, quem levanta cedo consegue ver o médico com todo cuidado limpando o vidro embaçado do sereno da noite anterior. Sem esquecer nenhum detalhe do Fusca de 1968, ele cuida do carro que é um xodó há 14 anos em Campo Grande. 

Cirurgião plástico, Paulo Pagliarelli, de 68 anos, acredita que todo mundo tem uma história com Fusca para contar e na vida dele não foi diferente. Nascido no Rio de Janeiro, ele veio para cidade há 37 anos na companhia da ex-mulher. Apaixonado por carros antigos, o Fusca é também um gosto de infância, quando ele brincava de contar os carros que passavam na rua.

"Coisa de criança, eu lembro que eu e os meus amigos sentávamos na frente de casa para contar quantos Fuscas iam passar. Naquele tempo muita gente teve um carro desse", narra.

Carro é o xodó de médico há 14 anos. Carro é o xodó de médico há 14 anos.

Esse não foi o primeiro Fusca de Paulo, mas é o que veio para ficar. Ele não sabe ao certo quantos donos o carro já teve, mas quando comprou o veículo foi necessário uma boa reforma. O médico conta que na época chegou a gastar R$ 42 mil para deixar o carro perfeito.

Com maioria das peças originais, o veículo tem ar condicionado e chama atenção pela aparência impecável e por isso, durante mais de 10 anos, Paulo abriu mão do carro importado só para dirigir o Fusca pela cidade.

Até quem já viu o médico chegando para trabalhar, pensou que algo não estava bem na vida dele. "É um fato curioso e engraçado. Logo que comprei e cheguei com ele caindo aos pedaços no pátio do hospital, um porteiro comentou com o outro: coitado do doutor Paulo, está quebrado", recorda.

O carro já passou por três reformas, Paulo viajou para São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul em busca de peça para "Fuscassauros", nome que ele deu ao veículo quando passou a frequentar a confraria de carros antigos na cidade. "Muitos de nós que somos mais velhos temos Fusca, por isso coloquei esse nome", ri.

Apesar do tempo, nem o fato de ser deixado na mão, faz o médico mudar de ideia quanto ao veículo. "Já fiquei muitas vezes parado na rua. Às vezes problemas rápidos de resolver e em outras, problemas mais complexos. Mas tudo tem um jeito", diz.

Veículo também é impecável por dentro.Veículo também é impecável por dentro.
Detalhe da roda.Detalhe da roda.

Além de tudo, o carro faz parte da personalidade de Paulo. "No consultório, muita gente chegava e perguntava cadê o Fusca? Sempre gostei muito e tinha uma coleção de miniaturas. O Fusca é um carro que faz parte da vida, não tem como ser deixado de lado", afirma.

Outra vantagem é o reconhecimento para quem tem história com Fusca e fica livre da buzinadas quando um problema aparece. "É um carro com tanta história que sempre tem alguém para te ajudar se algo acontecer. Sem contar que ele vira uma estrela, todo dia quem passa de moto, carro ou no ônibus, fica olhando, dá um tchau ou sinal de positivo por ele". 

E o que não falta são ofertas, mas Paulo garante que ele jamais ficará à venda. "Já cheguei a dizer que a pessoa não teria condições de comprar só para não continuar com a oferta. Pelo menos duas ou três vezes ao dia, alguém me pergunta o preço e quanto estou pedindo nele, mas esse daqui não tem preço. Quem tem Fusca é porque ama", afirma.

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